PERTO DE DEIXAR O CARGO, A GOVERNADORA DE MICHIGAN QUER SAIR DO PODER FECHANDO O OLEODUTO DA LINHA 5, EM MICHIGAN, CAUSANDO PREJUÍZOS GIGANTESCOS
ORLANDO – Por FABIANA ROCHA – A saga do Oleoduto da Linha 5 continua. Mais uma vez, os tribunais de Michigan, os órgãos reguladores estaduais e a governadora democrata de Michigan, Gretchen Whitmer, estão lançando dúvidas sobre o futuro do oleoduto 5 da gigante canadense Enbridge. O fechamento do oleoduto criaria um problema de proporções épicas para Ontário. A província depende do Oleoduto da Linha 5 para o fornecimento de 540 mil barris de petróleo bruto canadense por dia, o que representa a maior parte do petróleo que consome. Para lembrar, O problema remonta a pelo menos 2018, quando um rebocador lançou sua âncora sobre o trecho de sete quilômetros do oleoduto que passa sob o Estreito de Mackinac. Esse estreito é a faixa de água que liga o Lago Michigan ao Lago Huron. A linha principal de petróleo bruto não foi danificada, mas um pequeno conduto de utilidades que transportava óleo usado para prevenir a corrosão do oleoduto foi afetado, vazando 800 galões de óleo dielétrico no estreito. Não chegou a ser um desastre do nível do Exxon Valdez (10,8 milhões de galões), mas foi motivo suficiente para os “vingadores verdes” de Michigan se indignarem.
Desde então, houve pelo menos seis processos em tribunais de primeira instância e inúmeros protestos contra o Oleoduto e o potencial risco ambiental que ele supostamente representa. Desafios legais, recursos contra decisões de tribunais
de primeira instância e protestos de comunidades indígenas locais e ambientalistas contribuíram para que as licenças de operação do Oleoduto 5 fossem revogadas e posteriormente reemitidas em diversas ocasiões. Os desafios recentes levaram a Enbridge a reforçar seu plano de construir um túnel para garantir a segurança do trecho do oleoduto que passa sob o Estreito. Com um custo estimado entre US$ 750 milhões e US$ 800 milhões, o túnel de 7 quilômetros de extensão, revestido de concreto, será construído na rocha a 30 metros abaixo do fundo do Estreito. A tubulação, agora com 36 polegadas, será lançada com a tecnologia da brasileira Liderroll, experiente empresa brasileira do segmento, detentora da tecnologia. Um desafio gigantesco, porque o túnel terá apenas 5 metros de diâmetro, com 3,5 km em descida e 3,5 km em subida.
Inicialmente, a governadora Whitmer queria o fechamento do Oleoduto, mas mudou de posição, em parte, devido ao compromisso da Enbridge com o projeto do túnel. No entanto, há um mês e meio, a Suprema Corte de Michigan proferiu uma decisão afirmando que “o estado deve examinar mais minuciosamente as consequências ambientais do túnel proposto e suas alternativas“. A decisão exigiu que os órgãos reguladores revogassem a licença que permitia a construção do túnel. Na sequência disso, a governadora reverteu sua posição novamente. Ironicamente, sua renovada oposição é uma resposta ao fracasso da Enbridge em concluir o túnel. Essa é uma posição criticável, considerando o papel desempenhado pelo estado no atraso da construção. Whitmer escreveu uma carta ao CEO da Enbridge, Greg Ebel(esquerda), em 9 de setembro, dizendo-lhe para esperar sua ordem de fechamento do oleoduto “dentro de alguns meses”.
Para lembrar, o oleoduto é um ramal do Sistema Principal da Enbridge, que é o principal canal da empresa para exportação de petróleo bruto canadense para os EUA. O Oleoduto da Linha 5
começa em Superior, Wisconsin. Atravessa Wisconsin e o estado de Michigan a caminho de seu terminal em Sarnia, Ontário. Sarnia é o principal centro de refino de petróleo e petroquímica de Ontário. Em seu trajeto até Sarnia, o oleoduto entrega petróleo para algumas refinarias americanas. No entanto, a maior parte do petróleo que transporta (aproximadamente 540.000 barris por dia) é entregue em Sarnia. E aí entra uma parte da história: Durante a Guerra de 1812, um grupo de canadenses, indígenas e combatentes britânicos, capturou o Estreito de Mackinac dos Estados Unidos. Os problemas atuais remontam à bizarra decisão britânica de devolvê-lo após a guerra. A Linha 5 se divide em dois dutos separados de 20 polegadas de diâmetro ao percorrer o fundo do Estreito de Mackinac.

jornalistas de esquerda ligados aos povos indigenas, quer que a Enbridge construa um novo oleoduto neste trecho
Caso Whitmer realmente feche o Oleoduto da Linha 5 “dentro de alguns meses”, a província terá que se esforçar para encontrar uma maneira de obter o diesel, a gasolina e o querosene de aviação necessários para manter a sociedade funcionando. Até o momento, o único plano alternativo anunciado para manter o abastecimento de combustível de Ontário é a construção de um novo oleoduto ligando Hardistry, Alberta, a Sarnia, seguindo uma rota totalmente canadense. Em 6 de julho, os primeiros-ministros Danielle Smith e Rob Ford anunciaram uma proposta para construir um oleoduto com capacidade para 550.000 barris por dia ao longo do que denominam Corredor Energético do Escudo Norte. Os primeiros-ministros indicaram que o projeto apoiaria a soberania nacional e a independência energética. Certamente alguém já pensou em um plano B. Do contrário, caminhões que transportam produtos essenciais como alimentos não circularão, aviões não voarão e carros a gasolina permanecerão parados. Há pessoas da indústria petrolífera nas pradarias que têm pensado em maneiras de evitar uma catástrofe. Uma das opções mencionadas seria reunir todos os vagões-tanque ferroviários disponíveis na América do Norte e operar o máximo de trens possível de Hardisty a Sarnia. Muitas autoridades canadenses, além de executivos do setor petróleo, acreditam que discutir as opções disponíveis parece algo que alguns jornalistas ligados a esquerda, baseados em Ontário sejam alarmistas climáticos, incluindo alguns outros colegas jornalistas que ficariam felizes em ver um Ontário livre de petróleo, independentemente das consequências para a sua população.

publicada em 16 de outubro de 2026 às 12:00 




