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NAVIOS DA FRANÇA, ALEMANHA, REINO UNIDO E HOLANDA SEGUEM PARA AJUDAR A LIMPAR ORMUZ DAS MINAS IRANIANAS

Temos um acordo para terminar a guerra do Irã? Temos, mas ele é forte ou frágil? O mundo pode confiar? Até a próxima sexta-feira (19) estas serão as perguntas mais não respondidas pelos negociadores do acordo entre Estados Unidos, Irã e Israel. Elemento chave em todo este embaralho de situações, Israel não sairá do Líbano, mas promete não atacar se o grupo terrorista do Hezbollah, financiado pelo Irã, permanecer parado. Onde estão e quem irá retirar as minas iranianas colocadas no Estreito de Ormuz?  A busca pelas minas pode levar semanas, atrasando o retorno à normalidade do transporte marítimo. Isso pode potencialmente reter dezenas de milhões de barris de petróleo, além do fornecimento de petróleo do Golfo já bloqueado desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro.

A França e o Reino Unido estão prontos para liderar uma missão no Estreito de Ormuz, com o apoio da Holanda e da Itália, para ajudar na reabertura da rota marítima após o acordo firmado entre os Estados Unidos e o Irã se tornar realidade, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta segunda-feira (15). Ele acrescentou que a missão poderia ser implementada em dois ou três dias. Macron afirmou que reabrir o Estreito de Ormuz com a cobrança de pedágio seria contrário ao direito internacional. Grã-Bretanha, França e Alemanha enviaram navios de guerra e caça-minas para o Oriente Médio, antecipando uma possível operação de desminagem. Corey Ranslem, diretor executivo do grupo de segurança marítima Dryad Global, afirmou que, mesmo após os ataques dos EUA destinados a destruir a capacidade militar iraniana, incluindo navios e estoques de minas, estima-se que o Irã possua até 1.000 minas navais. “Se for detectado um campo minado, a remoção da ameaça pode levar semanas ou meses”, disse ele.

Segundo avaliações de cinco fontes ocidentais de segurança marítima, a operação com navios caça-minas convencionais e drones subaquáticos de última geração poderá continuar por 40 a 50 dias antes que muitas seguradoras, empresas de transporte marítimo ou petrolíferas se sintam suficientemente confiantes para prosseguir. Isso pode atrasas o tráfego de dezenas de navios e de  milhões de barris de petróleo, de acordo com estimativas baseadas nos fluxos pré-guerra. Cada barril exportado do Golfo é crucial, visto que os estoques nas maiores economias do mundo estão caminhando para seus níveis mais baixos desde pelo menos 2003, de acordo com uma análise divulgada na semana passada pela Administração de Informação Energética dos EUA.

Embora o Irã e os EUA tenham ajudado discretamente navios a atravessar o estreito bloqueado nas últimas semanas, autoridades do setor marítimo continuaram a pedir cautela depois do acordo preliminar para encerrar a guerra e reabrir o estreito. “Ainda consideramos muito arriscado para os navios iniciarem as travessias neste momento“, disse Jakob Larsen, diretor de segurança da associação de transporte marítimo BIMCO. “A ameaça de minas na área continua sendo uma preocupação imediata, bem como a longo prazo, e rotas livres de minas precisam ser estabelecidas.”

Não está claro quantas minas o Irã pode ter colocado no estreito, que antes da guerra era responsável por 20% do fornecimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito. O Irã, que tem procurado afirmar seu controle sobre a hidrovia durante a guerra, ameaçou implantar minas navais, sem comentar se suas forças as plantaram ou não. Os EUA indicaram que as minas representam um risco e afirmam ter como alvo barcos iranianos lançadores de minas. Em uma nota, a Marinha alemã, citando informações das marinhas americana e britânica, afirmou que minas estavam localizadas em quatro pontos ao redor do estreito, acrescentando que a Alemanha não pôde verificar a localização exata das minas.

Até mesmo a possibilidade de minas terrestres poderia dissuadir as empresas. Um superpetroleiro e sua carga de petróleo bruto valem cerca de US$ 300 milhões, portanto, seguradoras de risco de guerra, empresas petrolíferas e de transporte marítimo precisariam de garantias de que a passagem é segura antes de tentar atravessar o estreito, disseram representantes do setor de transporte marítimo. “Uma única mina marítima é suficiente para causar fatalidades“, disse Rene Kofod-Olsen(DIREITA), CEO da V.Group, uma das maiores especialistas mundiais em gestão técnica de navios e tripulações, que tem 13 navios presos no Golfo.

Questionado na semana passada sobre quantas minas haviam sido instaladas e suas localizações, um porta-voz do Comando Central (Centcom) das Forças Armadas dos EUA disse que não podia discutir detalhes publicamente por razões de segurança operacional. “Os esforços militares dos EUA para garantir que o Estreito de Ormuz esteja completamente livre de minas marítimas colocadas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã estão em andamento.” O Centro de Segurança Marítima de Omã alertou os navegantes em 30 de maio que transitavam pelo lado omanita do estreito para que tivessem cautela após descrever o avistamento de um “objeto suspeito de ser uma mina flutuante”.

Enquanto o Irã e os EUA negociavam um acordo provisório para interromper a guerra, ambos os lados permitiram que alguns navios saíssem do estreito. O número de navios que atravessam o estreito aumentou para uma média de 12 a 15 embarcações por dia nas últimas semanas, de acordo com dados de navegação que podem ser verificados assim que os navios se tornam visíveis após deixarem o estreito. Mas isso representa uma fração dos 120 a 140 navios que cruzavam a hidrovia diariamente antes da guerra. O comunicado afirmava que as medidas incluiriam vários tipos de minas navais, incluindo minas flutuantes que poderiam ser lançadas da costa.

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