IBP ATACA NOVAMENTE TAXAÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE PETRÓLEO E VÊ REDUNDÂNCIA NA COBRANÇA DO IMPOSTO
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) divulgou hoje (21) dois estudos sobre o comportamento fiscal e o cenário de exportações de petróleo bruto no primeiro semestre de 2026. Os levantamentos apontam que a alta dos preços internacionais do petróleo já amplia de forma significativa a arrecadação pública por meio dos royalties e participações governamentais. Para a entidade, a manutenção da cobrança de 12% do Imposto de Exportação sobre o petróleo é “redundante e prejudicial à competitividade do país”.
“Mudar o instrumento administrativo para manter a cobrança não corrige seus problemas de origem e nem elimina a insegurança jurídica“, afirma Roberto Ardenghy, presidente do IBP. “A arrecadação pública do país com o petróleo já cresce naturalmente quando os preços internacionais sobem ou quando a produção avança. Criar uma nova camada de tributação sobre as vendas externas apenas sobrepõe encargos, deteriora o ambiente de negócios e afasta os investimentos de longo prazo“, acrescentou.
Segundo o IBP, o país distribuiu R$ 36,5 bilhões em royalties entre janeiro e junho, valor 35% superior ao projetado no início do ano. O desempenho foi impulsionado pela valorização do petróleo no mercado internacional, com o preço médio do barril de Brent alcançando US$ 92,56, acima da estimativa inicial de US$ 57,50 da Energy Information Administration (EIA).
Ainda de acordo com a entidade, a valorização do petróleo gerou uma arrecadação adicional de R$ 9,6 bilhões no período. Desse total, a União recebeu R$ 3 bilhões, os estados R$ 2,7 bilhões e os municípios R$ 3,9 bilhões.
O segundo estudo elaborado pelo instituto analisa os efeitos do imposto sobre as exportações de petróleo. Segundo o levantamento, em maio — primeiro mês de vigência da cobrança — os embarques de óleo cru caíram 28,3% em relação a abril, passando de 62,8 milhões para 45 milhões de barris. No mesmo período, a receita com as exportações recuou 23,3%.
Na avaliação do IBP, a redução refletiu a necessidade de as empresas ajustarem estoques, reverem o planejamento logístico e reorganizarem suas operações diante da nova tributação. Embora junho tenha registrado recuperação de 46% no volume exportado, alcançando 65,7 milhões de barris, a entidade avalia que a queda observada em maio evidencia os riscos para a competitividade do petróleo brasileiro no mercado internacional.
“A indústria de petróleo e gás responde por 17% do PIB industrial brasileiro e gera investimentos intensivos de capital com horizontes de décadas“, ressalta Ardenghy. “Medidas fiscais imediatistas de arrecadação reduzem a rentabilidade dos projetos e elevam a incerteza regulatória. No longo prazo, essa perda de competitividade significa menos produção, menos atração de capital estrangeiro e, consequentemente, menor arrecadação pública futura“, concluiu.

publicada em 21 de julho de 2026 às 19:00 




