NAO DELETAR
HMFLOW

NOVOS ATAQUES DO IRÃ VÃO AMPLIAR AINDA MAIS O PRAZO PARA RECUPERAÇÃO E REINÍCIO DE PRODUÇÃO NA MAIOR INSTALAÇÃO DE GNL DO MUNDO

Os ataques com mísseis à Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar, vão além dos extensos danos e incêndios.  A investida do Irã contra a unidade não apenas escala ainda mais a tensão no Oriente Médio, como também pode alterar fundamentalmente as perspectivas do mercado global de gás, de acordo com uma análise da Wood Mackenzie publicada hoje. A usina de GNL está com produção paralisada desde o início do mês após um ataque de drones iranianos no dia 2. Agora, com as novas investidas, as expectativas iniciais de uma interrupção de dois meses na planta provavelmente serão superadas.

Antes dos ataques, a Wood Mackenzie previa de quatro a seis semanas para que a produção de GNL do Catar atingisse a capacidade total, com base em um cenário de três dias para reiniciar as operações de exploração e produção e sete dias para aumentar a produção por unidade de liquefação. Agora, espera-se que o cronograma se estenda, dependendo da extensão dos danos e dos reparos necessários.

O ataque desta semana danificou a instalação Pearl GTL e causou mais danos a várias instalações de GNL. Uma avaliação mais aprofundada será necessária para compreender o impacto total. A paralisação da produção de GNL no Catar retirou aproximadamente 80 milhões de toneladas por ano (Mtpa), cerca de 19% da oferta global de GNL do mercado. A expansão do Campo Norte Leste, em construção, que adicionaria 32 milhões de toneladas por ano, estava prevista para entrar em operação em novembro de 2026, mas agora enfrenta possíveis atrasos que podem remodelar as expectativas de crescimento da oferta até 2027-2028.

As expectativas do mercado eram de uma breve interrupção, com uma retomada controlada restaurando o fornecimento aos níveis pré-conflito até meados de 2026. Essa perspectiva agora parece cada vez mais improvável”, disse Kristy Kramer, Chefe de Estratégia e Desenvolvimento de Mercado de GNL. “Uma interrupção mais prolongada restringiria ainda mais a oferta global e manteria os preços elevados por mais tempo”, acrescentou

Antes do conflito no Oriente Médio, a Wood Mackenzie previa que a oferta global de GNL cresceria 35 milhões de toneladas em 2026. Com o Catar produzindo uma média de 6,7 milhões de toneladas por mês em 2025, uma interrupção de cinco a seis meses levaria a oferta global anual a um declínio em relação ao ano anterior.

Mesmo que a oferta fosse mantida nos níveis de 2025, o mercado ainda enfrentaria uma queda na demanda na Ásia, menores injeções de gás natural nos estoques da Europa e uma pressão ascendente contínua sobre os preços do gás e do GNL”, disse Daniel Toleman, diretor de pesquisa global de GNL da Wood Mackenzie. “Cada mês adicional de interrupção reduz em cerca de 1,5% a disponibilidade global anual de GNL”, finalizou.

O projeto de expansão North Field East, que deve adicionar 32 milhões de toneladas por ano de capacidade, já havia sido adiado para 2027 antes dos ataques. Novos atrasos restringiriam o crescimento da oferta até 2027-2028, limitando a capacidade de reequilíbrio do mercado.

Com a oferta cada vez mais restrita, espera-se que as operadoras de GNL maximizem a produção em suas instalações existentes. A manutenção programada, estimada em 5 milhões de toneladas no segundo trimestre de 2026 antes da guerra, provavelmente será adiada sempre que possível, já que as operadoras priorizam a produção.

A geopolítica continua a moldar os mercados de gás e GNL e, apesar da grande escala do setor, ele carece de flexibilidade para absorver grandes interrupções, o que gera volatilidade no mercado”, acrescentou Kramer. “A forma como o setor responderá a esse evento variará, mas esperamos que os compradores priorizem a segurança do fornecimento de GNL, com um foco renovado na diversificação”, concluiu.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários