DEPENDENTE MAIS DE 70% DO PETRÓLEO DO ORIENTE MÉDIO, A COREIA DO SUL PODE LIBERAR RESERVAS PELO FECHAMENTO DE HORMUZ

Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (3) em meio à guerra do Irã e após o anúncio do fechamento do Estreito de Hormuz para a navegação. Agora, no final da tarde, o preço do barril do Brent, referência global da commodity, era negociado acima de US$ 80,32, numa alta diária de 3,32%. O petróleo chegou a ser negociado a US$ 85,10 por volta das 8h, alta de 9%, atingindo o maior valor desde 19 de julho de 2024, quando o barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 85,35. O Governo da Coreia do Sul está buscando garantir o fornecimento de petróleo de fora do Oriente Médio em meio ao fechamento de fato do Estreito de Ormuz. O primeiro vice-ministro das Finanças, Lee Hyoung-il e a segunda vice-ministra das Relações Exteriores, Kim Jina, participaram de uma reunião governamental de emergência sobre a crise com o Irã, realizada no complexo governamental em Seul, esta manhã (3). A Coréia quer  garantir o fornecimento de petróleo fora do Oriente Médio em resposta ao fechamento de fato do Estreito de Ormuz em meio aos contínuos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, ao mesmo tempo em que ressaltou que garantiu ter  possui reservas de petróleo suficientes.

O Ministério da Economia e Finanças realizou uma reunião de resposta emergencial sobre o conflito com o Irã com os ministérios relacionados para avaliar o impacto da situação na Coreia do Sul e discutir uma estratégia de resposta. O ministério afirmou que não foram relatados problemas de segurança em embarcações coreanas que operam no Oriente Médio e que o país possui reservas de petróleo suficientes mesmo em um cenário de prolongamento da crise. Mas, em preparação para o bloqueio total do Estreito de Ormuz, a rota de exportação de petróleo mais importante do mundo, o governo trabalhará para garantir suprimentos adicionais de petróleo de regiões fora do Oriente Médio.

A Coreia do Sul depende fortemente da energia transportada pelo estreito, importando cerca de 70,7% do petróleo e 20,4% do gás natural liquefeito do Oriente Médio. A Guarda Revolucionária Islâmica declarou o Estreito de Ormuz fechado e ameaçou atacar qualquer navio que passasse pela hidrovia. O ministério afirmou que o governo monitorará os mercados de energia e financeiros, tanto nacionais quanto globais, 24 horas por dia, e está pronto para implementar um programa de estabilização de mercado, que inclui um apoio de pelo menos US$ 68,4 bilhões, se necessário. O índice de referência Korea Composite Stock Price Index (KOSPI) despencou mais de 7% hoje, em meio a crescentes preocupações com a crise no Irã.

Os preços internacionais do petróleo continuaram a apresentar volatilidade, com o mercado nervoso, mas o ritmo da subida dos preços diminuiu, de acordo com o ministério. O governo também responderá com rigor às práticas desleais de mercado, incluindo operações de notícias falsas que tentam explorar o sentimento dos investidores, acrescentou o ministério. Entretanto, o vice-ministro do Orçamento, Lim Ki-keun, ordenou aos funcionários do ministério que monitorassem “minuciosamente” o andamento da execução do orçamento governamental relacionado a empresas exportadoras, empresas de transporte marítimo e cidadãos coreanos no exterior, a fim de minimizar os danos decorrentes da crise, segundo o gabinete de Lim.

Em outra frente, o Ministro da Indústria, Kim Jong -kwan, convocou uma reunião sobre a crise no Oriente Médio e decidiu implementar medidas de apoio preventivas para cerca de 1.000 empresas exportadoras, principalmente aquelas que enviam mercadorias para o Oriente Médio. O pacote inclui vouchers de exportação e apoio à liquidez, informou seu gabinete. No que diz respeito ao fornecimento de energia, Kim ordenou aos funcionários do Ministério da Indústria que se preparassem rapidamente para a liberação das reservas de petróleo caso a situação do abastecimento piorasse, enquanto trabalhavam para garantir o fornecimento alternativo de gás natural fora do Oriente Médio. Por enquanto, no entanto, o impacto do conflito com o Irã no fornecimento de energia, na logística marítima e nas cadeias de suprimentos da Coreia permanece limitado, explicou ele.

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