AGRAVA-SE A SITUAÇÃO ENTRE OS ESTADOS UNIDOS E CUBA DEPOIS DO TIROTEIO ENVOLVENDO UMA LANCHA DA MARINHA CUBANA
O incidente envolvendo uma lancha de bandeira americana com dez cubanos que residiam nos Estados Unidos e uma lancha militar do grupo da marinha cubana Guarda Fronteira que acabou em tiroteio e mortes de quatro tripulantes e ferimentos e outras pessoas em águas territoriais cubanas, agravou a situação entre os dois países. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos abriram uma investigação independente para apurar o incidente. “Vamos descobrir o que aconteceu e responder de acordo.” Segundo Rubio, a investigação também apurará se os mortos eram cidadãos dos EUA. O Ministério do Interior afirmou que, como consequência do confronto, quatro “agressores” foram mortos e seis ficaram feridos. Os sobreviventes foram socorridos e receberam atendimento médico. O comandante da embarcação cubana também ficou ferido. Cuba declarou que mantém a disposição de proteger as águas territoriais e afirmou que a defesa nacional é um pilar para garantir a soberania e a estabilidade na região. As autoridades disseram que o caso segue sob investigação. Até onde se sabe, de acordo com as autoridades cubanas, a embarcação teria matrícula norte-americana e entrado em águas cubanas com seus integrantes atirando contra os militares após abordagem, segundo Havana. Quatro ocupantes da lancha morreram e outros seis ficaram feridos.
A Rússia afirmou que a situação em Cuba está se agravando após o incidente envolvendo os militares cubanos. O governo russo, aliado de Havana, chamou o caso de
“provocação agressiva e deliberada dos EUA”. O incidente ocorreu em meio a uma escalada de tensões entre EUA e Cuba. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem pressionado a ilha após determinar um embargo ao envio de petróleo ao país. A medida agravou a a crise energética no território “A situação em torno de Cuba, como podemos
ver, está se agravando. Os guardas de fronteira cubanos fizeram o que deveriam ter feito porque a lancha invadiu as águas do país. O principal é o componente humanitário. Todas as questões humanitárias relacionadas aos cidadãos cubanos devem ser resolvidas, e ninguém deve criar obstáculos”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse à agência estatal russa Tass que o incidente foi “uma provocação agressiva dos EUA, com o objetivo de agravar a situação e desencadear um conflito“. O governo cubano informou ainda que os 10 ocupantes eram cubanos que residiam nos EUA. Uma nota oficial divulgada após a detenção das duas pessoas afirma que os sobreviventes alegaram que pretendiam “realizar uma infiltração com fins terroristas”. O ministério afirmou ainda que fuzis de assalto, pistolas, coquetéis Molotov e outros equipamentos de estilo militar foram encontrados na embarcação, e que os 10 atacantes eram todos cubanos residentes nos Estados Unidos. Segundo o comunicado oficial do governo cubano, a embarcação foi detectada na manhã de quarta-feira(25) a cerca de 2 quilômetros da costa do município de Corralillo, no norte da ilha.
MAIS UM PONTO DE TENSÃO
Outro ponto de tensão vem da pressão de residentes do sul da Flórida que estão reagindo a uma grande mudança na política dos Estados Unidos em relação a Cuba, após o anúncio do governo federal de que permitirá a importação de combustível para o setor privado da ilha, conforme o Petronotícias informou ontem (25). O governo Trump deu sinal verde para que o petróleo venezuelano seja vendido à empresas privadas em Cuba, e não ao governo cubano. Os defensores da medida afirmam que ela pode ajudar a aliviar a grave escassez que tem prejudicado o cotidiano na ilha, enquanto os críticos temem que o governo cubano ainda possa se beneficiar indiretamente. Alguns moradores dizem que, em teoria, o plano poderia oferecer alívio à economia cubana em dificuldades. Outros questionam se o governo cubano pode realmente ficar de fora do processo. “Isso realmente me diz que o governo Trump, particularmente o presidente, está mais interessado em negócios do que em mudança de regime“, disse Andy Gomez, reitor aposentado de estudos internacionais da Universidade de Miami.
A situação de Cuba tornou-se cada vez mais crítica depois que o país perdeu a maior parte de suas importações de petróleo de aliados como Venezuela e México, em decorrência dos esforços dos EUA para bloquear os embarques. Sem combustível, a geração de eletricidade, o transporte e a produção de alimentos foram severamente afetados, contribuindo para dificuldades generalizadas. “Nós fornecemos o petróleo e eles nos dão o quê? Nada?”, disse Gomez. “Nem mesmo a libertação dos presos políticos.” As diretrizes do Departamento do Tesouro e do Departamento de Comércio dos EUA estipulam que o petróleo não pode ser vendido ao governo ou às forças armadas cubanas. No entanto, as autoridades ainda não esclareceram o alcance total do que foi autorizado, o que aumenta a confusão. Gomez também questionou se os legisladores do sul da Flórida pressionarão por mais respostas da administração. “Gostaria de saber que tipo de pressão os três congressistas cubano-americanos do sul da Flórida e o secretário Marco Rubio exercerão sobre o governo“, disse ele.

publicada em 26 de fevereiro de 2026 às 11:00 





