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VOLTERA CRESCE MAIS DE 140% NO PRIMEIRO SEMESTRE E PROJETA ENCERRAR 2026 COM MAIS DE 600 UNIDADES CONSUMIDORAS

A Voltera vive um momento positivo em 2026. A empresa registrou crescimento de 147% no faturamento no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2025, alcançando mais de R$ 60 milhões. O resultado foi impulsionado pelo aumento do volume de energia comercializada e pela expansão da base de clientes. Em entrevista ao Petronotícias, o CEO da companhia, Alan Henn, projeta encerrar o ano com mais de 600 unidades consumidoras atendidas. “No curto prazo, enquanto parte do mercado enfrenta dificuldades, enxergamos os próximos seis meses com otimismo e excelentes perspectivas de crescimento para a companhia”, afirma o executivo. Henn também analisa o momento do setor elétrico brasileiro, comenta os preparativos da Voltera para a abertura total do mercado livre de energia e avalia os desafios do curtailment.

Para começar, seria interessante falar um pouco sobre esse crescimento expressivo no faturamento durante os primeiros seis meses do ano. Você poderia compartilhar com nossos leitores uma análise dos principais motivos que impulsionaram esse resultado?

Tivemos alguns fatores determinantes para esse crescimento expressivo em faturamento. O primeiro foi a alta no preço da energia, o que gera, naturalmente, uma receita maior para o mesmo volume de megawatt-hora comercializado. 

Além disso, tivemos a entrada de novos clientes na nossa base que não estavam previstos no planejamento do final do ano passado. Essa demanda atípica ocorreu em função de uma distorção recente no mercado: alguns fornecedores estão saindo de cena ou deixando de operar.

Isso acabou gerando uma busca involuntária de clientes que ficaram descontratados e precisaram firmar contratos. Portanto, além do crescimento que já prevíamos com base nos contratos e migrações efetuados no ano passado, absorvemos essa parcela relevante do mercado.

O setor de eletricidade vive um momento de grandes transformações, especialmente após a aprovação da Lei 15.269/2025. Qual é a sua leitura sobre o setor elétrico como um todo, como vocês enxergam essas transformações e como elas podem impactar positivamente os negócios da Voltera?

A principal mudança regulatória vem no sentido de promover a abertura do mercado, algo que já aguardávamos. O famoso Grupo B [baixa tensão], que hoje conta apenas com a geração distribuída como alternativa para redução de custos, passará a ter mais uma solução: o mercado livre.

A previsão dessa abertura para empresas até o final do ano que vem, e para pessoas físicas até o final de 2028, é uma transformação geracional quanto ao tamanho do nosso mercado. Hoje, estamos falando de um universo de 90 mil clientes, que saltará para 7 milhões até o fim do próximo ano e alcançará 65 milhões de clientes até o final de 2028.

Também observamos movimentos no sentido de interromper certos subsídios que vinham sendo considerados na evolução do setor. Entendemos que o fim desses subsídios é uma boa notícia, pois traz maior clareza sobre o real potencial de benefício financeiro do mercado livre para o consumidor. 

De forma estrutural, a conta de luz tem aumentado sistematicamente acima da inflação em praticamente todos os seus componentes. Nesse cenário, soluções para mitigação de custos, como a migração para o mercado livre de energia, aliadas ao suporte de plataformas e gestoras que utilizam dados e tecnologia para conscientizar os consumidores e otimizar seu consumo diário, tendem a se tornar cada vez mais essenciais.

Diante dessa abertura e do volume de novos consumidores migrando para o mercado livre, como a Voltera tem se preparado nos bastidores para esse novo momento?

Enxergamos que o mercado traz desafios em três pilares principais. O primeiro é a educação. Para quem já atua no meio, o mercado livre é um tema cotidiano. No entanto, se sairmos à rua hoje, provavelmente 90% das pessoas não saberão da existência desse mercado nem da transformação iminente nos próximos anos. Por isso, na Voltera, estamos muito atentos com a questão da comunicação: como traduzir esse ecossistema de forma simples para o consumidor que não pensa na conta de energia o tempo todo, mostrando a ele que existem caminhos para obter mais economia e sustentabilidade.

A segunda vertical é a tecnologia. Como mencionei, sair de 90 mil clientes para 7 milhões no ano que vem e 65 milhões em dois anos exige escala. Se você não criar mecanismos tecnológicos que destravem valor tanto para o cliente quanto para a operação, dificilmente conseguirá entregar uma solução eficiente na ponta final. Desde o início da empresa, investimos fortemente em tecnologia e inteligência artificial focado em dois objetivos: aprimorar a experiência do cliente e garantir que nossa operação interna seja escalável, auditável e precisa. Construímos uma jornada integrada — que engloba onboarding, faturamento, plataforma e gestão de acessos —, reduzindo ao máximo a dependência de intervenção humana.

A terceira vertente é a robustez financeira. Dados os acontecimentos recentes do setor, o mercado livre exigirá que as empresas apresentem um balanço saudável. Isso significa não operar de forma alavancada, não tomar dívidas excessivas e não fazer apostas com o consumidor. A Voltera segue muito o compliance nesse sentido. Operamos focados nos nossos clientes. Não atuamos como uma trading típica, só vendemos energia para o consumidor final.

Olhando ainda para o restante do ano, você mencionou a questão das tarifas. Você acredita que a tarifa continuará pressionando e motivando essa migração?

Eu diria que a migração de novos consumidores que estão no mercado cativo deu uma estagnada temporária por dois motivos principais. O primeiro é a própria alta do preço da energia no mercado livre, que hoje está mais elevado do que nos últimos dois anos. O segundo motivo foi o fim do desconto na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD). A soma desses dois fatores reduziu a atratividade imediata para um novo cliente migrar no momento atual.

O que temos visto, na verdade, são clientes que já estão no mercado livre, mas descontratados, realizando contratos de curto prazo — de dois a três meses —, na expectativa de que venham chuvas e os preços recuem.

Para o segundo semestre, prevemos que as tarifas reguladas continuem sofrendo reajustes na casa de 15% a 25%. Por outro lado, esperamos que o preço da energia no mercado livre dê uma acomodada — a exemplo do que já ocorreu no mês de julho, rodando na faixa de R$ 160,00 por megawatt-hora. Temos a perspectiva de um preço médio menor no segundo semestre em relação ao primeiro, o que deve devolver a competitividade para atração de quem ainda não migrou.

A questão do curtailment tem gerado bastante preocupação no setor. Como a Voltera tem acompanhado esse tema e de que forma ele pode impactar os negócios?

Quanto ao nosso modelo de negócio, por sermos uma empresa asset light — ou seja, não somos proprietários de ativos de geração —, sempre adotamos uma postura de diversificação de riscos em nosso portfólio. Nossas operações são ancoradas em diversas usinas e espalhadas por diferentes regiões do Brasil, justamente para mitigar a concentração de riscos que fogem ao nosso controle.

Sobre o curtailment em si, ele decorre de um crescimento acelerado das energias renováveis em pontos específicos do país, avanço que não foi acompanhado na mesma velocidade pela capacidade do sistema de transmissão. Isso gera um problema financeiro complexo, em que o investidor responsável pela usina se vê obrigado a rever suas modelagens e precificações.

Não acredito que o curtailment seja solucionado no curto prazo. Precisamos acelerar significativamente os investimentos em linhas de transmissão e mitigar riscos, já que a expansão via fontes renováveis é o grande motor do Brasil — desde que haja confiabilidade, capacidade de escoamento e flexibilidade através do balanceamento com baterias. Espero que em três ou quatro anos comecemos a ver uma redução desse problema, alcançando uma capacidade de escoamento mais eficiente.

Para encerrar, qual é a perspectiva de crescimento da Voltera para o restante do ano?

Temos um objetivo de nos aproximar das 600 unidades consumidoras, com forte possibilidade de superá-lo. Temos observado uma busca expressiva pela nossa solução de gestão de energia por parte de clientes com um volume maior de unidades no mercado livre.

Portanto, além de atender aos varejistas de menor porte que buscam um novo fornecedor, registramos um crescimento significativo na nossa vertente de plataforma, gestão e consultoria para clientes de grande porte, que exigem um sistema mais robusto para gerenciar suas contas. Devemos ultrapassar a meta de 600 unidades com tranquilidade, consolidando este como o nosso melhor ano em termos de faturamento e volume de energia gerenciada.

No curto prazo, enquanto parte do mercado enfrenta dificuldades, enxergamos os próximos seis meses com otimismo e excelentes perspectivas de crescimento para a companhia.

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