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NA RECONSTRUÇÃO DA INDÚSTRIA DO PETRÓLEO DA VENEZUELA, A CHEVRON LEVARÁ GRANDE VANTAGEM. O FUTURO DA PDVSA É UM MISTÉRIO

A Casa Branca informou às empresas petrolíferas americanas que elas devem reconstruir a infraestrutura de bombeamento de petróleo bruto da Venezuela se quiserem ser indenizadas pelos bens confiscados por Caracas. Uma mensagem direta, principalmente para a Connoco Philips e para a ExxonMobil, que perderam seus ativos sem indenização tomados pelo governo do então ditador venezuelano Hugo Chavez, que antecedeu o ditador sanguinário e usurpador, Nicolás Maduro, preso pelo Exército americano depois de uma operação espetacular que, com certeza, em breve estará revelada pelo cinema de Hollywood. As companhias petrolíferas americanas há muito esperam recuperar os ativos das quais o regime autoritário da Venezuela lhes confiscou décadas atrás. Para iniciar esta reconstrução, a Chevron está levando uma grande vantagem, porque ela foi a única empresa de petróleo americana que não deixou de trabalhar na Venezuela.

Autoridades do governo norte-americano disseram nas últimas semanas a executivos do setor petrolífero que, se quiserem ser indenizados por suas plataformas, oleodutos e outros bens confiscados, precisam estar preparados para retornar à Venezuela imediatamente e investir pesadamente na revitalização da devastada indústria petrolífera do país. A situação da infraestrutura petrolífera venezuelana, em frangalhos, vai exigir muito dinheiro nos investimentos. A Venezuela pode até ter as maiores reservas de petróleo do mundo, maiores até do que a Arábia Saudita. Mas seu petróleo é pesado, do tipo API 10,  que exige muita nafta e dutos aquecidos para o seu refino. Isto significa mais custos para a sua exploração.

A proposta está em cima da mesa, mas a infraestrutura atual está tão deteriorada que ninguém nessas empresas consegue avaliar adequadamente o que é necessário para torná-la operacional. A Chevron tem uma vantagem, porque é a única empresa dos Estados Unidos que opera na Venezuela, mesmo com todas as dificuldades. Sem ela a Venezuela estaria numa situação ainda pior para produzir petróleo. O presidente Donald Trump sugeriu que espera que as empresas petrolíferas americanas invistam grandes quantias de dinheiro na Venezuela. “Nossas gigantescas companhias petrolíferas americanas, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, disse Trump ao comemorar a captura do ditador venezuelano.

Para lembrar, já se passaram cinco décadas desde que o governo venezuelano nacionalizou pela primeira vez a indústria petrolífera e quase 20 anos desde que o ex-presidente Hugo Chávez ampliou as apreensões de bens. O país possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua infraestrutura petrolífera se deteriorou em meio a anos de má gestão e investimentos insuficientes. Até o momento, o governo não apresentou qual será seu plano de longo prazo, ou sequer se tem um. Por isso, a expectativa nos próximos dias vai depender muito de como os Estados Unidos vão administrar a situação. Os generais corruptos e ligados ao Cartel de Los Soles continuam no poder. Os narcotraficantes do Tren de Aragua podem estar mais recolhidos, mas ainda estão ativos.

Ainda não está claro se existe um plano específico além da decisão principal de que, em um regime pós-Maduro e compatível com Trump, as empresas americanas estarão no topo da lista para reentrar no país. Uma das principais preocupações dos executivos da indústria americana é se o governo pode garantir a segurança dos funcionários e dos equipamentos que as empresas precisariam enviar para a Venezuela. Como essas empresas seriam remuneradas se os preços do petróleo subirão o suficiente para tornar o petróleo bruto venezuelano lucrativo e qual será a situação da Venezuela como membro da OPEP+.  O preço de referência do petróleo nos EUA está em torno  de US$ 61 o barril, com uma leve subida nesta manhã (5).  Ontem (4) a OPEP+ decidiu manter a produção estável até o dia 1º de fevereiro, quando haverá uma nova reunião dos oito membros.

A Casa Branca continua a dizer que vai reconstruir a infraestrutura petrolífera, o que requer bilhões de dólares que serão pagos diretamente pelas companhias de petróleo. “Elas serão reembolsadas pelo trabalho que estão fazendo, mas o pagamento será feito e vamos fazer o petróleo voltar a fluir.” A iniciativa do governo em relação aos executivos das empresas petrolíferas americanas permanece ainda na fase inicial. A Chevron, no entanto, leva muita vantagem. Para lembrar, a produção de petróleo da Venezuela caiu para menos de um terço dos 3,5 milhões de barris por dia que produzia na década de 1970, e a infraestrutura utilizada para explorar suas reservas de 300 bilhões de barris deteriorou-se nas últimas duas décadas. Hoje, não passa de 700 mil barris.

Há também a questão da estatal A PDVSA. O que acontecerá com ela? Será privatizada ou desmembrada? Sabe-se que com certeza ela não será a mesma. Poderá haver uma reformulação completa da liderança da companhia com muita influência de profissionais internacionais ligados aos Estados Unidos. Por enquanto, não há planos de desestatização ou de venda da empresa. A Chevron, única grande empresa petrolífera que ainda opera na Venezuela sob uma licença especial do governo dos EUA, afirmou em um comunicado que “continua focada na segurança e no bem-estar de nossos funcionários, bem como na integridade de nossos ativos. Continuamos a operar em total conformidade com todas as leis e regulamentações aplicáveis”, afirmou Bill Turenne (direita), porta-voz da companhia.

Muitos consideram a Venezuela um investimento a longo prazo, dados os baixos preços atuais do petróleo e os enormes investimentos de capital necessários para modernizar a sua infraestrutura. Mas, à medida que as regiões de petróleo de xisto dos EUA, que fizeram do país o maior produtor mundial de petróleo, se esgotarem com o tempo, ficará cada vez mais econômico exportar petróleo bruto pesado venezuelano para as refinarias da Costa do Golfo, construídas especificamente para processá-lo. A Venezuela seria uma joia na coroa se o risco fosse eliminado.

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