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ABDAN REÚNE INDÚSTRIA E AUTORIDADES NO RIO EM MEIO AO RENASCIMENTO DA NUCLEAR NO PLANEJAMENTO ENERGÉTICO DO BRASIL

Chegou a semana do principal evento do calendário da indústria nuclear brasileira. Hoje (23) e amanhã (24), a Casa Firjan, no Rio de Janeiro, será palco do Nuclear Summit 2026, que reunirá representantes do governo, da indústria, da academia, investidores e especialistas do Brasil e do exterior. O encontro, organizado pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), acontece em um momento que pode representar um ponto de virada no setor do Brasil. O Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, lançado recentemente e ainda em consulta pública, elevou a projeção da nuclear no país de 8 GW para 14 GW. Embora ainda seja apenas um número no papel, o gesto de sinalizar a ampliação da fonte no planejamento de longo prazo é um reconhecimento da importância da nuclear na matriz elétrica brasileira.

O Nuclear Summit se consolida como o principal espaço de diálogo qualificado sobre o futuro da energia nuclear no Brasil. Em um momento em que o mundo acelera investimentos em tecnologias nucleares para garantir segurança energética e descarbonização, o evento reúne os atores certos para discutir caminhos concretos para o país avançar com responsabilidade, inovação e visão de longo prazo”, disse o presidente da ABDAN, Celso Cunha.

Celso Cunha, presidente da ABDAN

A programação deste primeiro dia do Nuclear Summit incluirá debates sobre a energia nuclear no novo cenário geopolítico, abordando o papel da fonte na segurança energética, especialmente diante de conflitos internacionais e da necessidade de diversificação das matrizes. A discussão deve tratar da ampliação da participação nuclear como alternativa estável e de baixa emissão, além dos impactos de políticas energéticas adotadas por diferentes países.

Outro painel do evento vai abordar as novas fronteiras tecnológicas no tratamento do câncer, destacando o uso de aplicações nucleares na medicina, com foco em avanços em radioterapia, radiofármacos e diagnóstico por imagem. O painel deve tratar ainda da ampliação do acesso a essas tecnologias e o desenvolvimento de infraestrutura no país.

Haverá ainda um painel sobre oportunidades na expansão da produção de urânio e combustível nuclear, abordando o potencial brasileiro na cadeia do combustível, incluindo exploração, beneficiamento e enriquecimento. A discussão deve envolver perspectivas de investimento, desafios regulatórios e o papel do país no fornecimento global desses insumos.

NUCLEAR E PETRÓLEO

Para além de um debate restrito ao setor nuclear, a edição deste ano também dialoga com o setor de óleo e gás. Um dos painéis mais aguardados do dia vai discutir estratégias para uma indústria petrolífera de baixas emissões. A proposta é analisar caminhos para reduzir a intensidade de carbono nas operações de óleo e gás. Devem entrar na pauta temas como eletrificação de ativos e integração com outras fontes de energia, incluindo a nuclear.

Entre os debatedores, estão o gerente executivo de projetos estruturantes da Petrobrás, Wagner Victer; o secretário naval de segurança nuclear e qualidade da Marinha, Almirante Petrônio Aguiar; a consultora técnica na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Regina Fernandes; e o gerente em eficiência energética da Constellation, Douglas Rosa.

No ano passado, durante a Rio Innovation Week, a Petrobrás chegou a declarar que estuda o uso de energia nuclear como alternativa para descarbonizar suas operações marítimas de produção de petróleo. Ainda em estágio inicial, a proposta considera os chamados pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês). Esse tipo de reator, com menor custo e prazo de implantação, poderia ser utilizado para gerar energia tanto em plataformas quanto em embarcações de apoio.

Outro tema de interesse para a indústria de óleo e gás diz respeito ao chamado NORM (materiais radioativos de ocorrência natural). O assunto também será tema de um dos painéis do evento, com discussões sobre soluções para monitoramento, armazenamento e destinação desses materiais, além de práticas adotadas pelo setor.

Com foco em transição energética, inovação tecnológica, segurança, cadeia produtiva e novas aplicações da tecnologia nuclear, o Nuclear Summit 2026 será a maior edição já realizada. O evento conta com o apoio e patrocínio de empresas da cadeia nuclear e energética, como Framatome, Westinghouse, AMAZUL, Diamante, Âmbar, Rosatom, MPE, Atech, GLP, OEC, Fundação Patria, CMR, ENBPar, Tractebel, Andrade & Gutierrez, LZA, Nuclep, Clínica Vilela Pedras e Brasil Inspec, reforçando o caráter internacional e multissetorial do encontro.

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