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PERDIDAS, ESFACELADAS E SEM DIREÇÃO, LIDERANÇAS IRANIANAS SE DESENTENDEM SOBRE SEGUIR OU NÃO A GUERRA CONTRA OS ESTADOS UNIDOS

A política interna do Irã parece um saco de gatos nervosos. O Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaee (foto principal), ameaçou os Estados Unidos com uma zona de exclusão marítima no Golfo Pérsico, alertando que Teerã havia recalibrado sua postura em relação aos navios de guerra e bases americanas. Como ele faria isso é a grande dúvida. “Nos últimos dias, Washington recebeu um aviso claro dos novos mísseis do Irã“, escreveu Rezaee no X.  “A guerra econômica será respondida com uma zona de exclusão marítima em todo o Golfo Pérsico, até o perímetro do bloqueio.“ Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse hoje (8)  que “O Irã continuará sua resistência com firmeza até que os agressores se arrependam e seus direitos sejam defendidos, disse o presidente iraniano,” Masoud Pezeshkian (direita), apontando para um tom menos conciliatório vindo de Teerã. “A República Islâmica do Irã sempre se opôs à guerra e considera que a preservação dos interesses do povo e da segurança regional reside na abstenção de conflitos. Contudo, assim como se levantou corajosamente para se defender de agressões até hoje, continuará essa resistência com força até que os agressores se arrependam e permanecerá guardiã dos direitos do povo“, publicou Pezeshkian no X.

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz  diminuiu no início desta semana, depois que o Irã ameaçou retaliar qualquer nivos ataques dos Estados Unidos.    O número de navios mercantes que navegaram pelo Estreito de Ormuz totalizou sete nesta segunda-feira (7), em comparação com oito no dia anterior, segundo dados da Kpler divulgados nesta terça-feira (8). O Goldman Sachs também elevou suas previsões de preços do petróleo bruto Brent e West Texas Intermediate para dezembro de 2026 e 2027, pois espera que as interrupções no transporte marítimo no Oriente Médio persistam até o próximo ano. Hoje, o mercado está cotando o barril do Brent perto de  US$ 100: US$ 97,74. O tráfego aumentou no  estreito de Bab el-Mandeb, outra importante via navegável para embarcações de transporte de mercadorias. Os dados da Kpler mostraram que 29 navios mercantes passaram por Bab el-Mandeb onem,  um aumento em relação aos 17 do dia anterior. Algumas embarcações podem estar navegando pelos dois estreitos com seus transponders desligados, o que não é considerado na contagem.

A PALAVRA DO EX-LÍDER

O ex-presidente do Irã, Hassan  Rouhani (direita), pediu participação pública para o  fim da guerra, o que gerou pedidos de prisão. “Devemos, em consonância com a esmagadora maioria da população, terminar a guerra com honra para que possamos reconstruir o país e compensar os danos causados”,  Em um discurso,  Rouhani pediu que o regime iraniano permitisse que a população decidisse se a guerra deveria terminar caso um acordo de cessar-fogo atendesse às exigências do Irã. No fim de semana, em um encontro de ex-governadores provinciais, criticou a pequena minoria “que agora detém os megafones e está fazendo barulho“, em uma aparente referência aos linha-dura que se opuseram às concessões destinadas a pôr fim à guerra. “É muito importante que a estrutura dos nossos objetivos nacionais esteja clara para nós mesmos primeiro, e só depois a apresentemos ao povo”, disse ele. “Dizemos ao povo: nosso plano é lutar contra as grandes potências mundiais por mais 20 anos. Se o povo aceitar, ótimo, vamos continuar. Mas se o povo não aceitar e nos mostrar outro caminho, não vamos aceitá-lo?”

Ben Sabti (esquerda), especialista em Irã, disse que tal referendo dificilmente ocorreria, especialmente considerando que o Irã agora é governado pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e não por políticos. Embora as declarações de Rouhani tenham deixado em aberto a possibilidade de o público iraniano optar por continuar a guerra, seus comentários foram recebidos com críticas por parte dos linha-dura. Hossein Shariatmadari (direita), editor-chefe do jornal iraniano Kayhan, pediu às autoridades judiciais e de segurança do Irã que investigassem Rouhani, acusando-o de defender a rendição aos Estados Unidos e a Israel. “O verdadeiro significado da posição do Sr. Rouhani é abandonar a defesa e entregar o país aos Estados Unidos e a Israel”, escreveu ele.

A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), também acusou Rouhani de fomentar a polarização depois que o o Aiatolá Mojtaba Khamenei   teria feito um apelo à unidade nacional. “As recentes declarações do Sr. Rouhani são um claro exemplo de ‘jogar água no moinho do inimigo e uma ajuda óbvia àqueles que são hostis ao sistema e ao povo iraniano”, publicou a agência, acusando-o de não respeitar a dignidade do povo iraniano. Alguns sites de mídia iranianos também relataram apelos públicos pela execução de Rouhani durante manifestações pró-regime.

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