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LIBERAÇÃO DE UM PETROLEIRO CARREGADO PARA CUBA PODE SER UM SINAL DE AVANÇO NAS NEGOCIAÇÕES COM OS ESTADOS UNIDOS

Pelo andar da carruagem, as conversações entre Estados Unidos e Cuba estão chegando a um ponto em que os americanos querem. Quando voltava para Washington a bordo do Air Force One na noite deste domingo (29), o presidente Donald Trump disse que “não vê problema algum” em um petroleiro russo na costa de Cuba entregando ajuda humanitária à ilha, que foi devastada por um bloqueio petrolífero dos EUA. “Temos um navio-tanque lá fora. Não nos importamos que alguém pegue um barco cheio, porque eles precisam.  Eles têm que sobreviver.Trump disse que “Eu disse a eles que, se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, não tenho problema nenhum em que seja a Rússia ou não.” Dados de rastreamento mostram que o petroleiro, transportando aproximadamente 730 mil barris de petróleo, estava próximo à ponta leste da ilha na noite de domingo e tinha previsão de chegada à cidade de Matanzas amanhã, terça-feira (31).

O navio Anatoly Kolodkin está sob sanções dos Estados Unidos, da União Europeia e do Reino Unido, na sequência da guerra na Ucrânia. Trump, cujo governo tem atacado a ditadura cubana com mais agressividade do que qualquer outro governo americano na história recente, efetivamente cortou o acesso de Cuba a importantes remessas de petróleo, numa tentativa de forçar uma mudança de regime. O bloqueio teve efeitos devastadores sobre os civis que Trump e o Secretário de Estado Marco Rubio dizem querer ajudar, deixando muitos em situação de desespero.

Os apagões generalizados em toda a ilha abalaram os cubanos, que já enfrentam anos de crise, e a falta de gasolina e de recursos básicos paralisou os hospitais e reduziu drasticamente o transporte público. Especialistas dizem que o carregamento previsto poderá produzir cerca de 180 mil barris de diesel,   o suficiente para suprir a demanda diária de Cuba por nove ou dez dias. Cuba tem sido, há décadas, o centro de uma disputa geopolítica entre os EUA e a Rússia. Trump descartou a ideia de que permitir que o barco chegasse a Cuba beneficiaria o presidente russo Vladimir Putin.Isso não o ajuda. Ele perde um carregamento de petróleo, só isso. Se ele quer fazer isso, e se outros países também querem, não me incomoda muito. Não vai ter impacto nenhum. Cuba está acabada. Eles têm um regime ruim. Têm uma liderança muito ruim e corrupta, e se eles conseguirem ou não um carregamento de petróleo, não vai fazer diferença.” Eu preferiria deixar entrar, seja da Rússia ou de qualquer outro lugar, porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e todas as outras coisas.”

A MORTE DE UM ÍCONE CUBANO

Uma notícia pra lá de triste. O cubano Juan Carlos González, popularmente conhecido como Pánfilo, figura icônica de Havana que viralizou anos atrás ao pedir “jama” (comida) durante uma entrevista de rua na capital da ilha, em um vídeo que também se tornou viral,  morreu em Havana. A notícia foi anunciada por sua parente, Daysi Ortega, em uma publicação privada que foi compartilhada por diversas pessoas. A publicação não esclarece quando ou por que a morte ocorreu, nem indica sua idade. “Meu irmão Pánfilo faleceu“, escreveu ela, junto com uma foto de González. Segundo informações, Juan Carlos González morreu no bairro de Vedado, em Havana, onde morava. A fama de Pánfilo começou em 2009, quando ele interrompeu uma entrevista na rua e exigiu:  “Precisamos de comida, estamos morrendo de fome!”  Apesar de estar embriagado, um grave problema entre os cubanos,  ele  resumiu a crescente precariedade dos habitantes da ilha, que só piorou desde então.

O líder sanguinário Cubano, Miguel Diaz-Canel, deu a ordem para que Pánfilo fosse processado e internado em um hospital psiquiátrico

“É preciso comida, há uma fome enorme. Estou lhe dizendo isso. Carne de soja picada, uma tremenda falta de vergonha, frango velho…”  Esse vídeo o tornou famoso, e inúmeros criadores de conteúdo insistiram em encontrá-lo, muitas vezes com a intenção de usá-lo para material humorístico ou satírico, e o filmaram sob a influência do álcool. Mas os cubanos na ilha se identificaram com sua denúncia.

O jornalista Siro Cuartel  do Diário de Cuba, lembrou  que o status de celebridade de Pánfilo teve uma reação do Estado , “a reação do Estado foi reveladora: ele foi processado, manteve a sentença de dois anos por ‘periculosidade’ e, em seguida, foi enviado para um hospital psiquiátrico, conforme noticiado na época. Não foi uma reação exagerada baseada em um caso isolado. Foi uma resposta política a um comentário sobre a escassez de alimentos na ilha.“Panfilo morreu. A comida ainda falta. E a frase que o tornou famoso ainda contém mais verdade do que todos os discursos que tentaram enterrá-la “, concluiu.

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