EQUINOR E USP LANÇAM NOVO PROJETO PARA CAPTURA E ARMAZENAMENTO DE CARBONO GERADO EM USINAS DE BIOETANOL
A Equinor e o Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da Universidade de São Paulo (USP) revelaram nesta semana, em São Paulo, uma nova parceria envolvendo um projeto de pesquisa de captura e armazenamento de carbono. A iniciativa foi chamada de projeto CABRA (CArbon Storage in BRAzilian Basalts), que contará com porte de aproximadamente R$ 10 milhões para investigar o potencial das formações basálticas como reservatórios para o armazenamento de CO₂ gerado em usinas de bioetanol. O estudo concentrará seus esforços nas formações basálticas da Bacia Sedimentar do Paraná, onde estão localizadas as principais usinas de bioetanol da Região Sudeste.
Segundo os pesquisadores, essas rochas vulcânicas, resultantes do resfriamento do magma na superfície terrestre, possuem propriedades químicas que possibilitam a reação rápida com o CO₂ injetado, convertendo-o em minerais sólidos. O projeto incluirá ainda análises de engenharia voltadas à implementação de um possível projeto piloto, avaliando a capacidade de injeção, o volume disponível para armazenamento e o tempo necessário para a mineralização do CO₂ nas formações rochosas.
“Ter a USP como parceira em um projeto como o CABRA é motivo de grande satisfação. A Equinor é uma das líderes globais em captura e armazenamento de carbono, e esta é uma etapa inicial importante para avaliarmos as oportunidades de projetos dessa natureza no Brasil. A iniciativa reflete nossa ambição de contribuir para um futuro de baixo carbono aliado ao desenvolvimento social — uma parceria que traduz esse propósito na prática”, declarou a gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Equinor Brasil, Andrea Achôa.
A pesquisa será liderada pelo professor Colombo Celso Gaeta Tassinari, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP), especialista em geociências e referência nacional no estudo do potencial dos basaltos brasileiros para o armazenamento geológico de CO₂.
Atualmente, o Brasil é o maior produtor de etanol a partir da cana-de-açúcar, Ainda que seja mais sustentável que os combustíveis fósseis, essa cadeia ainda emite CO₂ durante o processo produtivo. A integração do setor de bioetanol a tecnologias de captura e armazenamento geológico de carbono pode transformar esse cenário, tornando o balanço de emissões potencialmente negativo.
“O projeto CABRA reafirma o papel do RCGI em desenvolver soluções científicas voltadas à descarbonização da matriz energética nacional. É uma ação que combina a excelência acadêmica da USP com a expertise de uma empresa global de energia, com potencial de gerar conhecimento e tecnologias relevantes para o país”, destacou o diretor científico do RCGI – Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP, Julio Meneghini (foto à esquerda).
Com quase 30 anos de experiência em armazenamento de CO₂ em áreas offshore na Noruega, a Equinor é uma das maiores operadoras globais de projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS). No Brasil, a petroleira vem ampliando seu portfólio de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, com compromissos de investimento que somam cerca de R$ 740 milhões em projetos conduzidos com parceiros externos. Atualmente, a companhia mantém aproximadamente 40 iniciativas em andamento, abrangendo tanto tecnologias para o setor de petróleo quanto soluções voltadas à redução de carbono.

publicada em 7 de novembro de 2025 às 5:00 





