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PETROLEIRAS SUSPENDEM EMBARQUES DE PETRÓLEO NO ESTREITO DE ORMUZ APÓS ATAQUES DOS EUA

Grandes companhias de petróleo decidiram suspender neste sábado (28) os embarques de petróleo bruto, combustíveis e gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Teerã respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra cidades israelenses e bases americanas na região. Segundo a agência Reuters, navios devem permanecer parados por vários dias, ampliando o clima de incerteza no comércio de energia.

A associação internacional de petroleiros Intertanko informou que a Marinha dos EUA alertou contra a navegação em toda a área de operações, que inclui o Golfo, o Golfo de Omã, o norte do Mar Arábico e o próprio Estreito de Ormuz, afirmando não poder garantir a segurança de embarcações neutras ou comerciais. Dados da consultoria Kpler indicam que ao menos 11 navios-tanque de GNL reduziram a velocidade, mudaram de rota ou interromperam a travessia na região, e a tendência é que esse número aumente nos próximos dias, elevando o risco para o fornecimento internacional.

Analistas avaliam que o impacto pode ser significativo caso as exportações do Catar sejam afetadas. O país tem peso desproporcional no equilíbrio dos mercados de GNL da Ásia e da Europa, e eventuais danos à infraestrutura ou entraves no transporte marítimo poderiam provocar um efeito dramático sobre os preços globais do gás, segundo avaliação de mercado.

GOVERNO BRASILEIRO CONDENA ATAQUE A POUCOS DIAS DE REUNIÃO ENTRE LULA E TRUMP

Ainda durante a manhã deste sábado, o governo brasileiro condenou os ataques dos EUA contra Irã e expressou “grave preocupação” com o conflito. O posicionamento do governo brasileiro contrário à ação dos americanos vem em um momento que antecede o encontro entre Lula e Donald Trump, previsto para o mês de março.

Segundo o Itamaraty, os ataques de hoje ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região. “O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”.

O Itamaraty também disse que as embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. “Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem. O Embaixador do Brasil em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira, a fim de transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança”, concluiu.

OUTRAS REAÇÕES PELO MUNDO 

Alemanha, França e Reino Unido divulgaram comunicado conjunto condenando os ataques iranianos e defendendo que Teerã se abstenha de ações militares indiscriminadas. Os três líderes reafirmaram o compromisso com a estabilidade regional e a proteção de civis, além de manifestarem apoio à retomada das negociações diplomáticas para conter a escalada.

Em declaração separada, o presidente francês Emmanuel Macron solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU e alertou que uma guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã teria consequências graves para a paz internacional.  Já o chanceler de Omã, Badr Albusaidi, disse que tratativas mediadas por seu país entre Irã e EUA foram prejudicadas e pediu que Washington não se envolva ainda mais no conflito.

Na Rússia, o vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitry Medvedev, criticou as negociações com o Irã, classificando-as como uma operação de fachada. Ele sugeriu que não havia intenção real de acordo e afirmou que a disputa será definida por quem tiver mais resistência ao longo do tempo, em tom de confronto histórico entre os Estados Unidos e o antigo Império Persa.

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