AO RESPONDER SOBRE GAS RELEASE, MAGDA DIZ QUE “PETROBRÁS NÃO É ONG” E LEVANTA HIPÓTESE DE REVISAR PROJETOS
Poucas horas depois de Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovar a consulta pública sobre o programa Gas Release, a Petrobrás deu o seu recado. “Não somos uma ONG, somos uma empresa, e empresa tem que dar lucro”, disse a presidente da petroleira, Magda Chambriard, durante teleconferência com investidores no início da tarde desta sexta-feira (7).
A executiva declarou que ainda não sabe exatamente qual vai ser o efeito de uma eventual implementação do programa, mas não descarta uma possível revisão de projetos em andamento. “Ainda não sabemos como isso vai terminar, mas o fato é que, independentemente do que aconteça, vamos ter que olhar os projetos à luz de uma possível alteração regulatória. Isso é assim no mundo todo e não vai ser diferente na Petrobrás”, declarou.
O Gas Release nada mais é do que um mecanismo regulatório que obrigaria empresas com elevada participação de mercado a disponibilizar parte de sua oferta para concorrentes. Onde se lê “empresas com elevada participação“, leia-se Petrobrás.
Um “esboço” do programa foi apresentado hoje pela ANP e entrará em consulta pública. Pela proposta, 100% da produção da estatal será preservada. Apenas o gás natural adquirido de outras petroleiras pela estatal na boca do poço, da União e importado da Bolívia via Gasbol será alvo do programa.
Mais tarde, durante entrevista coletiva, o diretor executivo de Transição Energética e Sustentabilidade da empresa, William Nozaki, disse que a Petrobrás vai se pronunciar sobre a proposta no âmbito da própria consulta pública.
“A posição da Petrobrás sobre esse tema já vem sendo externalizada ao longo das últimas semanas: a nossa posição é a de que redistribuir moléculas de gás existentes, transferir meramente titularidades de moléculas de gás, não vai resolver o problema estrutural da necessidade de aumento da oferta de gás e, portanto, não vai reduzir o preço”, declarou.
Nozaki avaliou que, ao longo dos últimos anos, o mercado de gás brasileiro passou por um processo de abertura e desconcentração bastante relevante. Segundo ele, na comercialização do segmento de gás, já tem mais de 31 empresas concorrendo com a Petrobrás, mais de 100 consumidores livres e um conjunto de terminais de regaseificação que, somados, têm capacidade superior à da própria Petrobrás.
“A Petrobrás hoje tem 65 contratos de compra e venda de gás, e terceiros têm mais de 180 contratos. Nesse último período, a molécula vendida pela Petrobrás às distribuidoras sofreu uma redução de 27%. Essa é a leitura que a gente vem fazendo desse cenário”, disse.
Por fim, Nozaki reconheceu que mudanças regulatórias necessariamente levam a necessidades de reavaliações, que serão feitas de maneira muito criteriosa a partir agora da divulgação do texto do Gas Release.

publicada em 7 de agosto de 2026 às 17:00 




