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PACIENTES COM CÂNCER CORREM RISCO DE FICAR SEM RADIOFÁRMACOS USADOS PELA MEDICINA NUCLEAR POR FALHAS EM ÓRGÃOS RESPONSÁVEIS

O Brasil corre risco de não poder atender com segurança os pacientes que necessitam diagnosticar com precisão se tem ou não câncer e, no caso de ter a doença, fazer um tratamento a base de radiofármacos usados pela medicina nuclear. Isto porque o IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – onde os radioisótopos importados da África do Sul, Holanda e, principalmente, da Rússia, são processados e transformados para atender aos pacientes no país, não possui autorização de operação ativa para a Radiofarmácia. O que impressiona neste caso é que o  IPEN é uma autarquia do CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), atualmente presidida por Francisco Rondinelli Júnior (foto à esquerda), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A CNEN, até o surgimento da agência reguladora nuclear, era a responsável pela regulação do setor e também pelas fiscalizações, o uso seguro e pacífico de técnicas e materiais nucleares no país.

A situação agrava-se principalmente por questões de infraestrutura e pendências de licenciamento. A unidade, sediada em São Paulo,  já chegou até  ser interditada anteriormente pela Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde), um órgão da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, responsável por proteger e promover a saúde da população, o que demonstra que os problemas estruturais não são recentes. Com a entrada em operação da ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) como autoridade reguladora, foi estabelecido formalmente um prazo de 60 dias para que o IPEN apresente toda a documentação necessária para regularizar o processo de licenciamento da instalação.

Neste processo, o alerta foi feito pela ABDAN (Associação Brasileira de Desenvolvimento das Atividades Nucleares), presidida por Celso Cunha (foto abaixo, à direita), em ofício endereçado ao presidente da agência, Alessandro Facure (foto à esquerda), datado do dia 4 deste mês. Facure, preocupado, determinou que fosse alinhada uma reunião que será conduzida pela Diretoria de Instalações Radiativas e Controle, exigindo que o  IPEN envie um requerimento consolidando todas as informações e evidências técnicas exigidas. Até a conclusão desta etapa, a operação segue condicionada e limitada ao que já existe, sem possibilidades de ampliações estruturais ou aumento de capacidade, justamente para evitar riscos e retrabalhos. Só após a autorização de operação atual é que planos futuros poderão ser avaliados.

Importante lembrar que, pela lei 14.222/21, a ANSN tem competência para aplicar sanções em casos de não conformidade grave, incluindo multas e interdições, caso o prazo e os requisitos não sejam atendidos. O ofício da ABDAN lembra que a ideia é garantir segurança radiológica, transparência e regularidade no fornecimento de radiofármacos que impactam diretamente a medicina nuclear no país: “Entendemos que, até a conclusão dessa etapa, a operação da radiofarmácia permanece condicionada aos limites já existentes, sem possibilidade de expansão de capacidade ou realização de alterações estruturais que possam gerar riscos adicionais ou retrabalhos futuros. Somente após a emissão de uma autorização de operação atualizada será possível avaliar novos planos ou eventuais melhorias da instalação.” A associação diz ainda que “Reforça seu compromisso com a segurança nuclear, a regularidade regulatória e a estabilidade do fornecimento de radiofármacos no Brasil, e coloca-se à disposição para colaborar no que for necessário.” A ANSN vai acompanhar o processo de perto nesses 60 dias.

Em resposta à reportagem do Petronotícias, a CNEN emitiu a seguinte nota de esclarecimento:

“A CNEN informa que o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN) continua a fornecer regularmente os radiofármacos a aproximadamente 460 clínicas e hospitais em todo o país, cumprindo com responsabilidade e rigor técnico seu compromisso institucional.  O IPEN/CNEN é um pilar do sistema de saúde brasileiro, garantindo acesso a radiofármacos essenciais e vitais, para realização de 2 milhões de procedimentos por ano, entre diagnósticos e terapias em pacientes. Adicionalmente, desenvolve pesquisas de importância estratégica com impacto na saúde pública brasileira, tais como em teranóstica e radiofármacos emissores alfa.

Em função do que a instalação representa para o país, a ANSN priorizou o licenciamento da radiofarmácia do IPEN/CNEN, que continuará seguindo todas as exigências técnicas e de qualidade. A reunião do último dia 26 de novembro com o ente regulador nuclear foi produtiva, com estabelecimento de prazos para encaminhamento de documentação, pelo IPEN/CNEN. No encontro foram discutidos os próximos passos para obtenção da licença de operação da instalação.  A CNEN segue cumprindo todos os requisitos regulatórios.”
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Alberto Passos
Alberto Passos
10 meses atrás

Pela cara de sono do tal presidente, infelizmente os necessitados correm sérios riscos

Dráusio Lima Atalla
Dráusio Lima Atalla
10 meses atrás

Talvez em nenhuma outra área de atividade nacional o fracasso tenha atingido o seu ápice como na área nuclear. O ciclo de combustível é minimalista, atrasado e insignificante. Apesar de grande reserva de Urânio, produzimos quantidades insignificantes, enriquecemos menos aínda e nossa usinas funcionam com a quase totalidade de combustível nuclear beneficiado no estrangeiro. Isto independente do fato de termos aprendido a enriquecer o Urânio há 20 ou 30 anos. Uma vez usado nos reatores, guardamos os elementos combustíveis em instalações provisórias. E lá se vai quase 50 anos após a partida de nossa primeira usina nuclear. Não apenas o… Leia mais »

Dráusio Lima Atalla
Dráusio Lima Atalla
10 meses atrás

E a produtividade nacional é ridícula, em torno de 20 mil dólares por ano por trabalhador, enquanto um mínimo razoável seria 60 mil. Sendo a maior alavancadora da produtividade, nosso sub-sub consumo de eletricidade per capita é a causa principal de nossa miséria, mais especificamente uns 8 dólares médios por dia para cada cidadão. A classe média começa em 11 dólares por dia per capita. Somos pobres porque não temos eletricidade. E a energia nuclear poderia estar ajudando a reduzir este desespero continental há muito tempo. Não está.