PLANO DECENAL PREVÊ PICO DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO NO BRASIL EM 2032, ACIMA DOS 5 BILHÕES DE BARRIS POR DIA
O Plano Decenal de Energia (PDE), lançado oficialmente hoje (12), estima investimentos de R$ 3,5 trilhões no setor de energia do Brasil até 2035. Desse total, cerca de 80% devem ser direcionados à indústria de petróleo e gás natural. A expectativa é que o pico de produção de petróleo seja alcançado em 2032, com 5,1 milhões de barris/dia em 2032, mas que não se sustentará ao longo do decênio, mesmo com a entrada em produção de recursos ainda não descobertos. O volume deve recuar para 4,9 milhões de barris por dia (b/dia) em 2035. O PDE 2035 está disponível para consulta pública neste link.
Para sustentar esse avanço na produção, o plano projeta a entrada em operação de 28 novas unidades estacionárias de produção (UEPs) entre 2026 e 2035. Os investimentos previstos para as atividades de exploração e produção (E&P) no país variam entre US$ 414 bilhões e US$ 442 bilhões no horizonte decenal.
Segundo o PDE, a produção sustentada apenas pelos recursos classificados como reservas deverá atingir seu pico em 2031. Em 2035, a Cessão Onerosa somada aos volumes sob regime de concessão responderá por cerca de 54% da produção proveniente dessa categoria. Sem a contribuição dos contratos de partilha de produção, a extração ao fim do período ficaria em aproximadamente 2 milhões de barris por dia.
A produção oriunda de recursos contingentes é sustentada principalmente pelas acumulações do pré-sal nas bacias de Santos e Campos, além de descobertas em águas profundas e ultraprofundas nas bacias Potiguar e Espírito Santo-Mucuri. Essas áreas devem concentrar 91% da produção estimada de recursos contingentes ao final do decênio.
Em relação ao regime contratual, o PDE indica que, em 2035, os contratos de concessão deverão representar 50% da produção nacional de petróleo. Os contratos de partilha de produção terão participação de 38%, enquanto a Cessão Onerosa responderá por cerca de 11%.
GÁS NATURAL
No segmento de gás natural, a maior parte da produção projetada é de gás associado ao petróleo. As bacias de Campos e Santos devem responder, juntas, por cerca de 90% do total previsto para 2035, com forte participação do pré-sal. Já o gás não associado tem como principais polos as unidades produtivas de Campos, Parnaíba, Solimões, Sergipe-Alagoas (SEAL), Amazonas e Alagoas.
No final do decênio estima-se um pico na produção líquida de gás natural de 127 milhões de m³/dia.
A previsão de investimentos relacionados à expansão da infraestrutura de gás natural é da ordem de R$ 182,80 bilhões, dos quais cerca de R$ 15,80 bilhões em projetos previstos e R$ 167 bilhões em projetos indicativos.
A demanda por gás natural apresenta elevação ao longo de todo o horizonte com um crescimento médio de 6,2% ao ano. Os setores industrial, residencial, comercial e automotivo apresentam crescimento mais suave, característico da maior estabilidade destes setores. A demanda de gás natural na malha integrada atingirá cerca de 130 milhões de m³/dia em 2035, enquanto o total para o Brasil atingirá aproximadamente 220 milhões de m³/dia no mesmo ano.
A oferta potencial nacional projetada da malha integrada passará de cerca de 46 milhões de m³/dia em 2025 para aproximadamente 85 milhões de m³/dia em 2035, com 73% oriundo do Pré-sal, no final do horizonte. Para que estes volumes se concretizem, no entanto, é necessário, principalmente, que as infraestruturas de escoamento e processamento previstas sejam efetivadas.
VEJA ABAIXO UM RESUMO DA EXPANSÃO PREVISTA NO PDE 2035:
| Fonte ou atividade | Expansão do PDE 2035 |
|---|---|
| UHEs | 3.622 MW Contratado: 48 MW (1 UHE) Indicativo: 3.574 MW, sendo 2 UHE (768 MW) e modernização de UHEs existentes (2.806 MW) |
| PCHs e CGHs | 4.314 MW Contratado: 348 MW (27 PCHs e CGHs) Indicativo: 3.965 MW |
| UTEs não renováveis (gás natural, diesel e nuclear) | 33.205 MW Contratado: 5.558 MW Indicativo: 18.956 MW de UTEs GN Indicativo retrofit: 8.690 MW, sendo 7.334 MW + 1.356 MW conversão para biocombustíveis |
| UTEs Nucleares | 1.405 MW Contratado: 1 nuclear (1.405 MW) |
| UTEs renováveis (bagaço de cana, licor preto, cavaco/resíduos e RSU) | 4.388 MW Contratado: 293 MW Indicativo: 4.095 MW |
| Eólicas | 14.487 MW Contratado: 887 MW (16 parques eólicos) Indicativo: 13.600 MW |
| Usinas fotovoltaicas | 8.947 MW Contratado: 3.341 MW (74 empreendimentos) Indicativo: 5.607 MW |
| Resposta da Demanda | 3.200 MW indicativo |
| Armazenamento | 6.631 MW indicativo |
| Transmissão | 28.781 km 21.889 km estão previstos para entrar em operação até 2030 |
| E&P de petróleo e GN | 105 UPs contratadas (Unidades Produtivas em áreas contratadas) 35 blocos em oferta permanente e 7 UPUs (áreas não contratadas) |
| Refinarias, UPGNs e terminais de GNL | 8 refinarias ampliadas e 1 conjunto de ativos de refino previsto 2 UPGNs: 1 prevista e 1 indicativa 1 terminal de regaseificação de GNL previsto |
| Gasodutos | 8 gasodutos de transporte previstos 4 gasodutos de escoamento: 2 previstos e 2 indicativos 3 estações de compressão: 2 previstas e 1 indicativa |
| Etanol | 10,2 bilhões de litros 20 usinas planejadas (17 de milho full, 2 de cereais e/ou outros grãos e 1 de cana-de-açúcar), 41 usinas ampliadas de cana e milho (2,3 bilhões de litros) e projetos indicativos de 2,2 bilhões de litros de etanol de milho |
| Biodiesel | 3,0 bilhões de litros 3 usinas planejadas e 2 usinas ampliadas |
| Biometano | 0,77 milhões de Nm³/dia 24 usinas planejadas e 1 usina ampliada (10 de RSU em aterro e 11 de agrossilvopastoris e comerciais e 4 sucroenergético) |
| Autoprodução e geração distribuída | Autoprodução: 3.157 MW (Termelétrica: 2.780 MW; Hidrelétrica: 294 MW; Solar: 83 MW; Eólica: 1 MW) Geração Distribuída: 38.075 MW (Fotovoltaica: 37.490 MW; Termelétrica: 165 MW; Eólica: 313 MW; CGH: 107 MW) |

publicada em 12 de fevereiro de 2026 às 19:23 




