ARMOR ENERGIA FAZ NOVOS INVESTIMENTOS EM IA E AMPLIA PARCERIAS DE OLHO NA ABERTURA DO MERCADO LIVRE
A abertura do mercado livre de energia para os consumidores do Grupo B está levando a Armor Energia a acelerar investimentos em tecnologia e ampliar sua estratégia de parcerias. Com a perspectiva de entrada de dezenas de milhões de novos consumidores no ambiente de contratação livre, a empresa aposta na inteligência artificial para analisar diferentes perfis de consumo, desenvolver mecanismos de precificação personalizados e oferecer soluções compatíveis com a realidade de pequenos comércios e residências. Em entrevista ao Petronotícias, o diretor de Comercialização da Armor Energia, Fred Menezes, afirma que a tecnologia será fundamental para lidar com a escala desse novo mercado sem elevar os custos de gestão para o consumidor.
Além dos investimentos em IA e desenvolvimento comercial, a companhia trabalha na formação de parcerias estratégicas para construir um ecossistema mais amplo de serviços em torno do fornecimento de energia. A estratégia ocorre em um momento de profundas transformações no setor, com a previsão de abertura do mercado livre para o Grupo B comercial em 2027 e para a totalidade dos consumidores até o fim de 2028. Para Menezes, a combinação entre tecnologia, personalização e novos serviços será determinante para atender a diversidade de perfis que chegará ao mercado.
Para contextualizar nossos leitores, poderia fazer um balanço geral desses quatro primeiros anos de atuação da Armor Energia no mercado, destacando os principais marcos e explicando como a empresa surgiu?
A empresa surgiu justamente em um momento em que se abriu uma janela de oportunidade muito interessante para investimentos em energia solar no país. Na virada de 2022 para 2023, houve uma mudança regulatória que estabeleceu um benefício tarifário considerável para as usinas solares implantadas anteriormente. Diante desse cenário, estruturamos a comercializadora com o objetivo de investir em energia solar, oferecendo descontos aos consumidores por meio da energia injetada na rede e, paralelamente, atuando no Mercado Livre de Energia.
Nosso principal objetivo sempre foi proporcionar o maior desconto possível ao cliente, tanto no mercado cativo — por meio das usinas solares — quanto no mercado livre, a partir de uma gestão eficiente dos riscos associados ao portfólio energético.
Dado esse contexto geral da atuação de vocês, vamos falar um pouco sobre este novo momento. Veio a Lei 15.009, e gostaria de saber quais são as expectativas da empresa. Como você avalia, de forma geral, o que foi estabelecido por esse novo marco legal?
Estamos muito otimistas, embora consideremos o cronograma estabelecido bastante agressivo, até mais do que imaginávamos. A abertura do mercado livre para o Grupo B comercial está prevista para o fim de 2027 e, para a totalidade dos consumidores, para o fim de 2028. Diante de tudo o que ainda precisa ser viabilizado, será um processo desafiador.
O país já teve uma dimensão desse desafio com a abertura do Grupo A, entre 2024 e 2025, quando a base passou de algumas dezenas de milhares para cerca de 200 mil CNPJs. Esse movimento exigiu uma ampla reorganização regulatória e operacional, incluindo a criação da figura da comercializadora varejista. No caso do Grupo B, a escala será muito maior: sairemos da ordem de milhares de consumidores para dezenas de milhões, ampliando o mercado potencial em pelo menos 50 vezes e alcançando a outra metade do consumo de energia do país.
Por isso, embora vejamos com muito bons olhos os prazos de 2027 e 2028, ainda há questões fundamentais a serem equacionadas pelo regulador, como o papel do supridor de última instância, as garantias exigidas, o custo da energia desse garantidor e as regras operacionais para a migração. Também será necessário definir aspectos como o desligamento da distribuidora, a transição para a comercializadora, as condições para um eventual retorno ao mercado cativo e o modelo de faturamento.
Como a empresa está se preparando, em termos de estrutura e tecnologia, para atender a essa expressiva demanda e à avalanche de novos negócios que se aproxima?
Houve uma feliz coincidência de timing do ponto de vista tecnológico. Ao mesmo tempo em que nos preparamos para essa enxurrada de novos clientes, vivenciamos uma fase de forte evolução das tecnologias de inteligência artificial. No Grupo B, será necessário trabalhar com perfis e estratégias altamente individualizados por segmento, já que os padrões de consumo variam significativamente entre residências, pequenos comércios, restaurantes e outros estabelecimentos.
Essa diferenciação se tornou ainda mais importante porque o preço da energia passou a ser considerado hora a hora. Como há grande oferta de geração solar durante o dia, os preços tendem a ser mais baixos nesse período, enquanto podem subir com o aumento da demanda após o pôr do sol. Portanto, entender o perfil de consumo de cada cliente será fundamental para a composição de uma estratégia adequada.
Atender a essa diversidade de perfis seria inviável apenas com análises manuais, que tenderiam a recorrer a médias estatísticas genéricas. A inteligência artificial nos permite desenvolver mecanismos de precificação personalizados a um custo operacional muito menor. Esse é um dos grandes desafios do Grupo B: como o valor individual da conta de luz é mais baixo, não é possível cobrar taxas elevadas de gestão. A tecnologia permite, justamente, oferecer um produto personalizado e acessível para esse consumidor.
Estamos investindo expressivamente nessa frente. Uma parcela muito significativa do nosso orçamento é destinada ao desenvolvimento tecnológico e comercial; diria que são os nossos maiores custos atualmente. Trata-se de uma prioridade estratégica, e a inteligência artificial é perfeita para o tratamento de big data, que é exatamente a ferramenta necessária para esse volume de operações.
Falando sobre a adaptação do cliente a esse novo ambiente, como a Armor pretende simplificar a linguagem e facilitar o entendimento do consumidor, sobretudo o residencial? Afinal, a liberdade de escolha será uma experiência inédita para muitos brasileiros, exigindo compreensão sobre aspectos como horários e perfis de consumo.
Isso exigirá um esforço expressivo do nosso time de marketing para construirmos uma comunicação extremamente clara e didática. O setor de energia utiliza uma linguagem muito técnica, que pode afastar o leitor. Basta mencionar termos como “megawatt” para perder a atenção de boa parte das pessoas. O desafio será manter uma abordagem interessante e acessível, sem sobrecarregar o cliente.
O próprio órgão regulador inclui a instrução da sociedade entre suas metas para a abertura do mercado, justamente por se tratar de um tema denso e repleto de siglas. Embora possa causar uma reação inicial de rejeição, a dinâmica, em si, não é um bicho de sete cabeças: trata-se de escolher o momento da contratação, comparar preços e entender o consumo em quilowatts-hora ou megawatts-hora, além de quanto será pago por isso.
No entanto, termos técnicos como “TUSD” e determinadas métricas de consumo não interessam ao consumidor comum. Por isso, precisaremos adotar uma linguagem leve, quase lúdica, que permita ao cliente compreender o processo de forma clara e assertiva.
Em termos de ganhos práticos para esse consumidor do Grupo B — primeiramente os comércios e, em seguida, as residências —, o que se pode esperar em termos de redução de custos e otimização?
O consumidor que possui flexibilidade operacional para gerenciar seus horários de uso já parte em ampla vantagem no mercado livre, pois consegue direcionar sua demanda para os períodos em que a energia é mais barata. Da mesma forma, aqueles cujo perfil de consumo já se concentra naturalmente nos horários de menor preço também são beneficiados de imediato, como no caso das igrejas e dos hotéis que concentram suas atividades nos finais de semana.
Além do perfil de consumo, a migração pode ser vantajosa dependendo da localização e do momento do mercado. Existem regiões onde as tarifas praticadas pela distribuidora local estão significativamente acima dos preços da energia no mercado livre, tornando a transição atrativa desde o primeiro dia.
Para finalizar a nossa conversa, quais são os próximos passos, as perspectivas de crescimento e as novidades da Armor Energia para este ano e para o próximo?
O grande foco da Armor tem sido oferecer a melhor experiência ao cliente, em um setor que passa por transformações extremamente rápidas — inclusive para quem já atua no mercado livre. Precisamos atender com excelência tanto a nossa base atual quanto os novos consumidores que chegarão.
Por analogia, a comercializadora funciona como um posto de serviços: a energia elétrica é o produto principal, o combustível, mas o cliente busca uma solução completa. Assim como quem para em um posto de combustíveis valoriza o atendimento do frentista, a verificação do óleo, a calibragem dos pneus e a conveniência da loja, o consumidor de energia também possui diversas necessidades que vão além do produto principal.
A energia é o coração do negócio, mas existem várias demandas correlatas que precisam ser atendidas. Na Armor, estamos firmando grandes parcerias estratégicas para construir um ecossistema completo, garantindo que o cliente tenha acesso a uma solução integrada para suas diferentes necessidades. Nossa meta é que, quando o consumidor pensar em energia, pense imediatamente na Armor.

publicada em 10 de setembro de 2026 às 4:00 




