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MARCOS RUBIO ESTÁ MANTENDO CONVERSAÇÕES SOBRE CUBA COM O NETO MILIONÁRIO DE FIDEL CASTRO, CORONEL DO EXÉRCITO

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, está mantendo conversas secretas com o coronel cubano Raúl Guillermo Rodríguez Castro(foto principal), neto de Raúl Castro, hoje com 94 anos, irmão de Fidel, mas ainda com poder em todo país. As conversas são demonstrações  de uma  aproximação em meio aos esforços do governo Trump para promover mudanças na ilha comunista. O coronel, de 41 anos, conhecido como “El Cangrejo” (O Caranguejo), era o chefe de segurança pessoal quando seu avô, Raúl Castro, era presidente e ainda é seu guarda-costas e braço direito, aparecendo sempre próximo ao debilitado líder cubano quando está em público. Ele  também é o membro da família Castro que supervisiona os interesses da família no vasto império empresarial das Forças Armadas cubanas.

As conversas, foram confirmadas pelo jornal norte-americano Miami Herald por uma fonte com conhecimento do assunto, que pediu anonimato para discutir a questão que parece internamente ser muito delicada. “Eu não chamaria isso de ‘negociações’, mas sim de ‘discussões’ sobre o futuro”, disse um alto funcionário do governo Trump. O presidente Donald Trump afirmou novamente que seu governo estava em negociações com Cuba, lideradas por Rubio (direita)pelo lado americano. Ele tem pressionado os líderes cubanos a chegarem a um acordo após ter interrompido o fornecimento de petróleo de Cuba proveniente da Venezuela e do México. Após a captura do ditador sanguinário e usurpador venezuelano Nicolás Maduro pelas forças americanas, funcionários do governo têm questionado se existe uma versão cubana de Delcy Rodríguez, a presidente interina da Venezuela que parece estar se alinhada com Trump em importantes exigências dos EUA. A decisão oficial ontem(19) pela Anistia Geral aos presos políticos, foi uma exigência americana, cumprida pela Câmara da Venezuela.

Mesmo sem um título oficial, Raúl Castro continua sendo a autoridade máxima de Cuba, e seu sucessor escolhido a dedo, Miguel Díaz-Canel(esquerda), é visto há muito tempo por especialistas em Cuba e autoridades americanas como uma figura decorativa sem poder para decidir se deve ou não iniciar negociações com os Estados Unidos. Houve ocasiões em que decisões tomadas por Díaz-Canel foram anuladas por membros da família Castro, a verdadeira “proprietária” do país. Uma questão em aberto, segundo a pessoa com conhecimento das conversas entre Rubio e Rodríguez Castro, é o quanto de poder real o neto de Castro detém. Ele não ocupa nenhum cargo oficial de alto escalão no governo ou no Partido Comunista, e não tem assento na Assembleia Nacional. Mas ele é o guardião de Raúl Castro e supervisiona os interesses da família na GAESA, o conglomerado militar que controla grande parte da economia do país e a maioria das fontes de receita externa.

O Coronel Rodríguez Castro é filho do falecido General Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, que chefiou a GAESA até sua morte repentina em 2022. Documentos contábeis confidenciais da GAESA, obtidos pelo Miami Herald, revelaram que o conglomerado declarou possuir cerca de US$ 18 bilhões em ativos circulantes em março de 2024, em contas bancárias desconhecidas. Uma fonte com conhecimento dos negócios da GAESA, que pediu para não ser identificada por medo de represálias, disse ao jornal que Rodríguez Castro tem sido presença frequente nas reuniões da GAESA e esteve pessoalmente envolvido em muitas de suas práticas comerciais obscuras, incluindo aquelas com o empresário panamenho Ramón Carretero Napolitano. Enfim, as ditaduras não falham. Repetem sempre o mesmo roteiro dos assaltos aos Estados que comandam.

Uma das empresas de Carretero, a Corporación Logística del Caribe, que obteve contratos milionários do governo venezuelano, também está registrada em Cuba. Rodríguez Castro é identificado desde pelo menos 2023 como passageiro frequente de jatos particulares com destino ao Panamá, onde a CIMEX, maior empresa controladora da GAESA, está registrada. Registros obtidos pelo jornal panamenho La Prensa e pelo portal venezuelano ArmandoInfo mostram que Rodríguez Castro voou 13 vezes para o Panamá em 2024 e pelo menos 10 vezes no ano seguinte, às vezes utilizando o mesmo jato particular usado por Carretero. Pelo menos uma vez, em maio de 2024, Rodríguez Castro viajou com a Brigadeira-General Ania Guillermina Lastres Morera( esquerda – abaixo), atual presidente da GAESA.

 Rodríguez Castro “é um polvo. Ele tem tentáculos em tudo que envolve dinheiro”, disse a fonte com conhecimento dos negócios internos da GAESA. Não está claro se os papéis não oficiais de Rodríguez Castro lhe dariam influência suficiente para negociar mudanças em nome de Cuba, ou mesmo em nome da família Castro. Mas o governo o vê como uma porta de entrada melhor para a poderosa família do que seu tio, o coronel Alejandro Castro Espín, que negociou uma abertura com os enviados do presidente Barack Obama. Castro Espín, autor do livro “Império do Terror”, uma referência aos Estados Unidos, é considerado pela atual administração como um linha-dura. Em suas memórias, o ex-diretor da CIA, John Brennan, descreveu Castro Espín como ideológico e preso ao passado.

Rodríguez Castro não esconde seu gosto por um estilo de vida luxuoso. Ele já foi notícia em Miami por aparecer em iates e hotéis de luxo. Era frequentador assíduo das boates de Havana e fã do grupo cubano de reggaeton Gente de Zona. “Parece que estamos em Miami”, ele diz em um vídeo gravado em um iate. Cubanos comuns não têm permissão para embarcar em iates. Mas mesmo a elite cubana terá dificuldades em manter um estilo de vida luxuoso, dada a grave crise econômica do país e a falta de perspectivas de uma saída sem reformas significativas, após Cuba perder seu patrono venezuelano. Do lado americano, Rubio sinalizou que está pressionando por mudanças econômicas em Cuba como um primeiro passo que as autoridades cubanas precisam dar para aliviar a pressão de Washington. “Acho que essa abertura precisa acontecer, e acredito que Cuba está enfrentando uma situação tão crítica agora que certamente, a disposição deles em começar a se abrir nesse sentido é um caminho possível a seguir.

O Ministério das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez(direita), após negativas iniciais, disse que as autoridades cubanas reconheceram “trocas de mensagens” com o governo Trump, mas negaram negociações em andamento. Se as tentativas de diálogo entre os dois países fracassarem, Cuba terá poucas opções. A crise humanitária em curso agravou-se após a interrupção do fornecimento de petróleo. Cuba ficou sem combustível de aviação, o que levou ao cancelamento de voos e à evacuação de turistas. A GAESA, importante operadora turística do país, fechou vários hotéis. Os apagões duram dias, o transporte público está paralisado, o lixo se acumula nas ruas e cirurgias não emergenciais foram suspensas. Milhares de pessoas correm o risco de perder o emprego em breve, com a economia do país paralisada. Em Miami, republicanos cubano-americanos no Congresso e autoridades locais têm defendido uma abordagem de máxima pressão, instando o governo a cortar voos para Cuba e suspender as licenças de exportação que autorizam algumas empresas americanas a fazer negócios com a ilha. Eles também têm pedido a acusação formal de Raúl Castro pelo abate, em 1996, de um avião da organização Irmãos ao Resgate, que matou quatro pessoas, incluindo cidadãos americanos. E é improvável que os aliados tradicionais de Cuba financiem o país.

A notícia das negociações surgiu quando o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, chegou a Moscou na quarta-feira para se encontrar com seu homólogo, Sergey Lavrov(esquerda), após visitar as capitais da China, do Vietnã e da Espanha em um esforço para garantir apoio. Mas, durante muitos anos, os aliados de Cuba defenderam reformas econômicas na ilha e, embora demonstrassem solidariedade simbólica, suspenderam o crédito a empresas cubanas. A Rússia prometeu apoio a Havana, mas evitou dar detalhes. E mesmo antes do início da reunião dos ministros das Relações Exteriores, Lavrov pressionou seu homólogo cubano a iniciar negociações com os Estados Unidos. “Juntamente com a maioria dos membros da comunidade internacional, apelamos aos Estados Unidos para que demonstrem bom senso e uma abordagem responsável, e para que se abstenham de planos para impor um bloqueio naval à Ilha da Liberdade”, disse Lavrov, segundo a agência de notícias estatal russa TASS.Estamos bem cientes de que nossos amigos cubanos estão sempre preparados para negociações sinceras como essas e, por nossa vez, continuaremos a apoiar inabalavelmente Cuba e o povo cubano na defesa de sua soberania e segurança.”

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