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O DEBATE SOBRE A AMPLIAÇÃO DO MERCADO DO HIDROGÊNIO VERDE TRAZ PARA SÃO PAULO O HYVOLUTION, O MAIOR EVENTO DO SETOR

Começa na próxima terça-feira (16) e termina na quarta (17),  em  São Paulo,  o Hyvolution Brasil, o maior evento dedicado ao mercado de hidrogênio e descarbonização. Ele será realizado no Distrito Anhembi, reúne autoridades governamentais, líderes empresariais, investidores e especialistas de mais de 20 países, com entrada gratuita para visitantes credenciados. Em um momento em que a transição energética global avança de forma acelerada e o hidrogênio consolida-se como vetor estratégico para a descarbonização de setores industriais. De acordo com o último relatório de perspectivas energéticas da Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil tem potencial para alcançar até 41 GW de capacidade equivalente de produção de hidrogênio até 2030. O hidrogênio verde produzido no país pode atingir um dos custos mais competitivos do mundo na próxima década, impulsionado pela combinação de matriz elétrica majoritariamente renovável, abundância de recursos eólicos e solares e uma base industrial consolidada. A Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) também reconhece o Brasil entre os países com maior vantagem comparativa para produção de hidrogênio de baixo custo, dada a integração crescente de fontes renováveis à sua matriz e os custos decrescentes de eletrolisadores.

O setor brasileiro de hidrogênio superou a fase de prospecção e avança para a concretização de projetos em escala. São mais de 100 iniciativas em desenvolvimento no país, com investimentos que superam R$ 469 bilhões, segundo o Clean Energy Latin America – CELA, dos quais cerca de R$ 63 bilhões têm execução prevista no curto prazo. Hubs industriais e portuários estratégicos, como o Complexo do Pecém (CE), o Porto de Suape (PE), o Complexo do Açu (RJ) e novos polos no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais, já posicionam o Brasil como referência global não apenas na produção, mas também na exportação de hidrogênio e seus derivados, especialmente amônia verde.

O avanço do ambiente regulatório acompanha esse movimento. A estruturação do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), a evolução das diretrizes para certificação de origem e a integração do tema à agenda de descarbonização e mercado de carbono constroem o arcabouço necessário para a atração de investimentos de escala industrial, especialmente em iniciativas voltadas à exportação e à integração com cadeias globais de energia. O Hyvolution é reconhecido internacionalmente como a principal plataforma do setor de hidrogênio. Com edições anuais consolidadas na França, no Canadá e no Chile, onde reúne anualmente dezenas de milhares de profissionais, empresas e autoridades envolvidas na transformação da matriz energética global, o evento expande-se em 2026 para o Brasil e a Índia, marcando a chegada a economias emergentes com elevado potencial de liderança na produção de hidrogênio renovável.

Para a GL events, multinacional francesa e promotora e organizadora do evento, a escolha do Brasil é estratégica. “O país vive um momento em que decisões estratégicas estão sendo tomadas e o posicionamento dos principais players ainda está em construção. Este cenário torna o encontro um ambiente decisivo para geração de negócios, formação de parcerias e definição dos próximos movimentos do setor e especialmente, posiciona o Brasil frente a outros países na corrida pela produção do hidrogênio renovável“, avalia Tatiana Zaccaro, diretora-geral da GL events Exhibitions.

Pierre Buchou, diretor do eixo de sustentabilidade da GL events França, destaca os ativos do país: “O Brasil reúne hoje uma combinação única de fatores que o posicionam no centro da nova economia do hidrogênio: abundância de energias renováveis, ambiente regulatório em evolução e um pipeline robusto de projetos. Trazer o Hyvolution para o país é uma resposta direta a esse movimento global e à crescente demanda por conexões estratégicas entre investidores, indústria e governos.”

No coração do Hyvolution Brasil está o HySummit, arena de conteúdo com mais de 100 especialistas nacionais e internacionais confirmados para debater os temas centrais da transição energética. A programação abrange desde a viabilidade econômica dos projetos e modelos de financiamento até regulação, inovação tecnológica e aplicações industriais em setores como siderurgia, fertilizantes, aviação, navegação e indústria química.A presença da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na grade de painéis reforça a dimensão institucional do encontro. Heloísa Borges, diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, traz ao debate o olhar do planejamento energético de longo prazo do país, sinalizando o alinhamento entre a agenda nacional e os movimentos globais da transição energética.

Entre os painéis de destaque está a sessão de abertura “Como lidar com o novo ‘realismo’ do mercado de hidrogênio de baixa emissão?”, que reúne Alexandra Steckmest (Casa dos Ventos), Jeferson Soares (assessor de diretoria da EPE) e Fernanda Delgado (CEO da ABIHV), com moderação de Eduardo Tobias, fundador e sócio-diretor da Watt Capital. O painel discute os desafios concretos para viabilização de projetos, licenciamento socioambiental, desenvolvimento de demanda e estruturação de contratos de longo prazo com compradores.

O painel “O encontro global das associações de hidrogênio” coloca lado a lado líderes da França, Holanda e Brasil, Jan-Erik Starlander(direita) (France Hydrogène), Fernanda Delgado (ABIHV) e Tristan Seubers (NLHydrogen), para compartilhar como cada ecossistema evolui e onde residem as oportunidades concretas de colaboração internacional, com moderação de Nuria Hartmann, gerente da Hinicio Chile e vice-presidente da Associação Chilena de Hidrogênio (H2Chile).

A agenda contempla ainda: “Fertilizantes no Brasil: descarbonização e o papel do hidrogênio“, com a ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu e Lieven Cooreman (esquerda), CEO Global da Atlas Agro; “Hidrogênio de baixa emissão no Brasil: status atual e desafios para escalabilidade“, com Luis Viga (Fortescue Brasil), Ludmila Nascimento (Green Energy Park Brasil), Elliot Wingate (Nel Hydrogen) e Ricardo Junqueira (Grupo GoVerde); “Mecanismos público-privados para acelerar o mercado de hidrogênio”, com Marco Diogo (Banco Europeu no Brasil), Carlos Antonio Costa (Banco Mundial) e Nicolas Masson (Comissão Europeia); “Navegação marítima e corredores de descarbonização”, com Sidnei Aranha (Autoridade Portuária de Santos) e Estela Luck (Canal do Panamá); e “Brasil: o líder da América Latina na produção de SAF?”, com Michelle Carvalho (Petrobrás), Raquel Argentino (LATAM Brasil) e Isabela Koletzke (H2Uppp).

 A integração do Carbon Capture Expo South America à programação do HySummit amplia o escopo do evento e posiciona o hidrogênio dentro de uma agenda mais ampla de descarbonização industrial. Sessões como “CCS no Brasil: oportunidades de investimento e caminhos para escala” e “Desenvolvimento de projetos de CCS e avanços tecnológicos”, com representantes da EPE, SLB e Vallourec, e moderação da Associação CCS Brasil, reforçam a abordagem multitecnológica do evento, conectando captura de carbono, hidrogênio verde e descarbonização industrial em uma única plataforma.

 

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