CUBA DESAFIA OS ESTADOS UNIDOS, ESMAGA MANIFESTAÇÕES CONTRA O GOVERNO, TEME ATAQUE, MAS PROMETE INDENIZAR NORTE-AMERICANOS
O jogo de Xadrez entre o governo Trump e a ditadura sanguinária castrista que comanda Cuba por 67 anos deixando o país e a sua população à mingua, dá sinais que já estão faltando peças do lado cubano. O governo já perdeu os cavalos, os bispos, a rainha, mas deixa o seu rei cercado apenas por uma torre e alguns pões. O governo está desmoronado, aos pedaços, mas cantando de galo. Mas cantando. Quanto mais quer parecer forte, mas parece fraco. “O sistema político cubano não está aberto a negociações”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores do regime, Carlos Fernández de Cossío, em uma coletiva de imprensa em Havana. Ao mesmo tempo, o líder atual da ditadura, Miguel Dias-Canel, admite negociações com o governo dos Estados Unidos.
Cossio negou que a continuidade do mandato Díaz-Canel estivesse em discussão. No entanto, suas declarações devem ser vistas com ceticismo, visto que ele foi um dos altos funcionários em Havana que durante semanas, também negou diálogos com Washington. Fernández de Cossío também afirmou que qualquer tentativa de apagar a independência da ilha é “totalmente inaceitável para Cuba”. Embora a propaganda belicosa domine o discurso oficial, o porta-voz enfatizou que a “posição firme do governo cubano é a sua disposição de dialogar com os Estados Unidos, algo que não mudará apesar do aumento da hostilidade. Não vemos outra maneira de resolver nossas diferenças.”
Entre os temas que Havana está disposta a discutir com Washington, segundo disse, é a cooperação em questões de segurança no combate ao narcotráfico e ao crime organizado, bem como “outras questões bilaterais que seriam de benefício mútuo. Cuba não representa nenhuma ameaça aos EUA.” Antes de sua aparição diante da imprensa, Fernández de Cossío escreveu em seu perfil no X que “o governo dos EUA está fazendo com Cuba é um crime. Punir milhões de pessoas usando-as como reféns ou forçando-as a rejeitar seu próprio governo é cruel e imoral. Chamar Cuba de fracasso enquanto impõe pressões econômicas brutais sobre o país é hipócrita.”
Suas declarações surgem pouco depois de o Chefe do Coamando Sul dos Estados Unidos, General Francis Donovan, ter assegurado ao Congresso, que os militares dos EUA não estão se preparando para uma tomada de Cuba. O general afirmou não ter conhecimento de nenhum plano do governo Donald Trump para apoiar grupos da oposição cubana no exílio com o objetivo
de derrubar o governo de Havana. As declarações de autoridades de Washington e Havana surgem em um contexto de crescentes tensões entre os governos dos EUA e de Cuba.
Na segunda-feira (23), o presidente Trump afirmou acreditar que teria “a honra de assumir o controle da ilha. Tomar Cuba de alguma forma, seja libertando-a, conquistando-a. Acho que poderia fazer o que quisesse com ela. É uma nação muito fragilizada agora. Já esteve assim por muito tempo.” Díaz-Canel respondeu que, se o fizesse, encontraria “uma resistência inexpugnável”. Segundo o presidente dos EUA, a ilha tinha “líderes muito violentos. Castro era um líder muito violento. Seu irmão é um líder muito violento. Extremamente violento. Era assim que eles governavam, com violência
NEGOCIAÇÕES REAIS
Nas negociações reais, até agora o que se sabe é que o regime cubano está disposto a indenizar os americanos cujas propriedades foram expropriadas em Cuba na revolução de 1959, quando o ditador Fidel Castro (esquerda) liderou o movimento que tomou o governo de Fugêncio Batista, na noite de ano. Indeniza, mas sob certas condições. Embora mantenha um discurso de confronto, no qual afirma estar pronto para enfrentar uma potencial agressão militar dos Estados Unidos, o regime cubano diz estar disposto a indenizar os americanos que sofreram expropriações na Ilha. Suas, residências, seus bens, foram tomados pela força do regime na ilha após o triunfo da Revolução. Os líderes da revolução usam essas mansões até hoje. Essas compensações estariam sujeitas a condições, de acordo com declarações feitas pelo próprio Carlos Fernández de Cossío: “O governo cubano está preparado para oferecer indenização a cidadãos e empresas americanas cujas propriedades foram nacionalizadas após a revolução de 1959.“
O acordo de “pagamento único,” o que significa que Cuba pagaria aos Estados Unidos, que então lidariam com as reivindicações, teria que fazer parte de um
acordomais amplo que abordasse as sanções e o embargo dos EUA, e que também permitisse algum nível de investimento americano em Cuba, anteriormente proibido, disse o vice-ministro cubano, condicionando a compensação aos proprietários cujos bens foram confiscados pelo “governo revolucionário”. Fernández de Cossío lembrou que o regime cubano expropriou cidadãos de outros países, aos quais pagou uma quantia fixa aos governos, mas os EUA não a aceitaram. “O regime cubano assinou acordos de pagamento único com os seis governos cujas propriedades foram nacionalizadas em Cuba; todos eles tinham planos de compensação e todos foram compensados, com exceção dos Estados Unidos.”
O vice-ministro afirmou que o regime cubano atualmente não possui reservas suficientes para efetuar pagamentos de compensação significativos, mas que, com o levantamento do embargo, o crescimento econômico poderia gerar receitas que permitiriam o financiamento de tal acordo. As declarações de Fernández de Cossío sugerem que o regime cubano aposta que os cidadãos americanos cujas propriedades foram confiscadas pressionarão Washington para que o embargo seja suspenso, como única forma de receberem a compensação que merecem.
Segundo o vice-chefe do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, o regime não só tem a obrigação de oferecer indenização, como também tem o direito de recebê-la. “Estamos prontos para nos sentarmos à mesa com os Estados Unidos e discutirmos essas questões, mas Cuba também tem reivindicações. Acreditamos que o povo cubano e a nação cubana precisam, ou merecem, ser indenizados pelos danos causados pelo bloqueio econômico, pela invasão, pelo terrorismo, pelos assassinatos e pelas ações violentas contra a economia.”
Apesar de estar disposta a pagar as indenizações devidas há décadas aos cidadãos americanos vítimas de expropriações, o regime cubano não perde a oportunidade de se vangloriar de sua suposta preparação para enfrentar um ataque dos Estados Unidos. “Nosso exército sempre esteve preparado e, de fato, está se preparando nestes dias para a possibilidade de uma agressão militar“, disse o próprio Carlos Fernández de Cossío. Ele considerou que seria “ingênuo” o regime não se preparar, levando em conta “o que está acontecendo no mundo”, em aparente referência à captura do ditador Nicolás Maduro na Venezuela e aos ataques de Israel e dos EUA contra o regime iraniano.

publicada em 25 de março de 2026 às 11:00 








