MOVIMENTO DA PETROBRÁS EM GANA ACOMPANHA NOVA ONDA DE INTERESSE NO UPSTREAM NA ÁFRICA
O interesse da Petrobrás por novas fronteiras exploratórias na África não é um movimento isolado. A entrada em negociação de blocos offshore em Gana ocorre em meio a uma retomada mais ampla do interesse das empresas de petróleo e gás pelo continente, que vem se consolidando como um dos principais focos da expansão global do setor de exploração e produção (upstream).
Levantamento da Enverus Intelligence Research (EIR), subsidiária da Enverus, identificou 187 entradas ou retornos de empresas em diferentes países, concluídos ou em análise, entre o primeiro semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026. A África concentrou cerca de 50% das novas entradas no upstream no período, com destaque para a África Ocidental e as atividades em águas profundas ao longo da Margem Atlântica.
O interesse está fortemente concentrado na África Ocidental, liderado por atividades em águas profundas ao longo da Margem Atlântica. Os mercados do Norte da África também voltaram a atrair atenção, impulsionados por iniciativas governamentais para captar investimentos internacionais, incluindo a realização de novas rodadas de licitação de áreas.
A corrida por novas áreas reflete uma mudança mais ampla em direção à exploração orgânica. A redução da vida útil das reservas, os níveis mais baixos de investimentos em exploração na última década e a diminuição do número de ativos adequados disponíveis para aquisição estão aumentando a importância da descoberta de novos recursos.
É nesse cenário que a Petrobrás recentemente apresentou manifestação de interesse em blocos exploratórios localizados em áreas offshore da Bacia de Keta, em Gana, país situado na costa oeste da África. O Ministério de Energia e Transição Verde de Gana aprovou a aplicação para negociação de contratos de exploração em quatro blocos. Com a aprovação, a Petrobrás ingressa na fase de negociação direta dos termos dos contratos de exploração.
A EIR, porém, destaca que a atual onda de entradas deve ser entendida mais como um ciclo de avaliação de oportunidades do que como um ciclo de perfuração. As empresas estão reconstruindo seus estoques exploratórios enquanto preservam flexibilidade para alocar capital.
Grandes operadoras estão recorrendo cada vez mais a acordos de acesso em estágios iniciais, incluindo licenças de reconhecimento e memorandos de entendimento (MoUs), para avaliar grandes extensões de áreas e, ao mesmo tempo, limitar compromissos financeiros iniciais. Essas estruturas permitem que as companhias analisem oportunidades em escala, selecionem os ativos mais promissores de seus portfólios e avancem apenas com aqueles considerados mais relevantes.
“A África se tornou o centro da expansão dos portfólios de upstream, mas o verdadeiro teste do apetite pela exploração virá quando as grandes operadoras precisarem passar da tomada de opções para a alocação de capital. À medida que os acordos de acesso em estágio inicial amadurecerem, os principais indicadores serão quantos deles se transformarão em licenças de exploração completas, quais compromissos de perfuração essas licenças exigirão e quanto das áreas acabará sendo devolvido ao mercado para que outras empresas possam explorá-las”, afirmou Jimmy Boulter, gerente regional sênior para a África Subsaariana da EIR.

publicada em 1 de setembro de 2026 às 4:00 




