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CLADTEK ASSINA CONTRATO NO BRASIL PARA LEVAR CONECTOR RAPIDPIPE AO OFFSHORE, ACELERAR INSTALAÇÃO DE DUTOS E AMPLIAR OPÇÕES DE EMBARCAÇÕES

A multinacional Cladtek está levando sua nova tecnologia de conexão mecânica RapidPipe para o mercado offshore com o objetivo de enfrentar alguns dos principais gargalos que atualmente afetam a instalação de dutos rígidos. A empresa assinou recentemente um contrato com uma grande operadora do pré-sal para avançar com a tecnologia, já qualificada pela DNV, para a etapa de qualificação em campo em condições de pré-sal. Segundo Eduardo Menezes, diretor de Operações e vice-presidente da região das Américas, a solução pode aumentar de menos de dez para mais de 100 o número de embarcações capazes de instalar dutos MLP (Mechanically Lined Pipe), além de reduzir significativamente a duração das campanhas offshore. De acordo com as análises da Cladtek, a instalação de um duto de 60 quilômetros poderia ser concluída em 27 dias, em vez de 150. A empresa também prevê novos investimentos no Brasil. Segundo o CEO do Grupo Cladtek, Lee Wilson (foto principal), a companhia investirá entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões em sua fábrica brasileira neste ano, além de ampliar sua capacidade de armazenamento, avaliar novas expansões e fortalecer sua fábrica local, em Santa Cruz (RJ), que emprega mais de 800 pessoas.

A Cladtek está anunciando nesta semana o contrato para o RapidPipe. Poderia explicar quais são os próximos passos após a assinatura do acordo e, se possível, relembrar brevemente no que consiste a tecnologia?

Eduardo Menezes

Eduardo – O RapidPipe é um conector que permite unir tubos rígidos, incluindo o Mechanically Lined Pipe (MLP). Ele possui uma luva roscada e uma virola que fornecem a tensão que, em uma conexão convencional, é obtida por meio de parafusos prisioneiros e porcas. Atualmente, o MLP enfrenta um grande desafio no mercado de águas ultraprofundas especificamente relacionado à instalação, devido à disponibilidade limitada de embarcações capazes de lançar esses dutos. Existem menos de dez embarcações no mundo capazes de instalar essa tecnologia. Como esse é um mercado muito restrito, essas poucas embarcações são altamente demandadas tanto para projetos de MLP quanto para outros tipos de dutos, criando um gargalo constante.

Com o RapidPipe, podemos ampliar esse mercado ao permitir que embarcações de oportunidade e até mesmo sondas de perfuração sejam utilizadas na instalação de MLP. É um processo extremamente rápido — estamos falando de aproximadamente 20 minutos. Além de aumentar significativamente a quantidade de dutos que pode ser instalada por dia, poderíamos ampliar o número de embarcações elegíveis de cerca de 10 para mais de 100.

A Cladtek tem um histórico forte de levar inovações ao mercado. Poderia falar um pouco mais sobre o DNA de inovação da empresa e explicar como o RapidPipe representa uma mudança importante para a indústria?

Lee – A inovação sempre foi parte fundamental da nossa trajetória. Ao longo dos nossos 21 anos de história, inovar tem sido essencial para manter uma posição sólida no mercado, por isso esse aspecto está profundamente incorporado ao nosso DNA. As terminações com Weld Overlay, que permitiram a adoção do MLP em toda a indústria, foram uma inovação da Cladtek. O RapidPipe é um exemplo mais recente desse compromisso.

Nosso objetivo com o RapidPipe é tornar uma solução de duto rígido o mais flexível possível. Isso proporciona aos operadores benefícios operacionais significativos e maior flexibilidade no desenvolvimento de seus campos offshore.

E quais são os próximos passos do projeto após a assinatura do contrato?

Eduardo – Este é um contrato de desenvolvimento de tecnologia estruturado em várias etapas. A fase inicial envolve a comprovação do projeto. Em seguida, passamos para os testes, a qualificação e a fabricação do protótipo. Por fim, haverá um teste de campo, no qual o conector será instalado e posteriormente removido, para validar se a operação funciona exatamente como esperado na prática. Estimamos que todo o processo de desenvolvimento leve de dois a três anos.

Além de uma instalação mais rápida e de uma frota maior de embarcações disponíveis, que outros benefícios a tecnologia oferece?

Eduardo – Quando passamos a utilizar embarcações mais simples e reduzimos a duração da campanha — por exemplo, instalando um duto de 60 quilômetros em 27 dias, em vez de 150 — há um impacto direto e significativo na redução das emissões. Nossas análises indicam que as emissões podem ser reduzidas em mais de 86% em um duto de 60 quilômetros, passando de aproximadamente 4.234 para 579 toneladas de CO₂.

Outro aspecto fundamental é a circularidade e a possibilidade de reutilização. O MLP rígido convencional já permite que o duto seja reciclado ao final de sua vida útil. Com o conector RapidPipe, acrescentamos a possibilidade de reutilização. Após um ciclo operacional de 20 a 25 anos, em vez de simplesmente descartar ou reciclar o material, o conector pode ser desconectado e o duto recuperado, limpo, inspecionado e reutilizado em outro campo.

Além do RapidPipe, quais são os outros negócios importantes que vocês pretendem desenvolver no Brasil?

Lee – Além do RapidPipe, também gostaríamos de continuar fornecendo MLPs para a Petrobras, além de apoiar a localização de serviços de weld overlay e fabricação para FPSOs e OCTG revestidos com CRA. A Petrobras tem planos muito ambiciosos para a próxima década, e gostaríamos de fazer parte deles.

Quais são os planos de investimento da empresa no Brasil, considerando que vocês já têm uma fábrica no país? Como você enxerga o crescimento dessa unidade e do negócio como um todo?

Lee – Continuamos investindo no Brasil. Neste ano, investiremos entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões em nossa fábrica brasileira. Também estamos ampliando nossa capacidade de armazenamento. Esperamos que, com a solução RapidPipe, possamos armazenar os dutos e ter uma solução de duto rígido flexível pronta para uso. A capacidade adicional de armazenamento na qual estamos investindo neste ano nos permitirá fazer isso.

Precisamos continuar competitivos, eficientes e seguros, por isso seguimos investindo CAPEX na fábrica, incluindo atualizações e desenvolvimentos. O conteúdo local é uma parte importante disso. Fabricamos localmente, com fornecimento de clad local e mão de obra brasileira, portanto, cada investimento na fábrica também fortalece a cadeia de suprimentos do Brasil.

Vemos que o RapidPipe e alguns de nossos outros produtos novos, como os tubos mecanicamente revestidos (MLT), que são tubos OCTG revestidos com materiais resistentes à corrosão (CRA), deverão impulsionar a necessidade de novos investimentos, novas expansões e a criação de postos de trabalho no Brasil.

Você poderia destacar alguns dos principais marcos da Cladtek neste ano?

Lee – Quando olhamos para os MLPs de forma mais ampla, há uma história interessante surgindo neste ano. O primeiro MLP fornecido pela Cladtek, há 21 anos, para o desenvolvimento offshore de Mutineer-Exeter, na Austrália, será retirado do leito marinho. O revestimento resistente à corrosão que utilizamos não sofreu degradação ao longo desse período e seu valor só aumentou. O duto será 100% reciclado. É uma história completa de ciclo de vida.

Além disso, a empresa chegará à marca de 1.000 quilômetros de MLPs produzidos durante o projeto Atapu, no Brasil. Tenho muito orgulho da conquista da equipe e acredito que os próximos 1.000 quilômetros serão alcançados muito mais rapidamente. O Brasil continua muito ativo e também estamos observando uma forte demanda nos campos de águas profundas da África Ocidental e em todo o Sudeste Asiático.

Qual é a importância da operação brasileira para o Grupo Cladtek e o que você projeta para o futuro dessa operação?

Lee – Foi um investimento muito importante para nós vir para o Brasil e estabelecer operações aqui. Começamos em pequena escala em 2012 e expandimos para a nova fábrica em 2019. Houve desafios ao longo do caminho, e as lições que aprendemos nos tornaram uma empresa mais forte. Hoje, é uma operação totalmente local: profissionais brasileiros, fornecimento local de clad e fabricação no Brasil para atender projetos brasileiros. Temos muito orgulho do que construímos aqui.

O alto nível de atividade nos dá muita confiança no futuro, e é por isso que continuamos investindo. Isso inclui investimentos em nossas pessoas, por meio de programas de treinamento, e na comunidade, por meio de uma série de iniciativas em Santa Cruz (RJ), onde operamos.

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