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ABEGÁS ESTIMA QUE PREÇO DO GÁS NATURAL PODERÁ SOFRER NOVO REAJUSTE DE 40% EM AGOSTO

A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) está preocupada com os efeitos das tensões no Oriente Médio sobre o mercado brasileiro de gás natural. Como se sabe, a Petrobrás anunciou que elevou em 19,2% o preço da molécula de gás natural vendida às distribuidoras a partir de 1º de maio. A entidade alerta que o próximo reajuste trimestral, previsto para 1º de agosto, poderá ser ainda mais expressivo e, pelas estimativas da entidade, pode chegar a cerca de 40%.

Para a associação, chama atenção o fato de o Brasil continuar sujeito a oscilações geopolíticas internacionais mesmo contando com produção doméstica relevante. Segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, mais de 65 milhões de metros cúbicos por dia foram disponibilizados ao mercado em fevereiro, volume integralmente destinado ao consumo interno.

O Brasil não deveria estar exposto a esses impactos, até porque a produção nacional atende a demanda do mercado convencional. Não é razoável que o País tenha toda essa exposição aos efeitos das tensões geopolíticas. É preciso que o preço da molécula de gás tenha indexadores que reflitam essa realidade”, afirmou o diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça.

Mendonça também defendeu tratamento equivalente ao dado a outros combustíveis. “É um paradoxo que outros combustíveis com pegada de carbono significativa tenham sido beneficiados com um pacote de isenções, em detrimento do gás natural. É importante um tratamento isonômico para o gás natural e é fundamental que a política energética valorize essa alternativa mais limpa que o diesel como um vetor de desenvolvimento econômico, social e ambiental, garantindo a segurança energética e a competitividade da indústria nacional”.

A Abegás ressaltou que as tarifas de gás natural são recalculadas periodicamente pelas agências reguladoras estaduais, responsáveis pela regulação dos serviços de distribuição de gás canalizado. Segundo a entidade, o cálculo varia conforme o segmento de consumo — industrial, residencial, comercial ou veicular — e leva em conta não apenas o preço da molécula, mas também as características específicas de cada concessionária e de cada mercado local.

A associação destacou ainda que, com a abertura do mercado de gás, algumas distribuidoras já possuem contratos com supridores além da Petrobras. Nesses casos, eventuais alterações no preço da molécula impactam apenas a parcela de volume vinculada ao fornecedor reajustado.

Segundo a Abegás, as distribuidoras operam no sistema de repasse integral, sem margem adicional sobre as variações do preço da molécula. No caso do gás natural veicular, a entidade observou que o valor cobrado nos postos não é definido pelas distribuidoras. Elas apenas repassam o reajuste tarifário aprovado pelas agências reguladoras, enquanto o preço final ao consumidor depende das políticas comerciais e dos custos operacionais de cada posto.

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