DAR CONTINUIDADE ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS E À REGULAMENTAÇÃO PODERÃO DAR EQUILÍBRIO AO SETOR NUCLEAR BRASILEIRO
O Projeto Perspectivas 2026, que o Petronotícias vem publicando nos últimos dias, traz hoje um profissional, um engenheiro daqueles que o Brasil precisa reverenciar pelo seu conhecimento técnico no setor nuclear: Leonam dos Santos Guimarães, ex-presidente da Eletronuclear, atual Diretor Técnico da ABDAN e Coordenador de CT&I da AMAZUL. Amigo pessoal do atual Diretor Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi (foto abaixo, à direita), ele também é um dos seus consultores. Leonam tem uma posição muita clara em relação ao Programa Nuclear Brasileiro que, para ele, tem encontrado problemas constantes: “O principal risco continua sendo a descontinuidade das políticas públicas e a ausência de uma visão de longo prazo. Programas estratégicos, como o nuclear, exigem constância e coordenação interinstitucional.”
A estatização do projeto nuclear do país continua sendo uma pedra no sapato do desenvolvimento neste segmento em todos os setores. Seja na geração de energia, na
produção de radiofármacos ou na preservação de alimentos. O nosso programa precisa da liberdade privada. Aquela que traz tecnologia, desenvolvimento, progresso, empregos e investimentos. Leonam reconhece esta necessidade quando diz que “O País precisa fortalecer um ambiente regulatório previsível e estável, que estimule investimentos de longo prazo e favoreça a inovação”. Mas, para que isso aconteça, o Congresso precisa da grandeza de pensar no Brasil como um país, o que parece uma realidade distante pelo nível da maior parte dos parlamentares que o Congresso reúne. Tanto na Câmara quanto no Senado. “O setor nuclear precisa de regulamentação plena e a criação de mecanismos efetivos para parcerias público-privadas na cadeia produtiva nacional do combustível nuclear.” Embora otimista, Leonam Guimarães acredita que em 2026, para termos um ano melhor, mais produtivo, será “Fundamental valorizar a ciência, a tecnologia e a engenharia nacional, consolidar o marco regulatório da energia nuclear e ampliar o diálogo entre governo, empresas e sociedade. A energia nuclear é, antes de tudo, um vetor de soberania e progresso.” Então, vamos saber agora mais de suas opiniões, observações e posicionamentos do mercado nuclear em nosso país:
– Como foi o ano de 2025 para a sua empresa? As perspectivas se confirmaram?
– O ano de 2025 foi altamente produtivo para a AMAZUL e para o setor nuclear brasileiro como um todo. Consolidaram-se avanços importantes em projetos estratégicos, como o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), as obras de Angra 3 e os estudos sobre pequenos reatores modulares (SMRs), confirmando a tendência de retomada da atividade nuclear no país. A AMAZUL fortaleceu seu papel de integradora tecnológica dos programas nuclear e de propulsão naval, expandindo sua atuação em engenharia, inovação e gestão do conhecimento. Foi também um ano de amadurecimento de parcerias institucionais e empresariais, nacionais e internacionais, que ampliam o horizonte de aplicação das tecnologias dominadas pelo Brasil. Em síntese, as perspectivas para 2025 se confirmaram, marcando um ciclo de consolidação e confiança no futuro da energia nuclear como componente essencial da segurança energética e da soberania nacional.
– Dentro da realidade brasileira e da economia atual, quais seriam as medidas mais acertadas para que as coisas pudessem melhorar?

A participação do Congresso será fundamental para acelerar o conhecimento e o desenvolvimento nuclear
– O País precisa fortalecer um ambiente regulatório previsível e estável, que estimule investimentos de longo prazo e favoreça a inovação. No setor nuclear, a regulamentação plena da Lei nº 14.514/2022 e a criação de mecanismos efetivos para parcerias público-privadas (PPPs) na cadeia produtiva nacional do combustível nuclear são medidas fundamentais para destravar o potencial de geração de valor e empregos qualificados do setor. Além disso, é necessário avançar em políticas industriais que integrem energia, defesa, ciência e tecnologia, de forma a verticalizar o ciclo nuclear brasileiro — da mineração de urânio à produção de radioisótopos e à geração elétrica —, garantindo maior autonomia e sustentabilidade. A estabilidade fiscal e a simplificação de processos administrativos também são essenciais para dar fluidez à economia e previsibilidade aos investidores.
– Quais os problemas atuais que podem ser vistos como um risco à nossa estabilidade política e econômica?
– O principal risco continua sendo a descontinuidade das políticas públicas e a ausência de uma visão de longo prazo. Programas estratégicos, como o nuclear, exigem constância e coordenação interinstitucional. A alternância de prioridades, associada à burocracia e à lentidão decisória, fragiliza a execução e reduz a eficiência dos investimentos. Além disso, a persistência de gargalos logísticos e tecnológicos, somada à insuficiente valorização da engenharia nacional, compromete a competitividade do país. É imperativo que temas de Estado — como energia, defesa e ciência — sejam blindados das oscilações conjunturais, garantindo estabilidade e confiança.
– Quais são as perspectivas para 2026? Mais otimista ou mais pessimista? O que fazer para termos um ano melhor?
– As perspectivas para 2026 são claramente otimistas, ainda que com desafios. O Brasil reúne recursos naturais, base tecnológica e capital humano que o colocam em posição singular na nova economia de baixo carbono. O setor nuclear pode e deve ocupar papel central nessa transição, fornecendo energia limpa, estável e de alta densidade para sustentar o desenvolvimento industrial e científico do país. Para termos um ano melhor, é fundamental valorizar a ciência, a tecnologia e a engenharia nacional, consolidar o marco regulatório da energia nuclear e ampliar o diálogo entre governo, empresas e sociedade. A energia nuclear é, antes de tudo, um vetor de soberania e progresso — e 2026 pode ser o ano em que o Brasil reafirme essa convicção com clareza e determinação.

publicada em 10 de dezembro de 2025 às 4:00 




