ESPECIALISTA DIZ QUE PREÇOS DO LEILÃO DE RESERVA DESANIMAM O SETOR TERMELÉTRICO, MAS AMPLIAM COMPETITIVIDADE DE BATERIAS

A definição dos preços-teto dos Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP), previsto para os dias 18 e 20 março, deve  a alterar a dinâmica de competição entre as diferentes fontes no setor elétrico brasileiro. A avaliação é da Clean Energy Latin America (CELA), empresa de assessoria financeira e consultoria estratégica voltada a empresas e investidores na área de transição energética e descarbonização. Na visão da companhia, os valores definidos pelo Ministério de Minas e Energia — R$ 1,12 milhão por megawatt-ano (MW-ano) para a recontratação de termelétricas existentes, R$ 1,6 milhão por MW-ano para novos projetos a gás natural e R$ 1,4 milhão por MW-ano para projetos hidrelétricos — ficaram abaixo do esperado por uma parcela relevante dos agentes do mercado, especialmente aqueles ligados à expansão termelétrica.

Para a consultoria, há um desalinhamento entre os preços-teto divulgados e as premissas econômicas geralmente consideradas necessárias para viabilizar novos empreendimentos térmicos. Esse cenário levanta questionamentos sobre a atratividade do leilão para esse tipo de projeto e sobre a capacidade do certame de contratar nova potência a partir dessas fontes. A CEO da CELA, Camila Ramos, avalia que o novo patamar de preços redefine o ambiente competitivo do LRCAP e amplia o espaço para soluções associadas à flexibilidade e à rápida resposta do sistema. Nesse contexto, o armazenamento de energia por baterias (BESS, na sigla em inglês) desponta como uma alternativa alinhada ao desenho do leilão. “

Com os níveis atuais de investimento (CAPEX) e custos operacionais (OPEX), o armazenamento por baterias já se mostra competitivo dentro dos preços-teto anunciados. Nesse cenário, o BESS passa a disputar espaço não apenas com novas termelétricas, mas também com projetos hidrelétricos e, em alguns casos, com a recontratação de usinas existentes”, afirma.

Além da competitividade econômica, a CELA destaca os benefícios sistêmicos do armazenamento. As baterias oferecem resposta rápida, flexibilidade operacional e capacidade de atendimento aos picos de demanda, atributos considerados relevantes no período de transição do fim da tarde, quando a geração solar diminui e o sistema demanda recursos confiáveis de potência.

Outro aspecto apontado pela consultoria é o potencial do BESS para contribuir com a modicidade tarifária. Ao reduzir a dependência de soluções mais onerosas e emissoras em momentos de maior estresse do sistema, o armazenamento pode ajudar a conter custos para o consumidor final. Em escala, as baterias também podem atuar como carga em períodos de excedente de energia, contribuindo para a redução do curtailment e para o melhor aproveitamento da base renovável instalada.

O sinal econômico transmitido pelos preços-teto do LRCAP reforça a necessidade de avançar em modelos de contratação que valorizem atributos como flexibilidade, tempo de resposta e confiabilidade. Tecnologias como o armazenamento tendem a ter papel estratégico nesse novo arranjo do setor”, conclui Camila Ramos. A CELA avalia que os resultados do leilão de março serão decisivos para indicar como o mercado atenderá às necessidades futuras de potência do sistema elétrico brasileiro e de que forma as diferentes tecnologias se posicionarão nesse novo ambiente regulatório e econômico.

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