O MUNDO AINDA VAI ESPERAR ALGUNS ANOS ATÉ PODER DESFRUTAR DE UM REATOR QUE SEJA CAPAZ FAZER A FUSÃO NUCLEAR EM SEGURANÇA
Muito se tem falado sobre a tecnologia da fusão nuclear para a geração de energia, mas ela pode ser realidade? Enquanto tempo? Hoje, há muitos projetos sendo desenvolvidos pelo mundo, mas nenhum deles se tornou ao que chamamos de verdade verdadeira. O Petronotícias procurou o engenheiro Leonam Guimarães, ex-presidente da Eletronuclear, Diretor Técnico da Abdan e um dos conselheiros da Agência Internacional de Energia Atômica, na gestão do argentino Rafael Grossi, para ajudar a entender essa ainda nova tecnologia do mundo nuclear local.
– Como o senhor vê o desenvolvimento da Energia por Fusão Nuclear e qual a diferença da que existe hoje no mundo?
– Olha, atualmente, o estado da arte dos reatores de fusão nuclear pode ser resumido da seguinte forma: a viabilidade científica foi demonstrada,
mas a viabilidade comercial ainda não foi alcançada. De maneira mais precisa, dispositivos experimentais como Tokamaks e stellarators conseguiram produzir plasmas de fusão controlados, atingindo temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius e, em experimentos específicos, alcançando ganhos líquidos de energia de curta duração no nível do plasma. Entretanto, nenhum sistema demonstrou até o momento operação sustentada e contínua com equilíbrio energético positivo quando se considera o balanço completo da instalação, incluindo sistemas de aquecimento, ímãs, criogenia e consumo elétrico auxiliar.
– Quem está desenvolvendo esta tecnologia Atualmente?
– Os principais projetos de reatores de fusão nuclear em desenvolvimento hoje, públicos e privados, incluem, entre outros, os seguintes:
1- ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor) É o maior experimento de fusão do mundo, em construção no sul da França, com o objetivo de demonstrar plasma de fusão em escala científica e produzir mais energia do que a necessária para aquecer o plasma (ganho energético Q≥10);
2- JT-60SA — Tokamak de grande porte no Japão (desenvolvido em cooperação com a Europa) projetado para operar com plasmas muito quentes por períodos relativamente longos e fornecer dados fundamentais para projetos posteriores, incluindo DEMO;
3- EAST (China Experimental Advanced Superconducting Tokamak) — grande Tokamak chinês focado em operação de longa duração e
desenvolvimento de tecnologias essenciais para fusão contínua;
4- Wendelstein 7-X (stellarator) — aparelho experimental na Alemanha que investiga a configuração de campo magnético stellarator, com o objetivo de melhorar a estabilidade do plasma e estender o tempo de operação;
5- CFETR (China Fusion Engineering Test Reactor) — Projeto de Tokamak de próxima geração na China, planejado para fechar a lacuna entre o ITER e reatores de demonstração como DEMO, com foco em operação sustentada e produção de trítio;
6- SPARC (Commonwealth Fusion Systems / MIT) — projeto privado de tokamak compacto de alto campo magnético, destinado a demonstrar ganho líquido de energia no plasma em uma escala mais limitada e preparar o caminho para centrais comerciais, como o ARC;
7- Helion Energy e outros conceitos alternativos privados — abordagens que empregam diferentes configurações de confinamento magnético e pulsado, com metas ambiciosas de operação comercial já na década de 2030;
8. IFMIF-DONES — infraestrutura dedicada à pesquisa de materiais sob fluxo de nêutrons similar ao de um
reator de fusão, apoiando o desenvolvimento tecnológico para futuros reatores DEMO e comerciais (contrato de construção iniciado na Espanha).
– Já são muitos projetos. Mas há outros de menor escala?
– Além destes, há dezenas de outros experimentos menores e conceitos emergentes, incluindo o confinamento inercial (como na National Ignition Facility, NIF, nos EUA), configurações de campo reverso e stellarators inovadores, espalhados por centros de pesquisa em mais de 50 países. Os projetos atualmente em desenvolvimento pode ser agrupados da seguinte

publicada em 5 de fevereiro de 2026 às 16:00 




