NOVO APAGÃO GERAL EM TODO PAÍS REVELA AGRAVAMENTO DA CRISE EM CUBA E O AUMENTO DA PRESSÃO SOCIAL POR MUDANÇA DO REGIME COMUNISTA DA ILHA
Manifestações de insatisfação em várias cidades do país apontam para uma escalada do conflito, com um aumento dos protestos e a possibilidade de uma mobilização nacional coordenada. A atual desestruturação da sociedade cubana não pode ser entendida como uma sucessão de episódios isolados de descontentamento, mas sim como a manifestação de uma crise estrutural que combina deterioração material, isolamento político e controle social sistemático. A interação desses fatores não só deteriora as condições de vida da população, como também coloca o país em um ponto de inflexão, onde o risco de distúrbios sociais em larga escala é cada vez maior.
Um novo apagão generalizado atingiu o país neste sábado (21), segundo o Ministério de Energia da ilha. É o segundo corte nacional em menos de uma semana. Os prédios começaram a perder fornecimento em Havana ao entardecer, pouco antes das 18h30 no horário local, apenas cinco dias depois de o primeiro apagão deixar o país no escuro O ministério informou, em publicação no X, que ocorreu uma “desconexão total” do sistema elétrico nacional e que já começaram os trabalhos para restabelecer
o serviço. O Governo cubano fala em “circunstâncias muito complexas” ao tentar restabelecer o serviço através de microssistemas que fornecem energia apenas a hospitais e setores estratégicos. Uma avaria relacionada com a interrupção repentina de uma unidade na central termoelétrica de Nuevitas, em Camagüey, foi a causa de uma nova falha total do Sistema Nacional de Energia Elétrica (SEN) , de acordo com informações oficiais preliminares. O primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz disse em suas redes sociais que, “após o desligamento da SEN, os protocolos estabelecidos para seu restabelecimento foram imediatamente implementados, em meio a circunstâncias muito complexas. Nossos eletricistas têm capacidade para superar essa situação.”
Essa deterioração material é agravada por um profundo cansaço político, que consolidou uma percepção generalizada da ineficácia do Estado como meio de transformação. O resultado é uma cidadania que oscila entre o isolamento e o acúmulo de descontentamento que não encontra canais legais para se expressar. Um sinal de que uma crise ainda maior está se formando: quando a ordem jurídica não oferece mecanismos reais para canalizar as demandas sociais, o conflito tende a se deslocar para formas extra institucionais, muitas vezes imprevisíveis.
REPRESSÃO COMO ARMA PERMANENTE
O regime sanguinário Castrista, agora liderado por Miguel Dias-Canel, SANGUINÁRIO CASTRISTA, AGORA LIDERADO POR Miguel Dias-Canel se resume em controle, prisões e Intimidações sem acusações formais, interrogatórios, vigilância, restrições ao acesso à internet e pressão indireta, que fazem parte de a arquitetura coercitiva e eficaz para conter a mobilização aberta. Contudo, esse tipo de controle não elimina o descontentamento. Pelo contrário, fragmenta e acumula insatifações. Ao mesmo tempo, essas ações alimentam ainda mais a lenta ebulição de uma explosão social, já que o medo da repressão, embora ainda presente, tende a diminuir entre os cubanos.
Os recentes acontecimentos em Morón, ilustram claramente essa mudança de dinâmica. O que começou como um protesto
contra os cortes e a escassez de energia elétrica escalou para um confronto direto, incluindo o incêndio da sede do Partido Comunista e confrontos com as forças de segurança. A resposta do Estado incluiu prisões e restrições ao acesso à internet, levantando questões jurídicas sobre o uso da força e a limitação de direitos no contexto de protestos sociais. Além da sua dimensão local, o caso Morón revela uma transformação qualitativa: uma redução no limiar da tolerância social. Quando setores da população passam da mera reclamação ao confronto simbólico e físico com os detentores do poder, torna-se evidente uma ruptura nos mecanismos tradicionais de controlo. Estes tipos de eventos, embora ainda não constituam uma mobilização nacional coordenada, prenunciam a possibilidade de cenários mais amplos caso não sejam implementadas respostas estruturais.
ESCALADA DE CONFLITOS
A persistência do modelo atual aponta para uma evolução previsível do conflito. A combinação de insegurança material, ausência de canais institucionais e controle coercitivo fomenta distúrbios sociais cada vez mais frequentes e intensos. As manifestações, inicialmente locais, podem adquirir dimensões regionais ou nacionais, especialmente em um contexto onde redes informais de comunicação permitem respostas mais rápidas e coordenadas. Do ponto de vista jurídico, esse cenário apresenta riscos significativos. Uma resposta estatal baseada na repressão levaria a violações ainda maiores dos direitos humanos, desencadeando não apenas a responsabilização interna, mas também a possibilidade de escrutínio e pressão internacional.
As evidências acumuladas indicam que a sociedade cubana está passando por uma transformação na qual o medo está
perdendo sua eficácia como mecanismo de controle, enquanto cresce a percepção de que a mudança política é uma condição necessária para a sobrevivência. Essa mudança na consciência social reduz a margem de manobra do poder e aumenta a probabilidade de cenários de ruptura. O governo cubano está se aproximando de um ponto crítico em que a continuidade do modelo atual não garante a estabilidade, mas, ao contrário, alimenta as condições para uma escalada do conflito. A combinação de crise estrutural, fechamento institucional e repressão preventiva cria um ambiente no qual a agitação social deixa de ser uma hipótese remota e se torna uma possibilidade concreta. Nesse contexto, a urgência de uma mudança radical responde não apenas a uma demanda política, mas também à necessidade de restabelecer um quadro jurídico capaz de sustentar a convivência social e evitar um desfecho mais grave.
UM GOVERNO SEM RUMO
O líder cubano, Miguel Dias-Canel, continua acusando os Estados Unidos por tudo, embora veja que eles são a solução para os problemas internos. Ele diz que ” a pressão de Washington sobre os governos da região é brutal” e denunciou que vários países cederam a essa pressão, acusando-os de “se subordinarem vergonhosamente às ordens de isolar Cuba” e até mesmo de “lamberem as botas dos representantes do império.” O governante aludiu à deterioração das relações diplomáticas com o Equador e a Costa Rica, bem como à saída de missões médicas cubanas de países como Jamaica, Guatemala e Honduras, um dos pilares da receita do Estado cubano, o mesmo que acontecia com o Brasil, que pagava uma fortuna para o governo cubano e um salário quase escravizante para os profissionais que eram
enviados para cá. Em seu discurso, Díaz-Canel também criticou duramente o cenário político regional e o recente encontro em Miami do chamado Escudo das Américas onde, segundo ele, líderes de direita se alinharam ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Em contrapartida, Díaz-Canel elogiou o apoio que seu regime recebe de seus aliados internacionalmente e destacou o papel do México e de sua presidente, Claudia Sheinbaum, agradecendo-lhe pelo “apoio que ela tem dado a Havana durante todo esse tempo”. Díaz-Canel também defendeu o modelo político cubano e rejeitou a alegação de Washington de que o país representa uma ameaça. ” Os cubanos não atacaram ninguém “, afirmou, antes de destacar o envio de médicos e os programas de alfabetização como prova da natureza “solidária” do sistema.

publicada em 22 de março de 2026 às 15:00 




