CAMINHONEIROS DECIDEM DAQUI A POUCO SE ENTRAM EM GREVE PELOS PREÇOS DO DIESEL E PELAS AMEAÇAS DO GOVERNO
As lideranças dos caminhoneiros vão se reunir daqui a pouco no Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista) para a realização de uma assembleia e a definição sobre uma paralisação dos motoristas nos próximos dias. O movimento grevista é guiado pela insatisfação da categoria com o aumento de preço do óleo diesel nos postos e a total falta de habilidade do governo Lula, que quer usar a força para impedir o movimento. A assembleia está marcada para as 16 horas. Por enquanto a orientação é para os motoristas não fecharem as vias. A categoria orienta os profissionais a ficarem em casa ou parados em postos, sem bloquear as estradas para evitar a
cobrança de multas. A CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) diz aguardar pelo resultado da assembleia antes de decidir pelo apoio ao movimento grevista.
A possibilidade real da greve resultou em ações do governo federal. Ontem, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que o governo vai punir as empresas que não pagam preço mínimo de frete aos motoristas. A fiscalização será feita pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), com o aumento da fiscalização para 100% dos fretes. Emparedado e temeroso, o governo também atua para segurar o preço do diesel. Na primeira ofensiva, o Planalto zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para diminuir o impacto na economia brasileira das oscilações do petróleo. Em seguida, representantes da área econômica do governo iniciaram a ofensiva para que os governos estaduais reduzam o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel importado, mas os governadores só irão responder no dia 27 deste mês depois de uma reunião do Conselho Fazendário. Até lá, nenhuma resposta.
PREÇOS SEM CONTROLE
O preço médio dos combustíveis vendidos pelas distribuidoras aos postos de combustíveis voltou a subir de forma relevante na segunda semana de março de 2026, com
destaque para o diesel, que ampliou de maneira significativa as altas já registradas no início do mês. Dados atualizados do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), com base em aproximadamente 192 mil notas fiscais eletrônicas em todo o país, indicam que o movimento deixou de ser pontual e passou a ganhar tração ao longo do período. Na primeira semana de março (1º a 8), o diesel já liderava os reajustes, com alta média nacional de 8,70% no S10 comum e 8,91% no aditivado. Até o dia 16, esses percentuais praticamente dobraram, alcançando 19,71% no diesel S10 comum e 17,61% no aditivado, o que evidencia uma clara aceleração do movimento de alta e não apenas sua continuidade. Em algumas regiões, como Centro-Oeste e Nordeste, as variações já ultrapassam a casa dos 20%, reforçando o caráter disseminado do aumento. A gasolina também acompanhou esse movimento, ainda que em menor intensidade. O combustível, que havia registrado alta de 2,06% na primeira semana, passou para 5,24% até o dia 16 no caso da gasolina comum, enquanto a aditivada avançou de 1,71% para 2,88% no mesmo intervalo
O cenário internacional segue como principal fator de influência. A guerra no Oriente Médio continua pressionando os preços do petróleo e gerando instabilidade nos mercados globais, com reflexos diretos no Brasil. Esse ambiente tem levado distribuidoras e postos a adotarem uma postura mais cautelosa na recomposição de estoques, antecipando possíveis novas altas. Segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Conselho Superior do IBPT, esse comportamento já começa a gerar efeitos
concretos na economia. “O aumento persistente dos combustíveis no mês de março, apesar da isenção de Pis e Cofins sobre o Diesel, já ocasiona transtornos tanto para o consumidor pessoa física quanto para as empresas, principalmente transportadoras, agronegócio e indústrias.” Mesmo com a adoção de medidas por parte do governo, como a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e ações de monitoramento do setor, os preços seguiram em trajetória de alta. O levantamento mostra que o reajuste promovido pela Petrobras, de R$ 0,38 por litro no diesel A, teve impacto mais relevante do que a desoneração tributária, refletindo em aumentos já no primeiro dia útil após a implementação das medidas.
NOTA DAS ENTIDADES DOS COMBUSTÍVEIS
As entidades representativas do setor de combustíveis divulgaram um comunicado para reconhecer as medidas do Governo Federal em tentar diminuir o impacto do
preço do diesel para os consumidores. A Abicom, Brasilcom e IBP, que assinam o comunicado, dizem que entendem as medidas anunciadas pelo governo que são de caráter emergencial e buscam reduzir, ainda que no curto prazo, os efeitos da forte volatilidade internacional do petróleo, com a renúncia de parte das receitas tributárias. Mas dizem também que a situação é em consequência da importação dos 30% do diesel que o país importa e que esta solução de subsídios temporários traz riscos para o mercado. Veja o conteúdo da nota:
“As medidas adotadas tendem, no curto prazo, a aliviar parte da pressão sobre o custo do transporte de cargas, da produção agropecuária e da inflação de alimentos, especialmente em um momento de alta demanda sazonal associada às safras agrícolas. Entretanto, é preciso considerar a possibilidade de continuidade da elevação dos preços internacionais e seu impacto no mercado brasileiro, que depende em cerca de 30% de diesel importado.
É importante observar que intervenções dessa natureza também trazem riscos. Subsídios temporários, alterações na base de tributação e mecanismos adicionais de fiscalização podem gerar incertezas regulatórias e distorções de mercado se não forem acompanhados de previsibilidade nas condições de oferta e na formação de preços ao longo da cadeia. Entendemos que o caminho mais sustentável para o setor passa pelo equilíbrio de preços com o mercado internacional, pela previsibilidade regulatória, pela concorrência saudável e por políticas que assegurem o equilíbrio entre oferta e demanda. Nesse cenário, o papel da Petrobras, responsável pela maior
parte do suprimento de derivados de petróleo ao mercado brasileiro, é fundamental.
O recente aumento no preço do diesel (13/03/2026) pela Petrobras é uma resposta parcial ao problema de abastecimento, que vinha sendo mitigado pelos diversos leilões de produto que, por sua natureza, acabam elevando os preços de venda a valores próximos aos atualmente praticados atualmente nos mercados internacionais. As entidades também manifestam preocupação com propostas de criação de imposto de exportação sobre o petróleo bruto. Medidas dessa natureza podem reduzir a competitividade do setor, gerar insegurança regulatória e prejudicar a atração de investimentos em um segmento que depende de previsibilidade e estabilidade de regras.”

publicada em 19 de março de 2026 às 14:00 




