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PROTESTOS SE ALASTRAM EM CUBA COM A POPULAÇÃO SEM ÁGUA, ENERGIA, ALIMENTO E AINDA AMEAÇADA DE PRISÃO PELA DITADURA

No Oriente Médio os Estados Unidos vão liderando uma guerra contra o Irã, mas no Caribe, os olhos americanos não deixam de assistir a derrocada cubana a cada crepúsculo e o surgimento automático de protestos e da repressão da polícia política da ditadura castrista comandada por Miguel Diaz-Canel. A cada noite na escuridão, os protestos se multiplicam e a violência oficial também. Prisões diárias são realizadas. Relatos vindos de Havana e Ciego de Ávila descrevem protestos com panelas batendo, vizinhos nas ruas, pichações e crescente descontentamento com a crise energética, em meio a apagões cada vez piores. Relatos publicados nas redes sociais descrevem manifestações em diversos municípios de Havana e em cidades do interior, marcando o quinto dia consecutivo de agitação popular. Apareceram folhetos no município de Guanabacoa e protestos foram registrados na área de Corral Falso.

Montanhas de lixo foram queimadas, garrafas atiradas nas ruas, panelas batendo foram ouvidos em vários bairros da capital.  Em quase todos os bairros, em todos os quarteirões, as pessoas já estão protestando.  Muitas saem para a rua e outras permanecem dentro de suas casas, porque os cortes de energia duram mais de 20 horas. O jornalista cubano José Raúl Gallego compartilhou imagens de um  protesto nas redes sociais acompanhadas do comentário: “Havana sem medo”: “Aos poucos, o medo foi se perdendo, um dos principais pilares em que se baseia a ditadura cubana “, escreveu o jornalista ao comentar as imagens.

Outros usuários de redes sociais relataram protestos violentos em Santos Suárez,  Diez de Octubre, Pogolloti,  Marianao e Mantilla e em Arroyo Naranjo. Também foram relatados protestos no município de Regla, em Havana. Moradores de Ceballos se juntaram aos protestos batendo panelas. Um vizinho de uma área próxima explicou que os cortes de energia naquela região duram cerca de 15 horas por dia. O aumento dos protestos ocorre em meio à crescente agitação social na ilha. O Observatório Cubano de Conflitos Sociais (OCC) registrou 1.195 protestos e queixas públicas durante fevereiro, um aumento de 19,6% em comparação com janeiro.

O país atravessa uma profunda crise energética marcada pela escassez de combustível, falhas em usinas termelétricas e déficits de geração. O especialista Jorge Piñón, diretor do Programa de Energia para a América Latina e o Caribe da Universidade do Texas, alertou recentemente   que Cuba poderá enfrentar uma situação ainda mais grave caso não consiga garantir o fornecimento de combustível em curto prazo. Segundo o especialista, sem um acordo que garanta o fornecimento o país pode ficar sem recursos para manter seu sistema elétrico e de transporte. Março será crucial,  pois as reservas estão se esgotando.

OVOS REAPARECEM

Nesta quarta-feira (11) os ovos reapareceram brevemente nas adegas de Havana,  após meses sem que esse alimento   fosse distribuído pelo sistema de racionamento. No entanto, essa distribuição está sujeita a restrições de preço que nem todos podem pagar. O preço estava  “diferenciado“, com vendas regulamentadas e muito limitadas, embora cada unidade custe 63 pesos. Máximo de 10 ovos para cada família. O funcionário da adega oficial disse que “essa produção vem dos animais que temos na província. Primeiro, cumprimos as obrigações de venda em moeda estrangeira, que é o dinheiro que temos para comprar a ração para as galinhas, que já é importada a um preço alto. Dependendo do que for liberado devido ao cumprimento das metas de produção e à eficiência dos indicadores de produção, poderá ser distribuído para o restante dos territórios. Aspiramos a ter um número maior de animais, o que facilitará o aumento das vendas.” O preço de um ovo em Cuba gira em torno de 100 pesos por unidade, enquanto uma caixa com 30 ovos varia entre 2.700 e mais de 3.000 pesos, o que equivale a cerca de seis dólares pela taxa de câmbio do mercado informal.

RECUPERAÇÃO DE PATRIMÔNIOS

“Assim que tivermos as regras do jogo, seremos criativos na elaboração de cenários que sejam bons para todos“, afirma Jordi Cabarrocas, presidente da 1898 Compañía de Recuperaciones Patrimoniales. “Há circunstâncias completamente novas em Cuba, mas se houver regras do jogo em que possamos confiar, seremos muito criativos na elaboração de bons cenários para todos”, assegurou Jordi Cabarrocas, presidente da  1898 Compañia de Recuperaciones Patrimoniales (CRP). A CRP representa cerca de 500 famílias cubanas, espanholas e americanas que aderiram à sua plataforma para reaver propriedades confiscadas pelo regime de Havana.  Ele disse que as

As mansões tomadas pela ditadura castrista ficaram para os líderes “socialistas” da revolução de Fidel Castro

circunstâncias são completamente novas. Muitas vezes pareceu que a situação estava evoluindo, mas nada mudou. No entanto, estamos testemunhando um processo de degradação do próprio Estado cubano, em um estágio muito avançado de declínio. Isso já permeou a sociedade cubana.

“A Espanha sempre manteve esse duplo padrão. Por um lado, preservando as atividades das 300 empresas espanholas que faziam negócios em Cuba. E, aos poucos, esquecendo-se das famílias espanholas cujos bens foram confiscados, saqueados ou roubados diretamente pela revolução cubana. Isso funcionou até agora, claro, quando essas 300 empresas espanholas pararam de operar porque o sistema não paga mai. Tudo está falido,” afirmou

NOVE USINAS EM FRANGALHOS

Com nove usinas termoelétricas fora de operação,  em frangalhos, a  Union Nacional Elétrica (UNE)  diz testar  equipamentos de armazenamento de energia solar. A pressão  sobre o fornecimento de petróleo a Cuba obrigou as autoridades a acelerar o programa  para fontes  renováveis, um processo que não foi concluído conforme anunciado em 2025 e que agora busca avançar em ritmo mais acelerado, mas ainda está no papel e na garganta dos líderes da ditadura castrista. Nesse sentido, a estatal  anunciou que “os testes do processo de aquecimento sob carga começaram no país para a primeira unidade de um sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) na subestação El Cotorro, em Havana, o primeiro de quatro sistemas com capacidade total de 200 megawatts (MW)“. Ninguém viu, mas é a propaganda oficial.

Segundo reportagem do jornal oficial Granma,  que não mencionou quando essa tecnologia deverá estar operacional, cada um dos sistemas em teste terá capacidade de

Instalação para testes

armazenamento de 50 MW e funcionará “como um regulador instantâneo da frequência primária da rede elétrica e, em frações de segundo, a energia poderá ser injetada ou absorvida para neutralizar flutuações repentinas que, de outra forma, levariam a apagões massivos ou falhas técnicas”. Segundo a UNE, essas tecnologias de armazenamento de energia em baterias (BESS) serão fundamentais para o uso otimizado de fontes renováveis ​​no país, que se expandiram desde o ano passado, passando de cerca de 5% da produção nacional de energia para os atuais 10%.  O relatório da UNE indica que para cada 1.000 MW gerados por parques fotovoltaicos, são necessários pelo menos 100 MW de armazenamento em baterias, o que dá uma ideia da magnitude das tecnologias de armazenamento necessárias.

Por enquanto, em Havana, as baterias permitirão a absorção de 100% da energia gerada pelos parques solares projetados para  Guanabacoa, Cotorro e Boyeros, garante a UNE, que esclarece que o acima exposto não elimina automaticamente o déficit de geração que afeta a população.”Sua contribuição reside na resiliência do sistema. Ao estabilizar a tensão e a frequência, o risco de colapsos totais é significativamente reduzido e o risco de apagões massivos é minimizado.” Embora os meios de comunicação oficiais promovam a expansão da energia solar em Cuba, a geração de energia de base do país, que depende de usinas termoelétricas, está sofrendo uma deterioração crescente.

A União Nacional da Eletricidade (UNE) confirmou  que nove usinas elétricas estavam fora de serviço. Isso ocorreu após o déficit máximo de geração atingiu 1.937 MW, o que, segundo a entidade, foi “superior ao planejado devido ao fato de a Unidade 5 da Usina Termoelétrica de Renté não estar operacional”. A Unidade 5 da Central Termoelétrica de Mariel está fora de serviço; a Unidade 6 de Diez de Octubre, em Nuevitas; a Unidade 2 de Felton e as Unidades 5 e 6 de Renté, enquanto a Unidade 6 de Mariel, a Unidade 5 de Nuevitas e a Unidade 4 da central Carlos Manuel de Céspedes, em Cienfuegos, permanecem em manutenção. A essa lista deve-se acrescentar a unidade 2 da usina termelétrica de Santa Cruz del Norte, que, segundo as redes sociais da UNE, saiu de operação devido a uma “falha no sistema de regulação da turbina”.

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