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PARTICIPAÇÃO DA BINATURAL EM AUDIÊNCIA PÚBLICA MOSTRA QUE PAÍS TEM CONDIÇÕES DE EXPANDIR O BIOCOMBUSTÍVEIS PARA O SETOR AQUAVIÁRIO

A Binatural participou da Audiência Pública promovida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para discutir a revisão das especificações dos combustíveis de uso aquaviário e suas regras de comercialização no Brasil. A companhia foi representada pelo diretor Industrial, Luís Carlos Costa Filho, e defendeu a criação de condições regulatórias para ampliar a participação do biodiesel na matriz energética do transporte aquaviário brasileiro. Segundo a própria Agência, a proposta busca atualizar a regulamentação brasileira, incorporar avanços tecnológicos e estabelecer regras para combustíveis renováveis utilizados no setor aquaviário. Entre as contribuições apresentadas pela Binatural está a adoção de uma trajetória gradual para a mistura obrigatória de biodiesel ao combustível aquaviário. A proposta prevê B15 a partir de julho de 2027, B20 em janeiro de 2028 e B24 em julho do mesmo ano. Para a Binatural, o avanço regulatório permitiria transformar uma solução já disponível no país em uma alternativa de aplicação imediata para o transporte aquaviário. A companhia apresentou à ANP referências de operações e autorizações já realizadas no Brasil com diferentes teores de biodiesel, além de experiências com B100, como evidências de que o biocombustível pode avançar para uma nova etapa de utilização no segmento. “O setor marítimo tem um desafio de longo prazo, mas precisa começar a reduzir suas emissões agora. O biodiesel reúne algumas características importantes nesse processo: é um biocombustível que o Brasil já produz em escala, com cadeia produtiva estruturada e capacidade disponível para atender a uma nova demanda. Não estamos falando de uma tecnologia que precisa esperar a próxima década para chegar ao mercado. Estamos falando de uma solução que já existe e que pode avançar à medida que a regulamentação também avance”, afirma Luís Carlos Costa Filho, Diretor

Estrutura para abastecimento pronta na Binatural

A discussão ocorre em um momento de transformação da matriz energética da navegação mundial. A estratégia climática adotada pela Organização Marítima Internacional (IMO) estabelece como ambição alcançar emissões líquidas zero de gases de efeito estufa no transporte marítimo internacional até 2050. Como etapas intermediárias, prevê redução das emissões totais de pelo menos 20%, buscando 30%, até 2030, e de pelo menos 70%, buscando 80%, até 2040. Nesse cenário, o biodiesel se apresenta como uma das alternativas disponíveis para iniciar a transição energética no curto prazo, sem depender exclusivamente da renovação das frotas. Por ser um combustível com características de utilização compatíveis com a cadeia do diesel, sua incorporação permite aproveitar motores, sistemas de abastecimento, armazenamento, transporte e parte relevante da infraestrutura logística já existente, reduzindo a necessidade de implantação de uma nova estrutura energética desde o início da transição.

Outro atributo, pelo que defende a empresa,  é a similaridade de consumo em relação ao diesel convencional, permitindo sua introdução progressiva sem alterar de forma substancial a lógica

abastecimento em grandes transatlânticos

operacional do abastecimento. Essa característica diferencia o biodiesel de alternativas que ainda dependem da implantação de novas tecnologias de propulsão, infraestrutura específica de produção, armazenamento e abastecimento ou da renovação de ativos para ganhar escala comercial. A escala também favorece essa trajetória. O Brasil possui uma cadeia de biodiesel consolidada, com capacidade industrial instalada, disponibilidade de diferentes matérias-primas, estrutura logística e experiência acumulada na produção, distribuição e utilização do biocombustível. Isso permite que a descarbonização do setor marítimo possa avançar acompanhando a evolução da regulamentação, sem esperar que tecnologias ainda em desenvolvimento alcancem maturidade e escala.

Abastecimento em navios de carga

O próprio planejamento energético brasileiro já considera essa possibilidade. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sobre a descarbonização do transporte aquaviário previa o uso de biocombustíveis na navegação interior a partir deste ano e, em determinados cenários para a cabotagem, participação do biodiesel chegando a 30% em 2038. Para o longo curso, a EPE também considera o biodiesel entre as soluções de implementação imediata. Além da disponibilidade e da infraestrutura existente, a intensidade de carbono do combustível passa a ser um atributo central nessa discussão. Quanto menor a emissão de gases de efeito estufa associada ao ciclo de vida do biocombustível, maior pode ser sua contribuição para a redução da intensidade de carbono da matriz energética utilizada pela navegação. Nos cálculos apresentados pela Binatural, uma mistura B24 no transporte marítimo representaria demanda anual estimada em 368 milhões de litros de biodiesel e poderia evitar entre 818 mil e pouco mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano, dependendo da intensidade de carbono considerada. O biodiesel produzido pela companhia apresenta intensidade de carbono de 5,25 g CO₂eq/MJ, indicador que amplia o potencial de redução de emissões quando comparado aos combustíveis fósseis substituídos.

A proposta apresentada pela Binatural também destaca que a expansão do biodiesel para o setor aquaviário teria efeitos econômicos, sociais e ambientais ao longo de uma cadeia que começa no

Produção garantida

campo e chega à indústria e à logística. A ampliação da demanda poderia estimular a produção de matérias-primas, a diversificação de fontes, a atividade industrial e a geração de renda associada à cadeia brasileira de biocombustíveis. A estimativa apresentada à ANP aponta ainda que a adoção do B24 poderia estimular a produção e o esmagamento de aproximadamente 1,9 milhão de toneladas adicionais de soja por ano, com geração de cerca de 1,5 milhão de toneladas de farelo. O impacto se estenderia à agricultura familiar, segmento que já reúne mais de 300 mil produtores integrados à cadeia nacional do biodiesel. Pelas projeções apresentadas na audiência, aproximadamente 50 mil agricultores familiares adicionais poderiam ser beneficiados com a expansão do mercado aquaviário. Os efeitos econômicos projetados incluem ainda um acréscimo de cerca de R$ 12 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) relacionado à cadeia de soja e biodiesel.

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