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A ABIQUIM PREVÊ DIAS DIFÍCEIS COM A POSSIBILIDADE DE NOVO TARIFAÇO E PEDE QUE OS PRODUTOS QUÍMICOS SEJAM EXCLUÍDOS DA LISTA

O governo dos Estados Unidos deve anunciar provavelmente na quarta-feira (15) a decisão sobre a aplicação de novas tarifas a exportações brasileiras, com base na investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que apura práticas comerciais consideradas desleais. O governo Lula disse continua as negociações para a reversão do tarifaço mas, ao mesmo tempo, não mandou ninguém para argumentar no fórum determinado para ouvir o que o Brasil tinha a dizer. Mandou apenas funcionários para saber o que o Senador Flavio Bolsonaro tinha a dizer ao pedir o adiamento dessas novas tarifas. Na verdade, o governo Lula não fez nada e parece querer que as empresas brasileiras sejam punidas e ficar parecendo uma vítima perseguida e frágil quando, na verdade, não moveu uma palha para tentar resolver o problema que o próprio governo dele criou.

Hoje (13) a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) solicitou ao Office of the United States Trade Representative (USTR) que os produtos químicos e petroquímicos brasileiros sejam excluídos da proposta de aplicação de tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Em manifestação formal apresentada à USTR, a entidade argumenta que a indústria química brasileira e a americana mantêm uma relação historicamente complementar, marcada por investimentos, comércio e integração produtiva. Segundo a Abiquim, a adoção da medida aumentaria os custos da indústria dos EUA, pressionaria preços ao consumidor e reduziria a competitividade de diversos segmentos industriais americanos que dependem de insumos produzidos no Brasil.

“A relação comercial do setor químico demonstra claramente que os EUA já possuem uma posição amplamente favorável. Em 2025, exportaram cerca de US$ 11,5 bilhões em produtos químicos para o Brasil, enquanto as exportações brasileiras para o mercado americano somaram aproximadamente US$ 2,1 bilhões. Estamos falando de um superávit de US$ 9,4 bilhões para os Estados Unidos. Por isso, entendemos que a adoção de tarifas adicionais não encontra justificativa sob a ótica da complementaridade existente entre as duas indústrias“, afirmou André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim. Segundo o executivo, outro aspecto importante é que a medida dificilmente alcançaria o objetivo de fortalecer a produção americana. “Os dados mostram que, para 91,8% dos produtos brasileiros potencialmente atingidos, a China já atua como fornecedora do mercado norte-americano. Na prática, restringir o acesso dos produtos brasileiros tende a abrir espaço para fornecedores de outros países, especialmente da Ásia, e não necessariamente para a indústria dos próprios EUA.

O próprio presidente Trump vai fazer o anúncio na quarta-feira

A manifestação apresentada pela Abiquim destaca ainda que produtos químicos brasileiros são utilizados como insumos por diversos segmentos industriais dos EUA, como os setores de embalagens, saúde, higiene, construção civil, agricultura e indústria automotiva. Dessa forma, a aplicação de tarifas tende a elevar custos ao longo das cadeias produtivas e reduzir a competitividade da própria indústria americana. Além da exclusão dos produtos químicos da proposta de tarifa de 25%, a associação também solicita que o setor seja retirado da investigação paralela relacionada a alegações de trabalho forçado. Adicionalmente, a entidade defende a concessão de exclusões específicas para produtos considerados estratégicos para as cadeias produtivas norte-americanas.

Como alternativa ao aumento de barreiras comerciais, a Abiquim defende o aprofundamento da cooperação bilateral por meio de uma agenda voltada à facilitação do comércio, à convergência regulatória, à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, à modernização dos processos de comércio exterior e ao fortalecimento das cadeias produtivas. “A parceria entre Brasil e EUA foi construída ao longo de décadas com base na integração industrial, nos investimentos e na confiança entre os dois países. Preservar esse ambiente de cooperação é fundamental para ampliar a competitividade, estimular novos investimentos e fortalecer cadeias produtivas que geram benefícios para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os lados“, conclui André Passos Cordeiro.

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