BRASKEM INVESTE EM GESTÃO DE ATIVOS PARA AUMENTAR EFICIÊNCIA E REDUZIR EMISSÕES
Em um cenário de maior pressão por eficiência, descarbonização e competitividade, a gestão de ativos deixou de ser uma função restrita à manutenção para assumir um papel estratégico na indústria. Na Braskem, tecnologia, confiabilidade, integração entre áreas e modernização de ativos vêm sendo combinadas para aumentar a eficiência operacional, reduzir riscos e prolongar a vida útil das plantas. Em entrevista, Raphael Campos, vice-presidente Global de Operações da companhia, explica como essa mudança de abordagem pode transformar ativos maduros em uma fonte de vantagem competitiva. De acordo com o executivo, processos mais estáveis e previsíveis reduzem desperdícios, melhoram a eficiência energética e diminuem emissões. Nesse sentido, Campos destaca que a companhia já alcançou uma redução de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de CO₂e em relação ao seu baseline por meio do Programa de Descarbonização Industrial. “A indústria do futuro não será necessariamente aquela que possuir mais ativos, mas aquela capaz de extrair mais valor deles”, avaliou.
Para começar, poderia avaliar a importância da gestão de ativos no atual momento da indústria?
Durante décadas, a competitividade industrial esteve associada principalmente à expansão da capacidade produtiva e à redução de custos. Hoje, porém, a equação é mais complexa. Em um cenário marcado por volatilidade econômica, pressão por descarbonização, maior exigência regulatória e necessidade crescente de eficiência, a gestão dos ativos deixou de ser uma atividade de suporte para ocupar uma posição central na estratégia dos negócios – atuando como alavanca direta para garantir segurança, confiabilidade e sustentabilidade ao longo de todo o ciclo de vida operacional.
Qual é o impacto dessa mudança na forma como as empresas enxergam seus ativos?
Essa mudança reflete uma nova lógica de criação de valor na indústria. Um ativo bem gerido produz mais, consome menos recursos, reduz riscos operacionais, prolonga sua vida útil e melhora o retorno sobre o capital investido. Nesse contexto, segurança, confiabilidade e eficiência deixam de ser objetivos independentes e passam a formar uma mesma agenda de gestão. Quanto maior a previsibilidade operacional, menor a exposição a riscos e maior a capacidade de criar resultados sustentáveis. Nesse sentido, modelos preditivos e prescritivos tornam-se fundamentais para elevar a performance dos ativos e sustentar ganhos de competitividade no longo prazo.
Como essa discussão se aplica especificamente ao setor petroquímico, que reúne ativos de diferentes gerações?
Nessa realidade, comum em indústrias intensivas em capital, a harmonização de dados e processos torna-se um fator crítico para garantir consistência operacional e capturar valor em escala. A competitividade, portanto, não depende apenas de novos investimentos, mas da capacidade de operar diferentes gerações de ativos sob os mesmos padrões de excelência operacional. Trata-se de transformar grandes volumes de dados em inteligência confiável e acionável para suportar a tomada de decisão em todos os níveis da organização.
Nesse contexto, qual é o papel da tecnologia e da integração entre as diferentes áreas da indústria?
Quando combinados à tecnologia, conhecimento acumulado e melhoria contínua, ativos maduros podem se tornar uma vantagem competitiva. Para isso, é fundamental conectar manutenção, operação, engenharia e confiabilidade. A integração entre essas áreas, apoiada por plataformas digitais, manutenção preditiva, analytics avançado e conceitos de Smart Factory, permite criar uma visão única dos ativos ao longo de seu ciclo de vida, antecipar falhas e transformar dados em decisões mais assertivas.
Essa abordagem também contribui para aumentar a resiliência das plantas e repensar processos como as paradas programadas?
Sim, essa visão fortalece a resiliência operacional das plantas e amplia sua capacidade de resposta a cenários cada vez mais desafiadores. Ao mesmo tempo, ressignifica o papel das paradas programadas, que deixam de ser vistas apenas como uma necessidade técnica e passam a atuar como alavancas estratégicas de modernização, incorporação de novas tecnologias e fortalecimento da integridade dos ativos.
Quais são os reflexos dessa estratégia para a agenda de sustentabilidade e descarbonização?
Os impactos dessa transformação vão além da confiabilidade operacional. Processos mais estáveis e previsíveis reduzem desperdícios, melhoram a eficiência energética e diminuem emissões. Na prática, a busca por maior desempenho dos ativos também contribui para os objetivos de descarbonização, mostrando que eficiência operacional e sustentabilidade podem avançar de forma complementar. Quanto mais eficiente é uma operação, menor tende a ser sua intensidade de carbono.
No caso da Braskem, que opera globalmente com 39 plantas em quatro países (Brasil, Estados Unidos, México e Alemanha), a agenda ESG está totalmente integrada às decisões de investimento da companhia. Em 2025, 68% dos nossos aportes corporativos foram destinados a objetivos de longo prazo para o desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, o Programa de Descarbonização Industrial orienta investimentos em eficiência energética, eletrificação, inovação tecnológica e transição da matriz energética. Desde o início do programa, já alcançamos aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de CO₂e reduzidas em relação ao nosso baseline, considerando a média de 2018 a 2020. Esse resultado reforça nossa capacidade de gerar valor e competitividade por meio da descarbonização.
Já existem exemplos concretos dessa relação entre modernização, eficiência energética e desempenho operacional?
Sim, essa relação já pode ser observada em iniciativas industriais voltadas à modernização de sistemas energéticos e ao aumento da eficiência operacional. Na Braskem, por exemplo, o Projeto Vesta promoveu a modernização do sistema energético do cracker do Polo Petroquímico do ABC, em São Paulo, por meio da substituição de turbinas a vapor por motores elétricos, suportados por uma central de cogeração alimentada a partir de gás residual rico em hidrogênio. A iniciativa que reduz cerca de 100 mil toneladas de CO2e por ano, venceu o Prêmio SB COP Awards 2025 na categoria “Transição Energética”.
Outro caso bem-sucedido é o Projeto Biomassa, desenvolvido em parceria com a Veolia, na unidade de PVC, localizada em Marechal Deodoro (AL). No final de 2025, a unidade passou a operar com 100% do vapor produzido a partir de biomassa de eucalipto e energia elétrica, substituindo mais de 200 mil m³ por dia de gás natural. O grande ganho de eficiência foi no processo de eletrificação, com a substituição de uma turbina com cerca de 20% de eficiência por um motor com mais de 90% de eficiência. Entre os benefícios estão a redução de aproximadamente 150 mil ton/ano de CO₂e na operação.
Mesmo com o avanço das tecnologias digitais, qual continua sendo o papel das pessoas nesse processo de transformação?
Apesar de todo o aparato tecnológico, a transformação digital continua tendo nas pessoas o seu principal pilar. Ferramentas preveem falhas, mas são os especialistas que transformam dados em decisões capazes de gerar resultados. Quanto mais sofisticadas se tornam as tecnologias, mais estratégico passa a ser o conhecimento das equipes responsáveis por interpretá-las e transformá-las em vantagem operacional. Preservar e transferir conhecimento crítico torna-se tão importante quanto investir em novas tecnologias. Programas estruturados de confiabilidade humana e mentorias garantem não apenas a formação de novos talentos, mas a preservação e a troca do conhecimento acumulado ao longo de décadas de operação.
Olhando para os próximos anos, onde estará a principal vantagem competitiva da indústria?
A indústria do futuro não será necessariamente aquela que possuir mais ativos, mas aquela capaz de extrair mais valor deles. É na convergência entre segurança, pessoas, tecnologia e excelência operacional que está sendo construída a próxima fronteira de geração de valor da indústria.

publicada em 18 de agosto de 2026 às 5:00 




