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FECHAMENTO DO ESTREITO DE ORMUZ AMEAÇA SUPRIMENTO DE GNL NA ÁSIA E JÁ CAUSA CORTES DE FORNECIMENTO NA ÍNDIA

O mercado de GNL do sul da Ásia enfrenta um forte choque de oferta após o fechamento do Estreito de Ormuz. A demanda regional deverá ficar entre 2 e 3 milhões de toneladas (Mt) menor até o terceiro trimestre de 2026, em comparação com as projeções anteriores à crise, à medida que os países da região enfrentam dificuldades para substituir os volumes do Catar, segundo nova análise da consultoria Wood Mackenzie que considera um cenário de dois meses de interrupção no fornecimento. O Catar, segundo maior exportador mundial de GNL, anunciou na semana passada a suspensão da produção em uma de suas instalações e declarou força maior nos embarques. Segundo a Wood Mackenzie, isso ameaça cerca de 20% da oferta global de GNL e cria forte pressão de abastecimento para os importadores do sul da Ásia. O 13º dia de guerra no Oriente Médio foi marcado por uma nova escalada dos ataques contra países da região. Dois petroleiros estão entre os navios incendiados em águas territoriais iraquianas nesta quinta-feira (12), situação que deixou novamente o preço do petróleo Brent acima de US$ 100 por barril.

A Índia depende do Catar para mais da metade de suas importações de GNL, enquanto o Paquistão obteve quase todo o seu GNL importado em 2025 do país. Já Bangladesh também depende fortemente de fornecedores do Golfo, com Catar e Emirados Árabes Unidos respondendo por quase três quartos de suas importações de GNL no ano passado. A consultoria havia projetado anteriormente que a demanda por GNL no sul da Ásia cresceria 2,7 Mt (7%) em 2026, mas o fechamento do Estreito de Ormuz por dois meses deve interromper essa expansão.

Agora é provável que a demanda por GNL nos mercados do sul da Ásia permaneça estável, na melhor das hipóteses”, afirmou Akshay Gupta, analista de pesquisa de gás e GNL da Wood Mackenzie. “Embora a região seja altamente dependente do GNL do Oriente Médio, os compradores do sul da Ásia terão dificuldade para substituir os volumes do Catar devido à maior concorrência por cargas spot disponíveis, o que elevou os preços do GNL para acima de US$ 20 por mmBtu”, acrescentou.

Além disso, o atraso nos mecanismos de precificação do GNL indexados ao petróleo significa que os preços contratuais subirão mais adiante no ano. Como a maioria dos contratos de GNL está ligada aos preços do petróleo com um atraso de três meses, os custos de importação para compradores do sul da Ásia devem aumentar a partir de junho de 2026, pressionando ainda mais as contas de energia da região.

DESAFIOS NA ÍNDIA, PAQUISTÃO E BANGLADESH

Segundo a Wood Mackenzie, a Índia obteve 59% de suas importações de GNL em 2025 (26 Mt) do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. O fechamento do Estreito de Ormuz pode reduzir até 1,45 Mt por mês das entregas de GNL, mas o país provavelmente tentará substituir apenas 50% desse déficit. A Petronet LNG declarou força maior para seus clientes, enquanto agregadores de gás como GAIL e GSPC devem reduzir o fornecimento para clientes industriais, priorizando setores considerados essenciais.

O racionamento de gás na indústria já começou após agregadores e distribuidoras reduzirem o fornecimento”, disse Gupta. “Setores intensivos em energia, como refino, petroquímica, vidro e cerâmica, enfrentam escassez de gás que pode reduzir a produção. A substituição por óleo também será desafiadora, considerando a dependência da Índia do Oriente Médio para importações de petróleo”, completou.

Guerra no Irã impacta fornecimento de GNL na Ásia

Já o Paquistão importou quase todo o seu GNL em 2025 (6,6 Mt) do Catar, deixando o país altamente exposto a interrupções no fornecimento. O país já havia cancelado 35 cargas para entrega em 2026 devido à demanda estagnada e ao aumento da disponibilidade de gás doméstico. A Wood Mackenzie estima que o fechamento do Estreito de Ormuz levará o Paquistão a reduzir ainda mais sua demanda por GNL, substituindo apenas metade dos volumes restantes do Catar. Distribuidoras de gás já reduziram as entregas reguladas de GNL regaseificado para priorizar o consumo doméstico.

Enquanto isso, Catar e Emirados Árabes Unidos foram responsáveis por fornecer 3,6 Mt, ou 63%, das importações de GNL de Bangladesh em 2025. A interrupção atual pode resultar na substituição de apenas metade desses volumes, devido aos altos preços no mercado spot. O choque de oferta desencadeou racionamento generalizado de gás na economia. A estatal Petrobangla impôs cortes diários de quatro horas no fornecimento de gás para postos de GNV, reduzindo a demanda no transporte rodoviário, enquanto fabricantes têxteis e de vestuário enfrentam reduções significativas na produção.

A disparada nos preços spot do GNL colocará forte pressão sobre o orçamento energético de Bangladesh, forçando compras mais caras enquanto o governo raciona o fornecimento para setores prioritários”, finalizou Gupta.

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