FECHAMENTO DO ESTREITO DE ORMUZ E PARALISAÇÃO DE PLANTAS E CAMPOS NO ORIENTE MÉDIO RENOVAM EXPECTATIVA DE ELEVAÇÃO NO PREÇO DO BARRIL
O mercado do petróleo reagiu nervoso e guloso depois das ameaças iranianas de bombardearem qualquer petroleiro que ouse passar pelo Estreito de Ormuz. O barril Brent está sendo negociado esta manhã a US$ 80,19 e o WTI, a US$ 77,69. Uma alta de pouco mais de 8% em relação à tarde de ontem (2). Mesmo assim, longe das previsões catastróficas dos analistas internacionais que fizeram uma previsão de US$ 100 a US$ 120 dólares depois das Operações Leão Rugidor (Israel) e Fúria Épica (Estados Unidos). O confronto entra hoje em seu quarto dia e há sinais de que os ataques devem se intensificar. Israel lançou uma nova ofensiva na noite de ontem contra Teerã e emitiu um alerta de evacuação de pessoas ao sul de Beirute, no Líbano. Já o Departamento de Estado dos EUA pediu para os americanos “deixarem imediatamente” mais de uma dúzia de países do Oriente Médio. O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou que os EUA afundaram todos os navios de guerra do Irã. Em resumo: a tensão está no seu grau máximo e o destino do confronto na região é incerto. Por isso, empresas do setor de óleo e gás que atuam nos arredores do conflito já estão tendo que fechar operações diante da escalada dos ataques — aumentando ainda mais as projeções de elevação no preço do barril de petróleo.
Em Israel, por exemplo, o Ministério da Energia ordenou a paralisação temporária de alguns campos de gás natural do país. Os nomes dos ativos que foram afetados pela decisão não foram revelados. É quase uma reprise do que aconteceu no ano passado, quando Israel retaliou ataques iranianos, em junho. Na época, Israel fechou seu maior campo de gás, Leviatã, assim como o campo de Karish.
Em postura semelhante, no Golfo Pérsico, o Catar interrompeu sua produção de gás natural liquefeito na planta de Ras Laffan, após ser alvo de um ataque com drones iranianos. A unidade é a maior instalação de exportação do mundo e responde por cerca de um quinto do fornecimento global de GNL. Além disso, drones do Irã também atingiram a zona industrial de Mesaieed, no sul do Catar, onde existem instalações petroquímicas e de manufatura. O resultado veio rápido: os preços de referência do gás no atacado na Holanda e no Reino Unido subiram quase 50% na segunda-feira, enquanto os preços de referência do GNL na Ásia saltaram quase 39%.
Enquanto isso, na Arábia Saudita, a Aramco, suspendeu as operações na maior refinaria de petróleo do país, em Ras Tanura, na costa do Golfo Pérsico, após um ataque com drone na região. Houve um incêndio “limitado” na planta, causado por destroços da interceptação de dois drones que tinham como alvo as instalações, e o fogo foi “imediatamente contido“, informou a Agência de Imprensa Saudita.
BARRIL A 100 DÓLARES?
Na avaliação da Wood Mackenzie, o conflito no Oriente Médio deve elevar significativamente os preços do petróleo e do GNL. A consultoria lembra que o Estreito de Ormuz é a artéria por onde cerca de 15% do fornecimento global de petróleo flui, principalmente bruto e condensado, mas também matérias-primas petroquímicas, combustível para aviação e diesel. para lembrar, como noticiamos ontem, o Irã afirmou que a rota está fechada e ameçou queimar qualquer embarcação que tentar trafegar pela via.
Ainda segundo a Wood Mackenzie, a perda das exportações por conta do fechamento do estreito será significativa para o mercado global de petróleo. “A questão chave é quanto tempo até que os navios estejam livres para restabelecer os fluxos de exportação”, disse.
Embora os preços do barril tenham se aproximado do patamar de US$ 80 na segunda-feira, a consultoria ainda mantém a previsão que a commodity pode, eventualmente, chegar aos US$ 100. “ A alta dos preços do petróleo e do gás é certa, já que o fechamento do Estreito de Ormuz ameaça interromper 15% do fornecimento global de petróleo e 20% do fornecimento global de GNL, com os preços do petróleo podendo ultrapassar US$ 100 por barril se o fluxo de petroleiros não for rapidamente restabelecido”, previu.
DESDOBRAMENTOS NO BRASIL
Já no Brasil, a Petrobrás anunciou ontem que consegue minimizar os efeitos do conflito em suas operações de importação e exportação. Apesar disso, analistas apontam que o país deve tirar uma lição dos acontecimentos no Oriente Médio e reforçar sua capacidade de refino, bem como ampliar as reservas de petróleo. Para o Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o bloqueio do Estreito de Ormuz, se mantido, produzirá a elevação dos preços internacionais de petróleo e gás natural e de outros bens que utilizam aquela rota, como é o caso dos fertilizantes.
“No Brasil, a afirmação da soberania nacional deve se dar por meio de ações concretas que passam por garantir o abastecimento nacional em tempos de paz ou de guerra. Nesse sentido, a exploração de novas reservas de petróleo e a ampliação da capacidade de refino são medidas econômicas relevantes, mas sobretudo, medidas de segurança e soberania nacional. No caso dos fertilizantes, a situação é ainda mais grave, uma vez que a dependência externa de fertilizantes ultrapassa 85%”, destacou.
Em meio a uma crise profunda do multilateralismo e sob os impactos de uma nova escalada bélica no Oriente Médio, o Ineep afirma que o Brasil deve buscar o seu interesse nacional, aumentar a capacidade produtiva e a internalização de bens e insumos estratégicos à sua economia e segurança nacional. “Nesse sentido, o país deve acelerar investimentos e medidas para produção de combustíveis, sobretudo de diesel e de fertilizantes nitrogenados”, concluiu o Ineep.

publicada em 3 de março de 2026 às 5:00 







