A PRESSÃO DOS ESTADOS UNIDOS MOSTRA A REALIDADE DO SOCIALISMO CUBANO QUE PARECE VOLTAR AO TEMPO DA IDADE DA PEDRA
O povo cubano está experimentando, na prática, o que era viver nas Eras Mesozoica, Paleolítica e da Pedra Lascada. Com o aperto cada vez mais intenso do bloqueio petrolífero imposto pelos EUA, o país está vivendo as consequências de 67 anos de planejamento estatal sufocante, violento, com a sua economia em colapso. A ilha está racionando combustível, adotando a semana de trabalho de quatro dias, impondo apagões e suspendendo o reabastecimento de aeronaves para voos internacionais, sem gás, usando madeira para cozinhar o que ainda resta de alimentos no país, sem energia, sem água, sem atendimento médico, sem hospitais, arrancando portas e janelas para cozinharem e se aquecerem do frio no hemisfério norte e com toneladas de lixo espalhadas pela cidade. Um caos quase total., Apenas as forças armadas e a cúpula do poder da ditadura podem usufruir de combustíveis para locomoção.
A arrogância dos líderes da ditadura só é superada pelo próprio caos. A crise é “uma oportunidade e um desafio que, sem dúvida, superaremos”, disse o vice-
primeiro-ministro da ilha, Oscar Pérez-Oliva Fraga(direita), sobrinho-neto de Fidel e Raúl Castro. “Não vamos entrar em colapso.” De forma absurda, os colegas de Fraga falam em acelerar a transição para fontes de energia renováveis. O ocaso do socialismo cubano se traduz em ver os líderes idosos de Cuba (aos 94 anos, Raúl ainda exerce poder de veto sobre as políticas) se recusarem a alterar um modelo revolucionário de socialismo desacreditado. É como ver alguém afirmar que é um craque no futebol por ter visto pela televisão Pelé, Ronaldinho Gaúcho e Zico jogarem pelos seus clubes.
Michael Bustamante(esquerda), chefe do Departamento de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami, afirma que Havana “perdeu todas as oportunidades” para melhorar a economia e aliviar o sofrimento de seus 10 milhões de habitantes. A ordem pública está em colapso. “Crianças que antes teriam que responder à polícia se fossem vistas nas ruas durante o horário escolar agora aproveitam o tempo para pedir esmola”. O número de pessoas buscando algo nos lixos acumulados que lhes possa render alguma coisa, provoca uma tristeza profunda, mas não sensibiliza os líderes da ditadura que ainda comandam com mão de ferro, sando a violência e as ameaças de prisão para quem reclama do desgoverno.
A História nos ensina e só não aprende quem quer se locupletar ou tem sede de poder. Os exemplos estiveram e ainda estão em
vários países: Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Coréia do Norte, Alemanha Oriental e todos os países da “cortina de ferro.” Existem dois modelos para a transição do socialismo para uma economia de mercado. O primeiro modelo é representado pela Polônia, onde, em 1989 e 1990, o sistema político e econômico do socialismo entrou em colapso e foi substituído por uma sociedade democrática e baseada no mercado. Desde então, a Polônia se tornou campeã de crescimento na Europa, superando nações como Alemanha, França e Reino Unido.
Esse modelo é atualmente inconcebível para os ditadores de Cuba. Mas existe um modelo mais realista. O Vietnã, uma nação de 100 milhões de pessoas, iniciou reformas orientadas para o mercado no final da década de 1980, com o colapso do comunismo na Europa. Mas o sistema político de partido único permaneceu em vigor. Quando o
Vietnã adotou suas políticas de “Doi Moi” (“Renovação”), era o país mais pobre do mundo, com um PIB per capita de US$ 98, atrás apenas da Somália. Assim como Cuba hoje, sua economia estava em frangalhos. Durante a Guerra do Vietnã, que
terminou em 1975, o país foi atingido por até 15 milhões de toneladas de bombas — dez vezes mais do que as lançadas sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial — e tinha milhões de órfãos e inválidos de guerra para alimentar.
Até 1993, 80% dos vietnamitas viviam na pobreza. Em 2006, essa taxa havia caído para 51%. Hoje, é de apenas 3%. O Vietnã é hoje um dos países mais dinâmicos do mundo, com uma economia vibrante que cria grandes oportunidades para pessoas trabalhadoras e empreendedores. Outrora um país que, antes das reformas de mercado, não conseguia produzir arroz suficiente para alimentar a sua própria população, tornou-se agora um dos maiores exportadores de arroz do mundo, além de ser também um importante exportador de eletrônicos, à medida que as empresas reduzem a produção na China.
Para o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, o Vietnã obteve mais pontos do que qualquer outro país de tamanho comparável. Além disso,
enquanto o Vietnã conseguiu aumentar sua pontuação em 24 pontos entre 1995 e 2024, os Estados Unidos perderam 6 pontos no mesmo período. O Vietnã se autodenomina oficialmente socialista, mas sua atual classificação de liberdade econômica, de 65, é superior às médias asiáticas e mundiais. Ninguém sugere que o Vietnã seja um país livre. A mídia é controlada pelo Estado e não há eleições livres. Empresas estatais geram até 20% do PIB e operam em condições altamente preferenciais. Mas não há qualquer tentativa de impor o pensamento socialista. Até mesmo acadêmicos do governo justificam a desigualdade e explicam que ela não é o mesmo que injustiça. As pessoas aceitam a desigualdade porque tiveram suas próprias experiências negativas vivendo em uma sociedade que proclamava a igualdade entre todos.
As pesquisas de opinião pública comprovam isso. De 2021 a 2023, o instituto de pesquisas Ipsos MORI realizou uma pesquisa em 35 países para descobrir o que as pessoas em diferentes países pensam sobre o capitalismo. Na maioria dos países, as atitudes negativas em relação ao capitalismo predominaram. No Vietnã, por outro lado, as pessoas associaram o “capitalismo” a características positivas, como “progresso” (81%), “inovação” (80%), “uma ampla gama de produtos” (77%), “prosperidade” (74%) e “liberdade” (71%).
Apesar do sucesso econômico do Vietnã, os líderes geriátricos de Cuba claramente suspeitam que não seriam capazes de replicar o sucesso dos líderes vietnamitas na manutenção de um Estado socialista de partido único. Eles claramente carecem de autoconfiança em suas habilidades ou de disposição para assumir riscos. O problema é que o secretário de Estado Marco Rubio, filho de exilados cubanos em Miami, deixou claro que Cuba precisa conceder mais liberdade econômica e política se quiser aliviar a pressão cada vez maior de Washington: “Não sabem como melhorar o dia a dia de seu povo sem abrir mão do poder sobre os setores que controlam”. Ele prosseguiu observando que a série de medidas tímidas que Cuba ocasionalmente toma para incentivar o desenvolvimento “nunca acaba funcionando”. Isso porque “o regime cubano não tem uma compreensão fundamental de como funcionam os negócios e a indústria, e o povo está sofrendo como resultado disso”.
Por enquanto, há um impasse. Os EUA e seus aliados enviarão apenas a ajuda humanitária necessária para evitar a fome e uma saída caótica da população do país,
entregando as doações para a Igreja Católica distribuir e não a própria ditadura. A expectativa é que a escassez de combustível force Cuba a implementar reformas reais. Em resposta, autoridades cubanas afirmam estar abertas ao diálogo para melhorar as relações, mas qualquer discussão sobre a mudança do regime comunista de partido único está fora de questão. Contudo, mesmo acadêmicos de esquerda que escreveram com admiração sobre como a revolução cubana sobreviveu ao embargo imposto pelos EUA sob o governo do presidente John Kennedy( a direita, com Fidel Castro) em 1962, estão convencidos, em particular, de que a crise atual é diferente.
Em 1989, o líder da Alemanha Oriental, Erich Honecker, disse ao então líder soviético Mikhail Gorbachev que seu regime resistiria às reformas. Gorbachev recordou mais tarde: “Fiquei horrorizado. Conversei com ele por três horas. E ele insistia em me convencer das maravilhosas conquistas da Alemanha Oriental”. Em seguida, Gorbachev discursou para o Politburo de Honecker e os advertiu: “Se ficarmos para trás, a vida nos punirá imediatamente”. O Muro de Berlim caiu no mês seguinte(esquerda).
O Presidente Donald Trump listou alguns dos impactos do bloqueio imposto desde a prisão do ditador sanguinário e
usurpador Nicolás Maduro, preso em Nova Iorque acusado de ser o líder do narcotráfico venezuelano. “Eles nem sequer têm combustível para os aviões decolarem. Estão bloqueando a pista. Estamos conversando com Cuba neste momento e eles definitivamente deveriam fazer um acordo, porque é uma verdadeira ameaça humanitária. Há um embargo, não há petróleo, não há dinheiro, não há nada.”
Carlos de Cossio(esquerda), vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, destacou que tem sido “ frequente para autoridades e diplomatas dos EUA afirmarem que a agressão americana não é responsável pelas dificuldades em Cuba, já
que o embargo comercial mantido pelos EUA há mais de seis décadas impede que medicamentos, alimentos e outros auxílios humanitários cheguem aos cubanos”. É o socialismo reclamando que o capitalismo não lhe dá assistência.
O lixo está espalhado por todas as cidades. Doas 106 caminhões de coleta de lixo de Havana, por exemplo, apenas 19 tinham combustível para trabalhar. Mesmo assim, racionados. O odor é fétido. Ratos aparecem por todo lado. Os riscos à saúde pública aumentaram consideravelmente. A falta de combustível causam apagões em cidades e nas áreas rurais. Falta água, alimentos, atendimentos nos hospitais, não há gás para cozinhar. O país está voltando aos poucos à idade da pedra. Ao mesmo tempo em que demonstrava preocupação com a população cubana, Trump descreveu como ele e o secretário de Estado, Marco Rubio, estão supervisionando o cerco contra a ditadura Cubana. Rubio disse que se os líderes da ditadura cubana quiserem um alívio nas pressões,
precisar dar liberdade econômica e política ao povo. E, mesmo enfrentando todas estas dificuldades, quem reclama, é preso pelo aparelho policial estatal.
Trump reiterou sua exigência de que as autoridades cubanas “cheguem a um acordo.” O ditador Miguel Diaz-Canel(direita), disse que só negocia com os Estados Unidos no mesmo patamar. Como todos os ditadores, a arrogância impede que ele sinta o que o povo está vivendo. Enquanto não faltar algo para a cúpula do poder cubano, esta visão se manterá. Um repórter perguntou ao presidente se ele consideraria “uma operação como a da Venezuela”, onde as forças americanas prenderam o ex-ditador Nicolás Maduro e a esposa dele numa operação militar cinematográfica. Trump não confirmou nem negou se tomaria medidas militares em Cuba,
mas fez uma ameaça velada: “Não seria uma operação muito difícil, como vocês podem imaginar.”
Artistas cubanos, que vivem de subsídios do governo, a exemplo do que acontece no Brasil, foram instados a escrever uma carta de apoio à ditadura castristas e fizeram um apelo assinaram um apelo internacional contra o bloqueio: “O império afirma que Cuba representa uma ameaça à sua segurança nacional, o que é ridículo e implausível. Impôs um bloqueio petrolífero, resultando na paralisação de hospitais, escolas, indústrias e transportes. Tentam impedir que nossos médicos salvem vidas; tentam paralisar nosso sistema de educação gratuito e universal, mergulhar-nos na fome, na falta de energia para garantir o acesso à água potável e ao preparo de alimentos; em suma, pretendem extinguir lenta e sangrentamente um país”, diz a carta aberta.

publicada em 18 de fevereiro de 2026 às 12:32 










