EPE APONTA POTENCIAL DA MINERALIZAÇÃO DE CARBONO NO BRASIL, COM DESTAQUE PARA A BACIA DO PARANÁ
A mineralização de carbono desponta como uma das alternativas mais promissoras para o armazenamento permanente de dióxido de carbono (CO₂) no Brasil. Um novo estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) destaca que a tecnologia, que transforma o CO₂ capturado em minerais carbonáticos estáveis por meio da reação com determinadas rochas, pode contribuir para a estratégia nacional de descarbonização, especialmente em regiões com grande ocorrência de rochas máficas e ultramáficas.
Segundo a publicação, a Bacia do Paraná concentra atualmente o principal foco das pesquisas brasileiras sobre o tema. A região abriga os basaltos da Formação Serra Geral, considerados uma das maiores províncias ígneas do planeta, com empilhamentos vulcânicos que podem alcançar até 2.000 metros de espessura. Em áreas fraturadas, essas rochas apresentam características geológicas favoráveis para a circulação de fluidos e para as reações de carbonatação, processo que converte o CO₂ em minerais sólidos e estáveis.
Outro fator apontado pela EPE é a localização estratégica da bacia. Situada em uma das regiões mais industrializadas e populosas do país, ela está próxima de importantes fontes emissoras de CO₂, reduzindo os custos logísticos relacionados ao transporte do gás até os locais de armazenamento.
Apesar do potencial, o estudo ressalta que a implementação dessa tecnologia exige uma série de cuidados. Os basaltos da Formação Serra Geral fazem parte do Sistema Aquífero Serra Geral (SASG), um dos principais reservatórios de água doce do Brasil. Por isso, eventuais projetos de injeção de CO₂ devem ser realizados apenas em áreas hidrogeologicamente isoladas, afastadas de zonas de recarga e desconectadas de aquíferos superficiais, minimizando os riscos de migração do gás e de impactos aos recursos hídricos.
A EPE também destaca que o Brasil reúne condições geológicas favoráveis para a mineralização de carbono devido à ampla distribuição de rochas máficas e ultramáficas. Essas formações estão presentes em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tanto em terrenos geológicos antigos quanto em grandes províncias vulcânicas e bacias sedimentares.

Entretanto, a adoção da tecnologia em larga escala ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles estão os elevados custos da captura e do armazenamento de CO₂, a demanda energética dos processos e, no caso brasileiro, a necessidade de ampliar o mapeamento detalhado dos aquíferos para garantir a proteção dos reservatórios de água doce em áreas com potencial para mineralização.
De acordo com a EPE, o avanço da mineralização de carbono no país dependerá do desenvolvimento de técnicas e metodologias adaptadas às condições geológicas brasileiras, além da construção de arranjos institucionais que envolvam universidades, centros de pesquisa e empresas do setor energético. A expectativa é que esse esforço contribua para consolidar a tecnologia como uma alternativa complementar às demais soluções de captura e armazenamento de carbono, reforçando o papel do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono.

publicada em 22 de julho de 2026 às 5:00 




