FRANÇA PUBLICA NOVO PLANEJAMENTO ENERGÉTICO COM META DE CONSTRUIR MAIS SEIS REATORES
O governo da França publicou o terceiro Programa Plurianual de Energia (PPE3), que estabelece a estratégia energética do país para enfrentar os desafios de consumo e produção no período de 2026 a 2035. O plano deu um destaque especial para a energia nuclear, ao indicar a construção de seis novos reatores e a extensão da vida útil da operação da atual frota nuclear. O PPE3 tem como meta elevar a produção de eletricidade descarbonizada para um intervalo entre 650 e 693 TWh em 2035, ante 458 TWh em 2023, ao mesmo tempo em que reduz o consumo de combustíveis fósseis para cerca de 330 TWh em 2035, frente a 900 TWh em 2023.
A versão mais recente do PPE fixa uma meta de produção nuclear entre 380 e 420 TWh por ano no período de 2030 a 2035, acima da faixa anterior de 360 a 400 TWh, alinhada à meta da EDF de alcançar 400 TWh. A guinada da França em direção da energia nuclear não é de agora. Em fevereiro de 2022, o presidente Emmanuel Macron declarou que era o momento de um “renascimento nuclear” no país, defendendo a extensão da operação de todos os reatores existentes sem comprometer a segurança e anunciando um programa para seis novos reatores do tipo EPR2, com opção para a construção de outros oito no futuro.
O PPE3 formaliza essas ambições ao prever: a extensão da vida útil dos reatores atuais para 50 ou até 60 anos, condicionada aos requisitos de segurança; a construção de seis reatores EPR2; a possibilidade de decidir, já em 2026, pelo lançamento da construção de oito EPR2 adicionais; o início da construção de um primeiro pequeno reator modular (SMR) no começo da década de 2030; e a modernização das etapas finais do ciclo do combustível nuclear. O novo plano também abandona formalmente a meta anterior do PPE2 de fechar 14 reatores, incluindo as duas unidades da usina de Fessenheim.
“Alinhado à Estratégia Nacional de Baixo Carbono, aos compromissos europeus e ao Acordo de Paris, o PPE3 constitui um plano ambicioso, realista e adaptável para construir um sistema energético soberano, descarbonizado e competitivo”, afirmou o governo. O Executivo destacou ainda que a implementação do PPE3 deverá gerar mais de 120 mil empregos adicionais até 2030, especialmente nos setores nuclear, solar fotovoltaico e eólico offshore. O plano também contribuirá para reduzir a dependência das importações de combustíveis fósseis, que atualmente representam quase 60 bilhões de euros (US$ 71 bilhões) por ano.
PLANOS PARA ENERGIA DAS MARÉS
O PPE também aposta em novas energias e prevê a realização de licitações comerciais para contratar 250 MW de capacidade de energia a partir das marés até 2030. De acordo com a associação Ocean Energy Europe, a União Europeia já vinha apoiando a indústria por meio de programas como Horizon Europe e Innovation Fund. No entanto, o apoio nacional era o elemento que faltava no quebra-cabeça do financiamento. A realização de leilões em larga escala deve garantir previsibilidade de retorno aos investidores, que aguardavam um sinal claro de mercado.
Segundo a entidade, projetos nessa escala devem impulsionar a manufatura em série, a padronização tecnológica e, consequentemente, a redução de custos. “O governo francês finalmente confirmou sua intenção de desenvolver uma indústria de energia maremotriz ‘Made in France’ e na Europa. O sinal aos investidores é muito claro: há uma nova tecnologia renovável na qual agora é possível investir”, afirmou Rémi Gruet (foto à esquerda), CEO da Ocean Energy Europe.
“Isso beneficiará toda a cadeia de valor, de produtores de energia a órgãos públicos e consumidores. Esperamos trabalhar com o setor e com as autoridades nacionais para que essa industrialização seja tão bem-sucedida quanto a da eólica offshore ou da solar fotovoltaica”, acrescentou.

publicada em 18 de fevereiro de 2026 às 11:00 





