DESTROÇADA, ECONOMIA DO IRÃ ESTÁ EM COLAPSO, MAS O PAÍS NÃO ABRE MÃO DE TER UMA BOMBA NUCLEAR. BLOQUEIO NAVAL AMERICANO PERMANECE
Mesmo com o petróleo esta manhã (30) batendo os US$ 108 dólares, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que o Irã permanecerá sob bloqueio naval até que um acordo nuclear seja alcançado. Ainda assim, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) recebeu ordens diretas do presidente para que se prepare para possíveis ataques militares caso as negociações fracassem. O bloqueio é “um pouco mais eficaz do que os bombardeios”, disse Trump. “Eles estão sufocando como um porco recheado. E vai piorar para eles. Eles não podem ter uma arma nuclear. Eles querem chegar a um acordo. Não querem que eu mantenha o bloqueio. Eu não quero suspender porque não quero que eles tenham uma arma nuclear.”
O Comando Central começou a preparar planos para uma onda de ataques “curta e poderosa” contra o Irã, na esperança de romper o impasse nas negociações. Os
alvos seriam a geração de energia, pontes estradas e aeroportos. Após a onda de ataques, os americanos pressionariam o regime a retornar à mesa de negociações e demonstrar maior flexibilidade. Trump considera a continuidade do bloqueio o principal meio de obter vantagem sobre Teerã, mas também considera uma ação militar caso o Irã não ceda. Seja lá como for, uma emissora estatal iraniana em inglês, Press TV, disse que o bloqueio naval dos EUA “em breve será respondido com ações práticas e sem precedentes”. A TV também disse que o Irã quer dar a Trump a oportunidade de pôr fim ao conflito, mas enfatizou que os militares iranianos “acreditam que a paciência tem limites e que uma resposta punitiva é necessária” caso o bloqueio continue. Quem viver, verá.
A ECONOMIA EM FRANGALHOS
Mesmo com a impossibilidade de vender sequer 1 litro, o Irã aparentemente está em calma. As ruas de Teerã estão calmas, mas a economia está nervosa com o país a beira de um colapso econômico cada vez maior e sem precedentes. As ruas estejam cheias de gente, mas seus bolsos estão vazios. O rial iraniano, a moeda local, tornou-se um fardo do qual os cidadãos estão desesperados para se livrar. Os cafés estão abertos e os engarrafamentos na capital retomaram seu ritmo habitual. No entanto, por trás dessa rotina, esconde-se uma nação à beira do colapso financeiro, que nem mesmo as repressões mais brutais conseguirão conter, dizem
os especialistas. A inflação está descontrolada. “No mercado porque ninguém quer ficar com a moeda iraniana”, explica o professor Amos Nadan(direita), diretor do Centro Dayan da Universidade Tel Aviv.
Mesmo antes da recente escalada militar, o Irã já enfrentava uma taxa de inflação de aproximadamente 70%, a mais alta desde a Segunda Guerra Mundial. Hoje, os números contam a história de uma classe média em dificuldades. O novo salário mínimo mensal ultrapassa 160 milhões de riais, um valor que parece astronômico até ser convertido para seu valor real: 104 dólares. “A verdade é que isso pode não ser o fim. Porque quando não há muita atividade econômica no Irã, mas não há muitas oportunidades para a moeda se desvalorizar drasticamente.” A opinião é Eyal Hashkes(esquerda), consultor estratégico e autor de As Espadas da Economia. “No momento em que a vida voltar à normalidade, veremos uma desvalorização ainda mais significativa do rial.”
O custo humano dessa desvalorização é assustador. Itens de primeira necessidade se tornaram artigos de luxo. Um único kebab em um restaurante agora custa entre cinco e seis milhões de riais, enquanto uma refeição básica de frango com arroz pode custar até quatro milhões. “Estamos vendo casos muito difíceis em diversas áreas, prostituição infantil e outros extremos apenas para conseguir comida para casa”, observa o especialista. “Essa é uma população que está sofrendo, especialmente os pobres, de forma muito severa.” Os problemas econômicos do Irã não foram causados pela guerra. Eles apenas foram acelerados por ela. Muito antes dos primeiros tiros serem disparados, o país sofria com uma crise energética crônica, apagões rotativos forçados e uma seca persistente que secou os reservatórios nacionais. Esses problemas levaram a protestos massivos em janeiro, que o regime reprimiu com força letal, resultando na morte de dezenas de milhares de manifestantes.
Na tentativa de sufocar a dissidência, o regime manteve a internet praticamente paralisada. Esse apagão digital custou à economia cerca de 37 milhões de dólares por dia, devido à impossibilidade de processar pagamentos online e às interrupções nas cadeias de exportação. Segundo Eyal Hashkes, a única maneira de o Irã sair dessa estagnação é remover as sanções econômicas. Sem investimento externo, o Irã não pode crescer. “Sem a remoção das sanções, será impossível a economia voltar a crescer. Os ataques a instalações siderúrgicas e outras indústrias, como a petroquímica, levaram a uma redução de bilhões, ou mesmo dezenas de bilhões, na receita anual potencial do Irã”, afirma Hashkes.
O BLOQUEIO NAVAL ESTRANGULA
Talvez o ponto de maior pressão continue sendo o bloqueio marítimo do Estreito de Ormuz. Desde o dia 10 de abril, há 20 dias, portanto, o fluxo de mercadorias dos
portos iranianos está interrompido. A principal fonte de renda de Teerã — o petróleo — não está mais chegando ao seu principal cliente, a China. Cerca de 85% das exportações do Irã são de petróleo. O prejuízo diário é US$ 450 milhões. Já são US$ 9 bilhões que deixaram de irrigar a economia do Irã. E não há nada que o regime sanguinário dos Aitolás posa fazer. Não
tem armas, marinha ou Aeronáutica. A única saída é capitular , desistir do projeto de uma bomba nuclear e entregar os 450 quilos de urânio enriquecido a 60%.
A crise está chegando a um ponto crítico logístico. Até até meados de maio, o Irã terá ficado completamente sem espaço para armazenar o petróleo não exportado. Quando isso acontecer, o regime terá que tomar uma decisão que poderá assombrá-lo por décadas: fechar os seus poços. Quando isso acontecer, eles terão que começar a desligar os poços. Depois que um poço permanece inativo por muito tempo, muitas vezes não é possível simplesmente religá-lo. São necessários anos de recuperação. Se você não bombear o petróleo, ele começa a perder qualidade. O Irã está entrando em um novo ciclo de dificuldades. Os Aitolás estão vivendo na pele a “escolha de Sofia.”

publicada em 30 de abril de 2026 às 12:00 







