CAPACIDADE INSTALADA DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL VAI CRESCER EM 100 GW ATÉ 2035

O Plano Decenal de Energia (PDE) 2035 projeta uma expansão de 100 gigawatts (GW) na capacidade instalada de geração elétrica em dez anos. Pelo Cenário de Referência, baseado na legislação vigente, o país deverá alcançar 359 GW de capacidade em 2035.

A projeção inclui a entrada de termelétricas inflexíveis previstas na Lei nº 14.182/2021, além de cerca de 18,7 GW em termelétricas a gás natural flexíveis. As fontes renováveis permanecem centrais na estratégia de atendimento à demanda. O plano prevê a adição de 13,6 GW de eólica e 5,6 GW de solar centralizada. Somadas à mini e microgeração distribuída, a capacidade solar instalada deverá atingir 107 GW em 2035.

O ciclo do PDE 2035 é marcado por uma revisão para cima nas projeções de demanda de eletricidade em comparação com o PDE 2034. A diferença é mais evidente nas estimativas de demanda máxima, com incremento de até 5 GW já nos primeiros anos do período analisado. Esse aumento impacta diretamente o cálculo dos requisitos do sistema, indicando necessidade de expansão de potência nos anos iniciais, em linha com o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) previsto para 2026.

Como a projeção de demanda é elemento central no planejamento, foram elaboradas simulações adicionais com cenários inferior e superior, baseados em diferentes premissas de crescimento econômico. No cenário inferior, a necessidade de potência adicional aparece apenas em 2027. Já no cenário superior, a demanda por potência cresce de forma mais intensa no segundo quinquênio, chegando a 35 GW acima do previsto no cenário de referência em 2035. O resultado reforça a importância do planejamento para sinalizar soluções regulatórias e operativas, além da ampliação de capacidade e de medidas de gerenciamento da demanda.

O PDE também aponta o avanço das tecnologias de armazenamento como alternativa relevante para atender à demanda líquida máxima. No cenário de referência, a expansão dessas soluções supera 6 GW em dez anos. O movimento é associado ao gerenciamento de excedentes de geração decorrentes da elevada participação de fontes renováveis e à expectativa de queda nos custos de tecnologias como baterias.

COMPOSIÇÃO DA MATRIZ ENERGÉTICA 

O plano aponta que a participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira deve permanecer elevada ao longo de todo o período, variando entre 50% e 51%, com destaque para produtos da cana-de-açúcar e geração hidráulica, além do avanço das fontes solar e eólica.

Na geração de energia elétrica, a predominância de fontes renováveis — como hidráulica, biomassa, eólica e solar — deve se manter acima de 80% durante todo o horizonte decenal, alcançando 86% em 2035.

Em termos de capacidade instalada, o documento projeta maior diversificação da matriz elétrica. A redução relativa da participação hidrelétrica tende a ser compensada pela expansão das usinas a gás natural e das plantas solares fotovoltaicas.

As fontes renováveis devem crescer, em média, 2,2% ao ano na Oferta Interna de Energia, com destaque para eólica, solar fotovoltaica e térmica, biodiesel, biogás, biomassa e derivados da cana e de óleos vegetais. O PDE também aponta aumento da participação do gás natural e redução da fatia de petróleo e derivados na matriz.

O consumo final de energia, determinante para a evolução da Oferta Interna de Energia, deve alcançar 341,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) em 2035, o que representa crescimento médio anual de 1,9% no período.

TRANSMISSÃO

Na área de transmissão, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) avaliou três cenários para a implantação de empreendimentos ainda sem outorga, considerando as incertezas do planejamento. No cenário de referência, o plano de obras soma R$ 116,9 bilhões em investimentos, sendo R$ 78 bilhões (67%) destinados a linhas de transmissão e R$ 38,9 bilhões (33%) a subestações.

Dos R$ 78 bilhões previstos para linhas, R$ 68 bilhões (87%) referem-se a projetos já outorgados, enquanto R$ 10 bilhões (13%) dizem respeito a instalações ainda sem definição de outorga. Em termos regionais, R$ 39,1 bilhões (50%) concentram-se no submercado Sudeste/Centro-Oeste. O Nordeste deverá receber R$ 24,4 bilhões (31%); o Sul, R$ 7,8 bilhões (10%); e o Norte, R$ 6,7 bilhões (9%). Nos casos de interligações regionais, os investimentos foram divididos igualmente entre as localidades envolvidas.

Quanto ao nível de tensão, R$ 59,7 bilhões (77%) correspondem a projetos em linhas de 500 kV, enquanto R$ 10,5 bilhões (13%) estão associados a empreendimentos em 230 kV. Juntas, essas duas classes representam quase 90% do total destinado às linhas de transmissão.

O plano também destaca um desafio estrutural para os próximos anos: o envelhecimento da infraestrutura. Até 2035, diversos ativos do sistema de transmissão terão sua vida útil regulatória expirada. Caso fosse necessária a substituição integral dos equipamentos relacionados a subestações, os investimentos contábeis estimados seriam da ordem de R$ 39,8 bilhões.

VEJA ABAIXO UM RESUMO DA EXPANSÃO PREVISTA NO PDE 2035: 

Fonte ou atividade Expansão do PDE 2035
UHEs 3.622 MW
Contratado: 48 MW (1 UHE)
Indicativo: 3.574 MW, sendo 2 UHE (768 MW) e modernização de UHEs existentes (2.806 MW)
PCHs e CGHs 4.314 MW
Contratado: 348 MW (27 PCHs e CGHs)
Indicativo: 3.965 MW
UTEs não renováveis (gás natural, diesel e nuclear) 33.205 MW
Contratado: 5.558 MW
Indicativo: 18.956 MW de UTEs GN
Indicativo retrofit: 8.690 MW, sendo 7.334 MW + 1.356 MW conversão para biocombustíveis
UTEs Nucleares 1.405 MW
Contratado: 1 nuclear (1.405 MW)
UTEs renováveis (bagaço de cana, licor preto, cavaco/resíduos e RSU) 4.388 MW
Contratado: 293 MW
Indicativo: 4.095 MW
Eólicas 14.487 MW
Contratado: 887 MW (16 parques eólicos)
Indicativo: 13.600 MW
Usinas fotovoltaicas 8.947 MW
Contratado: 3.341 MW (74 empreendimentos)
Indicativo: 5.607 MW
Resposta da Demanda 3.200 MW indicativo
Armazenamento 6.631 MW indicativo
Transmissão 28.781 km
21.889 km estão previstos para entrar em operação até 2030
E&P de petróleo e GN 105 UPs contratadas (Unidades Produtivas em áreas contratadas)
35 blocos em oferta permanente e 7 UPUs (áreas não contratadas)
Refinarias, UPGNs e terminais de GNL 8 refinarias ampliadas e 1 conjunto de ativos de refino previsto
2 UPGNs: 1 prevista e 1 indicativa
1 terminal de regaseificação de GNL previsto
Gasodutos 8 gasodutos de transporte previstos
4 gasodutos de escoamento: 2 previstos e 2 indicativos
3 estações de compressão: 2 previstas e 1 indicativa
Etanol 10,2 bilhões de litros
20 usinas planejadas (17 de milho full, 2 de cereais e/ou outros grãos e 1 de cana-de-açúcar), 41 usinas ampliadas de cana e milho (2,3 bilhões de litros) e projetos indicativos de 2,2 bilhões de litros de etanol de milho
Biodiesel 3,0 bilhões de litros
3 usinas planejadas e 2 usinas ampliadas
Biometano 0,77 milhões de Nm³/dia
24 usinas planejadas e 1 usina ampliada (10 de RSU em aterro e 11 de agrossilvopastoris e comerciais e 4 sucroenergético)
Autoprodução e geração distribuída Autoprodução: 3.157 MW
(Termelétrica: 2.780 MW; Hidrelétrica: 294 MW; Solar: 83 MW; Eólica: 1 MW)
Geração Distribuída: 38.075 MW
(Fotovoltaica: 37.490 MW; Termelétrica: 165 MW; Eólica: 313 MW; CGH: 107 MW)
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Aurelino Freitas Rios
Aurelino Freitas Rios
26 dias atrás

O benefício que vai trazer pra o meio ambiente, economia e geração de empregos , é muito bem vindo…
Não demore por favor.

Drausio Lima Atalla
Drausio Lima Atalla
19 dias atrás

Capacidade instalada é um sofisma num sistema elétrico com fatores de capacidade abaixo de 50%. Se a projeção é de 359 GW de potência em 2035 significa que menos da metade desta potência instalada resultará em energia efetivamente gerada, mas a economia vive de energia, não de potência. Entretanto, o custo de instalação será de 100%, enquanto que o benefício será inferior a 50%. Adicionalmente o grande investimento em transmissão significa que continuaremos a gerar nos lugares errados, longe, muito longe dos centros de consumo, as cidades, encarecendo agudamente o preço do KWh, aquilo que aumenta a produtividade, nosso calcanhar… Leia mais »