OS DATA CENTERS CRESCEM DE IMPORTÂNCIA E JÁ SERÃO TEMA DE UM DEBATE INTERNACIONAL QUE COMEÇA AMANHÃ EM SÃO PAULO
A primeira edição do Data Center World Brasil começa amanhã (6), no São Paulo Expo, em um momento em que decisões sobre energia, tributação, conectividade e capacidade computacional ganham peso na definição de onde e como serão instalados os próximos grandes projetos de data centers no país. A programação reúne debates sobre condições regulatórias, investimentos, disponibilidade de energia, conectividade, refrigeração, operação e capacidade computacional, diante de uma nova geração de aplicações de inteligência artificial que exige infraestruturas mais robustas e eficientes. Um dos temas que chegam ao congresso é o Redata, novo regime especial de tributação para serviços de data center, criado para estimular investimentos no setor. A medida será discutida às 10h30, na Opening Arena, durante o painel “Infraestrutura digital como ativo geopolítico: competitividade, investimentos, regulação e o que precisa mudar”. A conversa aborda os efeitos do programa sobre a atração de investimentos, a competitividade do país e as decisões que podem influenciar a infraestrutura digital nos próximos cinco a dez anos. O debate passa ainda pelo impacto do Confaz e do ICMS sobre a competitividade do setor. A energia é outro fator decisivo nessa equação. O avanço da inteligência artificial elevou a demanda por capacidade computacional e trouxe novos desafios para a implantação e a operação dos data centers. Localização, disponibilidade energética, eficiência e continuidade operacional estão entre os temas que atravessam a programação do congresso Na sequência, às 11h30, a roundtable “Energia como gargalo estrutural: disponibilidade, intermitência e viabilidade real” discute a oferta efetiva de energia, modelos de geração, armazenamento e alternativas para garantir estabilidade às operações. Às 14h, o painel “Como grandes empresas escolhem data centers na prática: decisões reais de custo, risco e performance” traz a perspectiva de quem utiliza essa infraestrutura e precisa equilibrar localização, latência, custo, segurança e continuidade dos serviços.
A discussão sobre investimentos volta às 16h, com a roundtable “Financiamento, viabilidade e expansão: por que projetos travam — e como viabilizar na prática”, que reúne representantes do Ministério das Comunicações,
BNDES, Brasscom e Patria Investments. O debate aborda capital, crédito e as condições necessárias para tirar grandes projetos do papel. A conectividade também ganha espaço entre os assuntos que ajudam a explicar a expansão do setor. O avanço das redes de alta capacidade reforça a importância de conexões estratégicas para sustentar data centers, serviços de cloud e aplicações digitais cada vez mais intensivas em processamento. No dia 7, quarta-feira, o painel “Latência, rotas globais e edge: onde a infraestrutura decide o jogo”, às 10h30, aborda a relação entre localização, conectividade e desempenho. Às 15h15, o painel “Desafios dos Hyperscalers: como planejar capacidade em um mercado imprevisível” coloca no centro da conversa o desafio de ampliar a capacidade diante do crescimento da demanda impulsionada pela IA. Logo depois, às 16h, o estudo de caso “Continuidade operacional em data centers: como se preparar para falhas, crises e eventos extremos” contempla estratégias de preparação para situações capazes de afetar as operações. Para fechar o segundo dia, às 16h30, o LATAM Leaders Panel “Data centers na América Latina: investimento, expansão e decisões de arquitetura” amplia a discussão para os movimentos de investimento e crescimento do mercado regional.
A inteligência artificial ganha ainda mais espaço no último dia do congresso. Na quinta-feira, 8 de outubro, às 10h30, o C-Level Panel “Expansão na era da IA: decisões que definem bilhões em investimento” discute escolhas de infraestrutura, energia e capacidade diante da nova escala de demanda. Às 14h, o painel “Data centers AI-ready: densidade, energia e novos requisitos de infraestrutura” mostra como cargas computacionais mais intensivas estão mudando a arquitetura dos empreendimentos. O aumento da densidade dos racks pressiona sistemas elétricos e térmicos e acelera a adoção de tecnologias de refrigeração mais eficientes, como o liquid cooling. Para Leonardo Benedicto, diretor do Data Center World Brasil, a transformação provocada pela IA exige que o setor olhe para os data centers de forma mais ampla. “A inteligência artificial está mudando rapidamente a forma como pensamos os data centers. Não é apenas uma questão de aumentar capacidade. É preciso considerar energia, refrigeração, espaço e a possibilidade de ampliar as instalações ao longo do tempo. O desafio é construir uma infraestrutura que acompanhe a velocidade dessa transformação e esteja preparada para as demandas que ainda estão por vir.” A expansão do setor também tem reflexos sobre a economia. Estudo da FGV aponta que 100 MW de capacidade instalada em data centers podem representar cerca de 12,5 mil empregos, evidenciando o alcance dos investimentos em infraestrutura digital para além do mercado de tecnologia.

publicada em 5 de outubro de 2026 às 18:00 




