EXÉRCITO BRASILEIRO VAI TESTAR ENERGIA SOLAR PELA PRIMEIRA VEZ PARA MOBILIZAÇÕES DE PELOTÕES

O Exército Brasileiro vai testar, pela primeira vez, um sistema de fornecimento de energia renovável voltado a mobilizações militares de pelotões (grupos formados, em média, por cerca de 30 militares). Quatro protótipos da tecnologia serão empregados em mobilizações de diferentes organizações militares, com o objetivo de suprir demandas como comunicações, iluminação e outras necessidades operacionais

O equipamento, batizado de Módulo de Energia de Campanha (MEC), consiste em uma plataforma móvel equipada com painéis solares para geração de energia elétrica e foi desenvolvido para garantir autonomia energética em operações e acampamentos, eliminando a necessidade do uso de geradores a diesel. A iniciativa é conduzida pela Diretoria de Material de Engenharia (DME). Projetado com foco em sustentabilidade, mobilidade e eficiência, o MEC é composto por seis painéis fotovoltaicos de 610 Wp cada, além de um sistema de armazenamento de energia de 20 kWh em baterias de lítio. Todo o conjunto é instalado sobre uma carreta de pequeno porte, o que facilita o transporte e permite rápida implantação em ambientes operacionais.

Durante o dia, o sistema converte a energia solar em eletricidade para consumo imediato e para o carregamento das baterias. À noite ou em períodos de baixa incidência solar, a energia armazenada garante o fornecimento contínuo, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e os impactos logísticos associados.

O diretor de Material de Engenharia, general de brigada Luís Cláudio Brion Cardoso, destacou os ganhos operacionais da iniciativa. Segundo ele, o fornecimento de energia renovável às tropas desdobradas no terreno elimina a necessidade de abastecimento de combustível para geradores, amplia a autonomia energética das frações empregadas e reduz a exposição de comboios logísticos. Além disso, a energia solar não gera ruído nem assinatura térmica, o que contribui para aumentar a capacidade de camuflagem das tropas.

O general ressaltou ainda que o Exército já utiliza sistemas de geração solar em apoio a indivíduos e a grupos menores que pelotões. A Força dispõe de equipamentos para uso individual, adquiridos por unidades como o Centro de Instrução de Guerra na Selva e o 2º Batalhão Ferroviário/Centro de Instrução de Engenharia, além de sistemas destinados a grupos de combate, como os empregados pela 12ª Companhia de Comunicações Aeromóvel e pelo 7º Batalhão de Engenharia de Combate, entre outras organizações militares. A Engenharia do Exército também desenvolve projetos com outras tecnologias, como turbinas eólicas e placas solares flexíveis.

Paralelamente, o Exército tem ampliado a instalação de usinas fotovoltaicas em quartéis em todo o país. Nos últimos sete anos, foram implantadas 27 usinas em unidades militares, gerando uma economia anual estimada em R$ 7,8 milhões. Desse total, sete usinas foram instaladas em Pelotões Especiais de Fronteira, localizados em áreas remotas e com acesso limitado à rede do Sistema Interligado Nacional. A iniciativa resulta ainda na economia de cerca de 360 mil litros de diesel por ano e, além dos benefícios ambientais, permite que a energia gerada nesses pelotões atenda também comunidades indígenas da região, associando preservação ambiental e promoção da cidadania.

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